quarta-feira, 4 de setembro de 2013

6% Multiplayer: Jogos Vorazes


https://blogger.googleusercontent.com/img/b/R29vZ2xl/AVvXsEgTdBze7YSLepnYES9mphJ43srBLXS2Goc6Y0xIwkpA1INrl-H_ir1OhEfR-Olbddda_FlPyjd7rkadHWPxK1F0hm-_bv3CuLf6w-lwpMgRnpNa5UaH-ne3ptAi_gnZvo5ReWMSKdyP0RPr/s400/jogos-vorazes-suzanne-collins.jpgNome do Mundo: Jogos Vorazes.

Universo: Jogos Vorazes.
Do Mesmo Planeta:
2°: Em Chamas.
3°: A Esperança.
Criadora: Suzanne Collins.
Trouxe aos Terráqueos Brasileiros: Rocco.
Dimensão: 397 páginas.
Data de Nascimento:
BRA: 2011./USA: 2008.
Onde Obter: Saraiva - Submarino -Livraria Cultura PDF
Relatório Completo: Skoob.
Sinopse: Após o fim da América do Norte, uma nova nação chamada Panem surge. Formada por doze distritos, é comandada com mão de ferro pela Capital. Uma das formas com que demonstram seu poder sobre o resto do carente país é com Jogos Vorazes, uma competição anual transmitida ao vivo pela televisão, em que um garoto e uma garota de doze a dezoito anos de cada distrito são selecionados e obrigados a lutar até a morte! Para evitar que sua irmã seja a mais nova vítima do programa, Katniss se oferece para participar em seu lugar. Vinda do empobrecido distrito 12, ela sabe como sobreviver em um ambiente hostil. Peeta, um garoto que ajudou sua família no passado, também foi selecionado. Caso vença, terá fama e fortuna. Se perder, morre. Mas para ganhar a competição, será preciso muito mais do que habilidade. Até onde Katniss estará disposta a ir para ser vitoriosa nos Jogos Vorazes?


*Acompanhamento:*
 Nada de Safe and Sound, chupa Swift, e sim Nickelback If Today Was Your Last Day.

Outra edição de Multiplayer! Sobrevivemos a todas as anteriores (algum de vocês já são Team Bea ou Team Isa? Não?)  hoje nossa briga é por Jogos Vorazes, o primeiro volume da saga com mesmo nome, hoje a batalha será um pouco mais tranquila... hm, será?  Que comecem os jogos, e que a sorte esteja sempre a seu favor (agora faz mais sentido dizer isso).

ROUND 1: Visão geral.
Isa: Já ouvi que a saga é um plágio de Battle Royale (livro com o mesmo enredo publicado no Japão em 1999), e se compararmos o enredo dos dois, podemos ver que possivelmente foi plagiado. De modo geral o primeiro livro me agradou por completo, já o segundo... É pra outro Multiplayer.

Bea: Creio que todos já estejam fartos do enredo desse livro, mas uma coisa não há como negar: Jogos Vorazes foi o precursor de todas as distopias que sugiram nessa última onda literária. Essa sou eu empregando eufemismo para modinha, kisses. Whatever, a verdade é o seguinte, eu esperava um pouco mais do livro. Talvez eu tenha gritado na vuvuzela antes do gol movida pela estardalhaço que ele causou em todo o mundo, mas eu não senti todo esse amor³³³ a ponto de colocar nos melhores livros que li. Ele me fez entrar numa ressaca literária ferrada? Sim. Me fez sonhar e sempre relembrar dos personagens e usá-lo como referência? Claro, mas eu ainda lembro da pontada de desapontamento que senti quando terminei o livro. Vocês vão querer me apunhalar, mas eu queria que houvesse mais coisa, mais acontecimentos, mais história, entendem?, não apenas sofrimento e narração @Katnissdo12.
Então, ouço a voz do lendário locutor, Claudius Templesmith, retumbar ao meu redor.
— Senhoras e senhores, está aberta a septuagésima quarta edição dos Jogos Vorazes!”
ROUND 2: O que mais gostou or mais xingou.
Isa: O enredo (plagiado) do livro me agradou muito, é uma atmosfera que você não vê em nenhum outro livro, e às vezes é bom sair da mesmice. Os personagens são... Ok. Me agradam, mas o triângulo amoroso que se forma no final do primeiro e no começo do segundo já tira a exclusividade. Cenas de distopia também contam ponto positivo no meu placar.

Bea: Eu entro em um belo impasse nesse quesito. Mas vou tentar não embaralhar tanto. Gostei da forma como de certo modo as coisas acontecem rápido, mas isso é bem relativo de acordo com a metade do livro, por exemplo, uns 40% intermináveis do livro são os dias que antecedem a abertura dos Jogos, eu não queria saber detalhadamente o que eles comeram e usaram, QUERO PANCADARIA, MEU! E achei que restou menos espaço do que deveria ser para os Jogos em si. "O nome do livro é Jogos Vorazes, faça o favor de se concentrar neles, srta. Collins", isso resume tudo. Estrelinha para Katniss por ter sido na maior parte do tempo uma protagonista diferente do usual YA que estamos acostumados. Vocês mesmas, robôs e clones programados para serem Bella...não que já não aja como um, enfim. E vamos admitir que a Suzane gosta de por nome complicado nos personagens, come on!, eu me irritava às vezes.
Não posso demonstrar fraqueza. Principalmente se preciso de ajuda. Pena não traz ajuda alguma. Já admiração diante de sua recusa em se entregar pode trazer
FINALE: Adaptação para o cinema.
Isa: Pelo o que me lembro, a adaptação foi bem fiel ao livro, já que faz algum tempo que eu vi o filme, mesmo assim eu prefiro o livro ao invés do filme.

Bea: Sinto lhes informar, mas a Tributa fajuta aqui AINDA não assistiu ao filme, shame on me!, I know. Mas pelo que andei caçando por ai, não foi lá uma das melhores adaptações pelo fato de focarem mais do bendito triângulo amoroso (vontade de mandar essas formas geométricas de 3 lados para o Triângulo das Bermudas, mas deixo isso com o Percy, demi-gods understand), do que na crítica à sociedade que o livro nos mostra pelas entrelinhas. E coloca entrelinhas nisso, achei que essa tal crítica ficou encoberta demais pelo drama central, de modo que mal considero relevante. 1984 para esse povo.
A novidade é absorvida. Dois tributos podem vencer esse ano. Se forem do mesmo distrito. Ambos podem viver. Nós dois podemos viver.
Antes de conseguir me conter, pronuncio o nome de Peeta.
ROUND EXTRA: Julgando pela capa?
Isa:  Em nenhum momento eu pensei "essa capa é linda, portanto o livro será maravilhoso", até por que eu já vi capas melhores, mas o broche do Tordo é totalmente de acordo com o enredo. Já ouvi muitas reclamações dos leitores com a Rocco, mas não vi nenhum "defeito" neste livro, portanto a editora está de parabéns.

Bea: Convenhamos que essa capa é incomum e por isso chama tanto a atenção, afinal, todos procuram por livros com capas chamativas, e essa chama a atenção de certo modo, afinal exclua todo o conhecimento que você tem pela história e finja ser a primeira vez que vê a capa. Toda preta com o tordo do broche, o símbolo da revolução e tudo o mais, mas e se não soubesse? Ficaria com vontade de ir para o passo 2 e ler a sinopse, certo?






terça-feira, 3 de setembro de 2013

Livros Entre Linha & Depósito da Pipoca: Branca de Neve e o Caçador






 Adoro brincar de Faz-de-conta com vocês, então vamos fingir que essa é a capa do filme também, right?

Nome: Branca de Neve e o Caçador.
N°Páginas: 208.
Autores: Lily Blake, Evan Daugherty, John Lee Hancock, Hossein Amini.
Editora: Novo Conceito.

Duração: 2h 6min

Diretor: Rupert Sanders.
Elenco: Kristen Stewart, Chris Hemsworth, Charlize Theron, Sam Claflin.
Gênero: Fantasia, Ação e Aventura.
Lançado: 2012.
Relatórios: Filme/Livro.
Sinopse filme: Um rei viúvo caiu de amores por Ravenna (Charlize Theron) sem saber de seus terríveis planos de conquista e acaba morrendo, deixando para ela todo o seu reino. Para piorar a situação, a filha dele foi jogada em uma masmorra e lá ficou até se tornar uma bela jovem. Obcecada pela beleza e pela juventude, a Rainha não se cansa de perguntar ao seu oráculo para saber de existe alguém mais bela do que ela, até o dia em que a resposta não a agradou. Felizmente, Branca de Neve (Kristen Stewart) consegue fugir sem que seu coração seja arrancado e Ravenna se torne poderosa para sempre. Mas a malvada não desiste fácil e além da ajuda do irmão, um fiel escudeiro, ela contrata Eric (Chris Hemsworth), um exímio caçador para trazer sua presa de volta. Só que ele acaba descobrindo que a missão era um grande erro e vai ajudar a jovem em sua cruzada contra o reinado da malévola. Para isso, eles contarão também com o importante apoio dos seres da floresta e dos unidos sete anões mineiros. 


Livros baseados em filmes dão certo?
Neste caso, se saiu melhor que a própria adaptação. Eu esperei ler primeiramente o livro antes de partir para o filme e essa é uma combinação que eu recomendo a todos, exceto para quem não quer se irritar com a falta de detalhes enquanto tenta se divertir no cinema. Todos já sabem que essa é uma releitura mais voltada para o estilo gótico do fofo conto da Branca de Neve really, Bea, really?. O livro conta a história da nada menos nada mais que da própria Branca de Neve. Ela "perdeu" a mãe quando era criança e logo em seguida ganha uma madrasta super gente fina, que ganha sua confiança e a do pai para que no dia do seu casamento, logo depois do "E se ninguém tem nada a declarar, eu vos declaro blá blá" assassine o pai da Branca de Neve, tornando-se a única soberana de todo o reino, que por sua vez, tem toda vida e beleza drenados, virando um lugar morto, feio e infértil, tanto de solo quanto de felicidade. Ravenna, a tal madrasta que todo mundo queria ter como mãe, possui um segredo macabro e meio que todo o reino sabe; ela manda soldados por todos os reinos próximos a procura de moças jovens para literalmente sugar sua juventude e deixá-las numa menopausa precoce. Triste, certo? 

“-Voltei a pensar em mim mesmo novamente. E nunca me cuidei. Até conhecer você. Você me faz lembrar dela. Seu espírito, seu coração. E agora você também se foi – Vacilou sobre as palavras, sentindo o nó aumentar no fundo da garganta  - Vocês duas mereciam algo melhor e eu sinto muito por ter falhado com você também.”
 
Enfim, mas Branca de Neve foi The Only Exception, desde o dia em que Ravenna matou seu pai, mantém a menina prisioneira na torre mais alta do quarto mais alto Oi, Sherek?, ou seja, são uns dez anos sem tomar banho. Ei Edward e Jacob, ainda querem lutar por ela? Mas eis que no décimo oitavo aniversário da princesa reclusa ela encontra um prego meio solto na sua janela, os passarinhos que mostraram. Sua "chave" para liberdade. Snow, pois prefiro o nome original que falar "Branca" consegue se refugiar na perigosa Floresta Sombria, único lugar onde os poderes da rainha não exercem efeito e é cheio de plantas alucinógenas, ouviu maconheiros? . #Xatiada, Ravenna pede com educação e sem chantagem ajuda para a pessoa que melhor conhece os segredos e labirintos da Floresta, o Thor Eric, o Caçador.



Claro que aquele spoiler na sinopse não deixa nem um pouco óbvio se o Thor Caçador irá ajudar a Snow ou manter firme seu acordo com a Ravenna, mas caso ele vá, não estará apenas salvando a garota, mas resgatando também sua autoconfiança depois da morte de sua esposa. Antes de comentar sobre o final, deixe-me ressaltar alguns pontos.


O livro em si é BEM previsível, desde a lida da sinopse eu já tive um bom palpite de tudo que iria acontecer, e eu acertei uns 95%. Mas há pontos ótimos no livro, um deles é a narrativa leve que foca bastante nas descrições de detalhes visuais e táteis, acho que devido à grande quantidade de efeitos usados no filme. O resultado foi que me vi imaginando coisas surreais e no quesito fantasia cumpre bem sua função de nos levar para outra realidade. Outra coisa que faz valer a pena ler é que me situei melhor na ambientação no livro do que com o filme, já que ele explica melhor o passado das personagens e como são relativamente poucas, as aparições se tornaram mais constantes então as conhecemos melhor. Mesmo assim, todos estão lá apenas para cumprir sua função, seja ajudando a princesa ou apenas preenchendo o espaço.


 "A vida não é fácil princesa.
Chegou a hora de tirar a coroa e colocar a armadura." 

Resumindo melhor e de modo geral, eu gostei de como o livro nos coloca como observadores presentes, mas achei a história insossa e batida por algumas vezes os detalhes se perderem um pouco e leva o leitor junto. O momento drogas em Nárnia quando os anões, porque TINHA QUE TER anões, conduzem Snow e o Caçador até o cervo branco igualmente com a "qualidade" do discurso de incentivo antes da guerra para convencer os aldeões que todos vão morrer, então que o faça lutando pelo menos, ficou um tanto #fail. Em muitos trechos fiquei com cara de WTF?, e com cinco autores trabalhando juntos, não é lá uma coisa uma aceitável. Por isso não leia comum olhar muito crítico e sim como uma boa distração, e recomendo utilizá-lo como livro de transição entre dois com uma trama mais forte. Se eu fosse classificar o livro, daria 3 maçãs, mas sem o veneno que faz viciar nas palavras.

Rapidinho: A diagramação está linda, os capítulos possuem uma divisão que toma de uma a duas páginas inteiras com essas caveiras contornadas de espinhos de rosas e coroas, feitos e coloridos em tons de preto. Ou seja, o livro tem menos de 200 páginas! Tomem vergonha e leiam


Ouça o choro da batalha. Deixe-o gritar desde as montanhas. [...] Porque a morte é uma boca faminta. E você é a maçã.



Para o livro:


Por que as telonas não me agradou?

                                                                     Simples, senti que faltou uma boa explicação em algumas coisas. Além do buraco que ficou devido às "cenas extras" que há no livro. É um pouco estranho usar a expressão "O livro foi bem fiel ao filme", estou acostumada falar ao contrário e com um NÃO no meio, mas se não tivessem a brilhante ideia de fazer um livro com o roteiro, provavelmente toda vez que lesse o nome do título faria uma careta igual faço com aquele outro filminho que a Stwart fez, cof cof. Eu achei a trama toda ainda mais superficial mesmo sendo a base para o livro, como se resumissem apenas os pontos centrais, deixando a impressão de ter sido adaptado, não base para uma adaptação literária.

Tenho meus elogios sim, como as cenas de Ravenna que ficaram bem mais nítidas que minha imaginação infértil não conseguiu visualizar pelas descrições, e os gráficos do exército feito de estilhaços negros se montando ou se estilhaçando tum-tum-tss ficaram muito bem feitos e agradou principalmente quem assistiu em 3D.


"- Saiba - gritou - que pelo mais belo sangue isso foi feito e somente pelo mais belo sangue pode ser desfeito."

A atuação tanto de Chris Hemsworth (Caçador) quando da mais bela de todas Charlize Theron (Ravenna) porque falar que Kristen é mais bonita é muita cegueira está vívida e bem feita, me fez entrar na mente de seus personagens  pelo realismo da interpretação. Sorry, Snow, não posso dizer o mesmo de você, na verdade nem chega perto, aprenda a fazer mais de uma expressão e quem sabe a gente conversa. Creio que foi a escolha de protagonista que matou a Branca de Neve no livro e aproveitando, no filme também já que os autores tiveram de seguir o padrão e ficou aquela personalidade apagada para quem tinha de ser a mais bela de todas com o sangue mais puro.


"Quando os abutres estiverem circulando.
E as sombras descerem. Você se curvará? Ou lutará?
Seu coração é feito de vidro ou da pura cor, Branca de Neve?"

Também gostei da "Tribo Rosto Cortado", um grupo de mulheres que fizeram cicatrizes nos próprios rostos e de suas filhas para não serem capturadas pelos guardas cacos de vidro da rainha. E SIM, ADMITO, há uma pequena reviravolta que puxou meu tapete quando tudo estava seguindo o trilho que eu achei que cursaria. Pronto, falei.

Excluindo a parte do romance forçado e clichê, final previsível, etc etc se é que sobre alguma coisa o final possui um gancho para uma possível continuação, só nos resta esperar lendo livros e assistindo filmes melhores até lá. Já a nota do filme seria uma maçã muchinha onde nem minhoca quer morar.

Para o Filme:

Trailer:
 

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domingo, 1 de setembro de 2013

Livros Entre Linhas: Garotas de Vidro



O título original é Wintergirls, mas creio que a tradução literal como "Garotas Frias" não soaria muito bem.
Nome do Mundo: Garotas de Vidro.
Único no seu Universo.
Dimensão: 272 páginas.
Criadora: Laurie Halse Anderson.
Data de Nascimento: 
BRA: 2012 / US: 2009
Trouxe aos Terráqueos Brasileiros: Novo Conceito.
Relatório Completo: Skoob.
Sinopse: Lia está doente e sua obsessão pela magreza a deixa cada vez mais confusa entre a realidade e a mentira. Mas ela perde totalmente o controle quando recebe a notícia de que sua melhor amiga, Cassie, morreu sozinha em um quarto de motel. E o pior: Cassie ligou para Lia 33 vezes antes de morrer. O que começou como uma aposta entre duas amigas para ver quem ficaria mais magra tornou-se o maior pesadelo de duas adolescentes reféns de seus próprios corpos. Ao negar seu problema, Lia impõe a si mesma um regime cruel em que contar calorias não é o bastante. Ao omitir seu desespero, apela ao autoflagelo numa tentativa premeditada de aliviar seus tormentos. Seus pais e sua madrasta tentam ajudá-la a qualquer custo, mas nem mesmo sua doce irmã, Emma, consegue fazer com que Lia pare de se destruir. Agora, Lia precisa encontrar um modo de lidar com todos os seus fantasmas, e a morte de Cassie é um deles. Garotas de Vidro é uma história intoxicante sobre a autorrepugnância e a busca pela identidade. Neste livro, Laure Halse anderson aborda de modo realista a dolorosa condição de jovens que sofrem de transtornos alimentares e sua complicada relação com o espelho e consigo mesmos.  

*Acompanhamento: Opto pela música autoajuda Skyscraper - Demi Lovato, e lembre-se é preciso Stay Strong para encarar esse livro.*

"A verdade nem sempre é o que enxergamos"
Sendo um dos primeiros sick-lit que li, o tipo de livro que trata de doenças físicas ou psicológicas, Garotas de Vidro é aquele livro que te marca de um jeito estranho e inusitado. Não é pelos personagens, não é pela história e sim por te fazer refletir que boa parte dos pensamentos e atitudes mutiladoras de Lia passam pela mente de muitas pessoas ao redor do mundo. Pode ser até em níveis de intensidade diferentes, mas são tão corrosivos quanto.



O que eu quero?
A resposta para essa pergunta não existe.

A trama central, da qual somos apresentados aos personagens e suas histórias são apenas a teia para segurar o que realmente nos captura e prende às páginas desse livro, e ela se chama Lia, não é pretérito perfeito do indicativo, right. Seus "problemas" começaram com uma aposta mais do que idiota com sua Bff Cassie sobre quem conseguiria ser a garota mais magra da escola. Essa passagem do livro me fez pensar que mentes fracas capazes de se importar com coisas tolas como essa são as que mais sofrerem prejuízos pesados nas suas vidas. 


Ela transformou meu verão em um deserto.

Aconteceu que ambas tomaram rumos diferentes para alcançar sua meta, ambos tão mortíferos quanto. Cassie tornou-se bulímica enquanto Lia partiu para a anorexia. Mas as duas compartilhavam uma coisa em comum que todos os portadores de doenças alimentares também possuem; Eram insatisfeitas com seu corpo e suas metas inalcançáveis, e com isso felicidade era uma coisa que deixou de fazer parte de suas vidas, junto com a comida.

Elas esqueceram que o espelho mente. Ele só mostra o que você vê por fora e que às vezes somos cegos mesmo que consigamos ver cores e reflexos. Ás vezes precisamos de óculos com grau para nossas mentes.

Você não está morta, mas também não está viva. Você é uma garota gelada, presa entre dois mundos. Você é um fantasma com um coração que bate.

Mas descobrimos que há muito mais problemas na vida de Lia que só agravam seus transtornos. Seus pais são divorciados e por isso Lia muda intensamente de casa. Durante a semana vive com o pai, sua madrasta e a filha desta, Emma, e aos fins de semana vai para a casa vazia da mãe. As brigas são constantes onde que esteja, pois todos insistem em fazê-la comer e ir às consultas do psicólogo enquanto Lia se recusa a fazer qualquer um dos dois.



Eu entendia o que provocava seus surtos, a maioria deles. Eu sabia o quanto machucava ser filhas de pessoas que não te enxergavam, nem mesmo se você estivesse na frente deles pisando em seus pés.

Para complementar a situação feliz e radiante de família unida, certo dia Lia se depara com trinta e três mensagens e chamadas perdidas de Cassie, que logo em seguida foi encontrada morta no banheiro de motel. Motivo? Devido aos constantes vômitos forçados, seu esôfago rompeu. E se você pensou que esse seria o estopim para Lia decidir sair da falta de vida que entrou, you wrong. Fantasmas de Callie começam a atormentar sua mente, maltratando-as com pensamentos baixo-autoestima, como se já não tivesse mais que o suficiente para manter uma taxa okay de sanidade. Lia aumenta sua obsessão mais do que nunca, agora fazendo exercícios pesados durante toda madrugada, quando seus pais estão dormindo e não corre o risco de alguém descobrir.

E esse é o problema. Quando você está viva, as pessoas podem te machucar. É mais fácil rastejar para uma gaiola de osso ou para um confuso monte de neve. É mais fácil manter todo mundo fora. Mas, isto é uma mentira.

Com o transcorrer do livro, que nessa frase pareceu algo simples como apenas o virar de páginas quando na verdade a cada ponto final sua mente explode com ótimas e tensas citações, conheci melhor o papel delimitado que cada personagem teve de contribuir para o andamento da história. Lia considerava Emma sua irmã caçula e sempre pensava nela antes de cometer qualquer besteira que a mataria vez e não aos pouco. Já Elijah, um cara que Lia conhece quando vai visitar o quarto do motel onde Cassie faleceu,  dá um toque de humor ácido ao livro, já que engraçado não é uma palavra que defina o livro. Mas ao mesmo tempo em que ele me agradou também me fez passar muita raiva com sua atitude final. 

Sim, os mortos andam e assombram e se enfiam na sua cama à noite. Os fantasmas se infiltram na sua cabeça quando você não está olhando. As estrelas se alinham e os vulcões dão à luz pedacinhos de vidro que preveem o futuro. Frutinhas venenosas tornam garotas mais fortes, mas às vezes as matam. Se uivar para a lua e jurar sobre o seu sangue, vai conseguir tudo o que desejar. Mas tenha cuidado com aquilo que deseja. Sempre existe um preço.

O livro é narrado por Lia em primeira pessoa e isso foi à chave do segredo. Fiquei presente com seus pensamentos o tempo inteiro, mesmo que eles inebriavam a realidade nos deixando confusos se Lia está mesmo vendo isso ou se acabou de entrar em mais um devaneio. Mas não enxergo o livro escrito de outra forma a não ser essa, ele perderia toda sua essência e o potência que teve em atingir uma tecla na nossa sociedade onde muitos insistem enquanto outros fingem que ninguém a clica. 

Eu entrelaço e teço e tricoto minhas palavras e visões até uma vida nova começar a tomar forma. Não existe cura mágica, nem como fazer tudo desaparecer para sempre. Existem apenas pequenos passos adiante: um dia mais fácil, uma risada inesperada, um espelho que não importa mais.

A angústia de Lia toda vez que chegava perto de comida, [os colchetes informando quantas calorias os alimentos têm], as palavras riscadas ocultando o que realmente gostaria de ter dito não só nos pensamentos, as lâminas e os cortes que passaram a fazer parte de seu dia complementando sua obsessão pela magreza e busca inalcançável por ela. Todos esses ingredientes formam uma receita, talvez não tão perfeita, mas não me fez parar até ter devorado as 272 páginas, desejando que Lia comesse uma quantidade maior ainda de comida. 

Eu fico pensado que, se eu pudesse tirar minha pele, sair desse corpo, então poderia ver quem eu sou de verdade.

Não sei se recomendo essa leitura para todos os públicos, pois além de estômago é preciso, como eu disse no começo na resenha, Stay Strong também mentalmente. Você precisa formar um belo campo de proteção com seus princípios e opiniões para manter-se, digamos, são. Não que o livro seja influenciador ou pró-anorexia nem nada disso. Você se depara com a mente literalmente fria, nua e crua de tudo que se passa na mente de uma pessoa com esses problemas enquanto ela se corta inúmeras vezes ou recusa-se a fazer uma alimentação decente mesmo não lembrando qual foi à última vez que realmente se alimentou.

Sou quase uma garota de verdade no caminho inteiro para casa. Eu fui a uma lanchonete. Tomei chocolate quente e comi batata frita. Falei com um cara por um tempo. Ri algumas vezes. Foi como patinar no gelo pela primeira vez, meio capenga, mas consegui. Mas quando entro em casa, os sussurros começam de novo…


A diagramação tem jogadas bem legais, como páginas inteiras com ctrl c ctrl v de "Não Comer. Não Comer. Não Comer. Não Comer. Não Comer. Não Comer." ou então Lia sangrando tanto devido aos seus cortes e ao invés de colocar um típico "E então tudo escureceu" a autora optou em parar na metade da frase com uma terrível reticências seguidas de páginas em branco. Creative mode on, right? E as divisões de capítulo em forma de calorias fazem você entrar no clima sombrio da mente de Lia e permanecer lá até depois do término da leitura. Com certeza, esses são detalhes que fazem o livro se destacar na minha memória. De 1 a 5, Garotas de Vidro recebe 5 caquinhos de vidro.

Último quote e prometo que paro:
Com 45 quilos meus pensamentos estão mais claros, eu pareço melhor, me sinto mais forte, Quando eu atingir o próximo objetivo, vai ser tudo isso e mais. O Objetivo Número Dois é 43 quilos, o ponto perfeito de equilíbrio. Com 43, vou ser pura. Leve o bastante para andar de cabeça erguida, e carnuda o bastante para enganar todo mundo. Com 43 quilos, vou ter a força para permanecer em controle. Vou ficar de pé nas pontas escondidas nas minhas sapatilhas de cetim de balé, fitas cor-de-rosa costuradas nas minhas canelas, e me erguer no ar: mágica. Com 40 quilos, vou planar. Esse é o Objetivo Número Três.
         
Já que fazer de lâminas ou giletes seria macabro de mais, além de não passar uma boa mensagem (não eu que me preocupe com isso), ai vai 5 gloriosas pokebolas. Qual o sentido? Bem, não espere muito disso neste blog.
 



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