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quarta-feira, 1 de julho de 2015

Especial Livros Entre Linhas: Trilogia Mundo em Caos #DoisEmUm


Nome do Mundo: O Motivo or The Knife of Never Letting Go.
Universo: Mundo Em Caos
Do Mesmo Planeta:
2°: A Missão
3°: A Guerra
Dimensão: 447 páginas. 
Criador: Patrick Ness
Data de Nascimento: 
BRA:  2011 / US: 2008.
Trouxe aos Terráqueos Brasileiros: Pandorga.
Onde Obter: Saraiva - Livraria Cultura - Orelha de Livro
Relatório Completo: Skoob or Goodreads.
Sinopse: Todd Hewitt é um garoto de doze anos, o último menino de Prentisstown, uma cidade de homens. Ele vive em um mundo cheio de "ruído" em que os pensamentos privados de todo homem e animal são audíveis. Em um mês ele estará com treze anos e será um homem. Mas a cidade está mantendo segredos para ele, segredos que vão forçá-lo a fugir do prefeito e dos homens de Prentisstown junto com seu cachorro e a primeira garota que ele já conheceu. A cada página, o leitor ficará cada vez mais ligado a Todd e Viola, com sua história de amizade, e sentirá afeição genuína por Manchee, cão e ajudante de Todd, cujo comportamento é hilário e comovente. Na sua essência, é uma história sobre um garoto forçado a crescer rapidamente em um mundo de ruínas em loucura e armado apenas com sua convicção de fazer a coisa certa para ajudá-lo a sobreviver. Todd vive em um mundo onde um germe matou todas as mulheres, um germe que deixou os homens loucos, o germe que significou o fim dos spackles quando a loucura dos homens colocou as mãos numa arma.

Antes de tudo, acho válido dizer que eu recomendo que você saiba o mínimo possível sobre o enredo antes de ler este livro, pois são de pequenas revelações que ele é feito, o que impacta bastante na experiência de leitura. Mas saber o básico não irá assassinar a graça do livro. Todos avisados, certo? Certo. Bem, eu gostaria de fazer uma resenha tripla, mas só Atena sabe quando lerei o último livro e senti a necessidade de falar sobre esses, já que são tão pouco divulgados aqui no Brasil E SIMPLESMENTE É UMA DAS MELHORES TRILOGIAS QUE JÁ LI, NÃO SEI POR QUE TANTA MELAÇÃO EM CIMA DE A SELEÇÃO, QUANDO HÁ PATRICK NESS CHAMANDO. Pronto, falei.


Os homens mente, e o pior de tudo é que mentem para si mesmos. Por exemplo, eu nunca vi uma mulher nem um spackle em carne e osso, obviamente. [...] e eu os vejo o tempo todo no Ruído dos homens, afinal, sobre que outra coisa os homens pensariam além de sexo e inimigos?

Tudo começa com Tobb Hewitt e sua contagem regressiva para seu aniversário de 13 anos, a idade em que os meninos passam a ser homens. Mas a emoção maior está no fato de Tobb ser o último garoto da cidade. Talvez do Planeta. Mas vamos explicar isso melhor. A história que Tobb conhece é a seguinte: há muito tempo, quando os humanos chegaram nesse novo Planeta, havia uma praga que matou todas as mulheres e "infectou" a mente dos homens. Agora, todos os pensamentos de qualquer ser masculino são audíveis para qualquer um. Agora, os homens que restaram moram em Prentisstown, onde o único passatempo é aguardar a morte uns dos outros, enquanto lêem as próprias mentes. Party hard, hein.

Como eu já disse, os homens mentem o tempo todo, para eles mesmos, para outros homens, pro mundo inteiro, mas quem pode ter certeza se quando isso se junta com todas as outras mentiras e verdades que estão flutuando por aí fora da sua cabeça? Todo mundo sabe que você tá mentindo, mas todo mundo tá mentindo também, então quem se importa?

Porém, um mês antes de completar mais um ano de vida e enquanto cuidava das ovelhas junto ao seu cachorro Manchee, Tobb escuta um vazio; uma lacuna em meio ao turbilhão de pensamentos gritantes. Tobb então se depara com uma garota. E toda verdade que antes acreditava ser absoluta, evapora-se. Tobb, (caso queira saber o nome da menina, selecione o espaço em branco. Por que estou fazendo isso? "Ela gostasse tanto de mistérios que acabou por se tornar um". Citando John Green no meio de uma resenha, quanta ilógica), Viola e Manchee são forçados a fugir. Seus futuros são totalmente incertos, se é que haverá algum, já que suas vidas estão em perigo a cada instante. Em meio à mentiras, guerras e saudades da minha terra, o que mantêm Tobb seguindo em direção ao desconhecido, é a esperança de que não importa qual seja seu destino final, mas que lá esteja a resposta. (E de certa forma, está, mas de uma maneira um tanto peculiar).


Viola está perto de mim e, enquanto eu tomo goles desesperados, lá está o silêncio dela de novo. É uma mão de duas vias, essa história. Da mesma forma que ela consegue ouvir meu Ruído, aqui sozinhos, longe da tagarelice de outras pessoas ou do Ruído de um colônia, lá está o silêncio dela, tão alto quanto um rugido, me puxando como se fosse a maior tristeza do mundo, como se eu quisesse ser absorvido por ele e simplesmente desaparecer para sempre no nada”.

Esse é o livro perfeito caso você esteja procurando ser surpreendido de N formas a cada término de capítulo. Me aprofundarei na escrita do autor quando falar da belezinha da continuação ali em baixo, mas adio para vocês que "envolvente" é a palavra chave para descrevê-la. Nós acompanhamos a jornada do trio e vemos o quanto eles cresceram, aprenderam sobre o mundo e si mesmos e, principalmente, a zelar por uns aos outros. MAS CONTINUE CONOSCO QUE AINDA TEM MAIS ~dancinha feliz~ .

“A sede de poder é uma coisa que você deveria aprender a controlar antes de ficar mais velho, pois é o que diferencia homens de garotos, mas não da forma que a maioria dos homens pensa”.


Nome do Mundo: A Missão or The Ask And The Answer.
Universo: Mundo em Caos.
Do Mesmo Planeta:
1°: O Motivo 
3°: A Guerra
Dimensão: 492 páginas. 
Criador: Patrick Ness
Data de Nascimento: 
BRA:  2012 / US: 2009
Trouxe aos Terráqueos Brasileiros: Pandorga.
Relatório Completo: Skoob or Goodreads
Sinopse: Nós estávamos na Praça, na praça onde eu iria correr, segurando ela, carregando ela, dizendo-lhe para permanecer viva, permanecer viva até que nós estivéssemos seguros, até que chegássemos ao paraíso, assim, poderiam salvá-la - mas não havia nenhuma segurança, nenhuma segurança em nada, havia apenas ele e seus homens... Fugindo anteriormente de um exército implacável, Todd deixou Viola ser desesperadamente ferida direto nas mãos de seu pior inimigo, o prefeito Prentiss. Imediatamente separado de Viola e preso, Todd é forçado a aprender os caminhos da nova ordem do prefeito. Mas que segredos se escondem fora da cidade? E onde está Viola? Ela ainda está viva? E qual é a misteriosa resposta? E então, um dia, as bombas começam a explodir...

Esse livro me roubou madrugadas de sono. Eu deixava de assistir Game of Thrones só para lê-lo, e se você conhece a série, sabe que você deixa de COMER facilmente só para ver mais um episódio. Entrou para os favoritos da vida, e há muito tempo que um livro distópico e Young Adult não fazia isso comigo. Atrevo dizer que apenas Catching Fire foi capaz de tal proeza antes desse. Bem, leitores, EXCLUINDO AS CONSIDERAÇÕES SOBRE A ESCRITA DO AUTOR QUE EU MUITO GENTILMENTE IREI SINALIZAR PARA VOCÊ QUANDO COMEÇAR, essa parte da resenha CONTÉM spoilers, pois eu não quero tentar NÃO falar sobre esse livro. It's the opposite, babe!

“- Então você nunca esteve na praia vendo as ondas quebrarem e a água se estender na sua frente além da sua vista, se movendo tão azul e viva e tão grande que parece até maior do que a escuridão além dela, porque o oceano oculta seu conteúdo”.


*SPOILERS ON*
O livro começa no exato momento em que o anterior termina: com Viola baleada e Tobb sendo levado para longe dela. Os dois passam boa parte da trama longe um do outro, o que permitiu ao autor revezar a narração entre os pontos de vista de cada personagem, proporcionando-nos uma visão mais ampla sobre tudo que está acontecendo. 


A escuridão começa a tomar conta de mim, começa a cair sobre mim como um cobertor, como água se elevando acima da minha cabeça”.

O prefeito Prentiss agora é presidente, e seu primeiro decreto foi proibir a livre circulação das mulheres. Em sua mente doentia, criaturas femininas são um "perigo à paz", pois tudo aquilo que não pode ser ouvido, não pode ser decifrado e nem controlado (Ui, divergentes). 


A cada minuto eu espero que minha vida desmorone.
Mas a cada minuto ela continua de pé”.

O livro é recheado de páginas assim,
representando a confusão de pensa-
mentos dos homens.
Viola agora tem de aprender a ser enfermeira, enquanto mentalmente trama planos de como encontrar Tobb e fazer contato com sua nave-mãe. Porém, o prefeito (sei que falei que ele agora é presidente, mas chamá-lo de prefeito o irritava e essa é minha especialidade), possui planos mais tenebrosos para Tobb. Além de obrigá-lo a trabalhar junto com seu detestável filho "cuidando" dos spackles (que são as criaturas endêmicas do Planeta), Prentiss quer transformá-lo em seu herdeiro, ou seja, torná-lo igual a ele.


Há apenas silêncio quando isso acontece. Não é alto ou forçado ou violento. Ela simplesmente fica quieta, um tipo de quietude que você sabe que é interminável assim que escuta, uma quietude que abafa tudo ao seu redor, desligando o volume do mundo”.

Os jogos políticos e psicológicos neste livro são SENSACIONAIS. Ambos demonstram o poder que uma pessoa manipuladora, de mente astuta e boa lábia possui, principalmente por ter consciência que os pequenos detalhes, como paciência e jogo de palavras e cintura, são os tijolos para a construção de qualquer plano. E quem tem plena consciência disso são os dois personagens símbolo de cada lado da guerra: Sra. Coyle, a enfermeira chefe e, claro, o odioso Prentiss. Por mais que o prefeito seja o vilão declaro, o autor constrói a guerra e os lados jogadores de uma maneira que não há como resumir em apenas"herói ou vilão". Ao final do livro, você já não sabe para quem torcer exatamente, o que gera algo muito interessante a ser refletido: ninguém age seguindo um motivo único, genuíno e unilateral. Todos possuem camadas de interesses por trás de suas palavras e ações, e talvez, façam das pessoas os "peões" para a realização de tais.


Nós somos as escolhas que fazemos. E as que temos que fazer. Não somos nada além disso”.
*SPOILERS OFF*

OLHA, O SR. NESS POSSUI UMA VEIA DE GEORGE RR MARTIN SIM, SÓ QUE SABE DISFARÇAR MUITO BEM. Mas enfim, vamos lá!

A história geral da trilogia foi muito bem pensada e elaborada. É fácil perceber que há uma “cadeira principal” de enredo, que vai se ramificando aos poucos, (excesso de aulas de química orgânica resulta nisso), mas sempre prosseguindo. Uma habilidade louvável de Ness é a de nos apresentar, a partir de um relacionamento iniciado do zero e de forma cada vez mais envolvente, não só a personalidade e o passado das personagens, mas também nos explicar um pouco da dinâmica daquele universo novo e bizarro.


- O problema, Tobb – ele diz –, é que as pessoas não querem realmente liberdade, não importa o quanto elas falam sobre isso”.

O autor sabe como utilizar diálogos, ou falta deles, para nos fazer sentir a atmosfera de cada situação retratada. Ou seja, é fácil se pegar com falta de ar em uma cena de perseguição ou tortura, e ficar feliz quando alguma coisa dá certo (ou, ao menos, não dá errado) com os protagonistas. Por mais efêmero e insignificante que o “momento feliz” soasse depois, na hora em que foi lido, parecia o maior alívio do mundo. E, A MELHOR PARTE PARA QUEM JÁ ESTÁ ENJOADO DE MELOSIDADES DESNECESSÁRIAS: Não há o típico "casalsinho romântico" nesse livro \O/


Mas isso é o que te torna poderoso, Todd Hewitt. Neste mundo de entorpecimento e sobrecarga de informações, a habilidade de sentir, meu garoto, é de fato um dom raro”.

Conter-me-ei, pois senão spoilers jorraram! That's all folks!

Como O Motivo levou nota quatro e A Missão, cinco, a média portanto será quatro spackles e meio! NÃO SÃO ADORÁVEIS?
Vocês de exatas digam-me se estou certa.


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sexta-feira, 5 de junho de 2015

Livros Entre Linhas: Garota, Traduzida


Nome do Mundo: Garota Traduzida or Girl in Translation.
Único em Seu Universo.
Dimensão: 235 páginas. 
Criadora: Jean Kwok.
Data de Nascimento: 
BRA:  2011 / US: 2010 
Trouxe aos Terráqueos Brasileiros: Suma das Letras
Onde Obter: Saraiva - Submarino -  Americanas
Relatório Completo: Skoob
Sinopse: Quando Kimberly Chang e sua mãe, emigrantes de Hong Kong, se estabelecem numa área pobre do Brooklyn, tem início uma árdua dupla jornada para a menina de 11 anos. De dia, ela luta na escola contra o seu quase total desconhecimento do inglês, superando o preconceito do professor e revelando-se uma aluna determinada em aprender. À noite, ao lado da mãe, trabalha duro numa fábrica de tecidos, desafiando a incredulidade de colegas de escola, confiantes de que "trabalho infantil não existe nos Estados Unidos". Dia após dia, Kimberly lida em silêncio com verdades dolorosas e uma vida de privações. Num apartamento imundo, frio e infestado de ratos, a menina encara um futuro incerto, cujo peso recai sobre seus ombros, em função da deterioração da saúde de sua mãe. Kimberly ainda nutre um amor secreto por um menino que trabalha na casa de máquinas da fábrica na qual trabalha. Sua imaginação, criatividade e capacidade de amar são suas únicas armas para encontrar algum conforto e perspectivas. O livro Garota, traduzida é uma história inspirada na vida da autora, que saiu muito jovem de Hong Kong para viver nos Estados Unidos, mas fala também sobre a trajetória de milhares de imigrantes, capturados entre a pressão para vencerem no Primeiro Mundo, suas obrigações para com a família e seus sonhos particulares.


Muito bem, mochileiros. Eu ando um pouco cansada de leituras convencionais e como estava em uma vibe de intercâmbios e culturas diferentes, a sinopse desse livro me cativou de tal maneira, que antes de eu perceber, já estava a espera dos Correios passar e me entregar este bebê. (Afinal, bebês vêm no Sedex, e não da cegonha).

Esse livro entrou para minha lista de favoritos da vida, e eu COM TODA A CERTEZA voltarei a relê-lo quando JO tiver indo morar na Ilha da Esmeralda ~~tossing the hair. Certo, sonhos a parte, vou apresentar-lhes Kimberly, uma chinesa que deu um novo significado à expressão "lutar com unhas e dentes".

Kimberly morava na China, tinha 11 anos, era a melhor aluna da sua escola e vivia muito bem com sua mãe, apesar da saudade que sentia do pai falecido. (Eu iria escrever "morrido", mas esta palavra me define melhor). Mas então, sua mãe um dia lhe diz que fez um acordo com uma tia que vivia na terra do tio Sam e agora estão oficialmente se mudando para New York. Kim não sabe ao certo como comemorar. Fogos de artifício ou lágrimas? Mas isso apenas seu novo lar poderá lhe dizer.


Surgiu então um comercial de sopa de letrinhas. O conceito da sopa me fascinou, como acontecia com todas as coisas que envolviam letras

E eis sua resposta: Pessoas falando uma língua que ela não conhece; Um apartamento pequeno, sujo e cercado por baratas; uma escola onde todos são detestáveis; e só para acompanhar, mesmo sendo criança, Kim devia trabalhar em uma fábrica de tecidos para ajudar a sua mãe a pagar a dívida com a irmã. E digamos que essa tia não é lá a dos sonhos de alguém. Suas notas 10 agora se transformam em um mar vermelho, simplesmente por ela NÃO conseguir ler as provas. Sua mãe trabalha mais de 12 horas por dia. As noites são frias demais para as poucas cobertas aguentarem e a comida nem sempre sacia a fome.  

Porém, apesar da lista de infelicidades que os E.U.A trouxe para Kim ser imensa, uma alegria foi conhecer Matt, um garoto também chinês e que trabalha na fábrica junto a ela. (E aqui é a parte que vocês acham que preveem o que vai acontecer


Você pode estar mais apaixonada por uma pessoa que tem em sua mente do que pela pessoa que vê todos os dias

Ao longo de toda narrativa, nós acompanhamos o desenvolvimento de Kim, tanto acadêmicamente quanto como pessoa. Sua luta para aprender inglês (identificações livre). O constante bullying vindo inclusive de professores. E o que mais foi impactante para mim: seu amor pela sua mãe e pelos estudos e como isso a fez dedicar todas as horas livres para esforçar-se ao máximo e conseguir uma melhor qualidade de vida para sua família-de-uma-só. Histórias assim são umas das que mais mexem comigo, pois é a batalha diária de uma pessoa que dia após dia procura, através do conhecimento, um futuro melhor <o choro é livre>.

Um ponto interessante sobre os bastidores do livro é que a autora também é chinesa e foi  para os E.U.A ainda criança, ou seja, o livro é um pouco auto biográfico! Fato facilmente sentido devido ao detalhismo nas ambientações  e situações descritas. É como ler algo que apenas quem viveu saberia como descrever em palavras.
Particularmente, um detalhe que mais gostei no livro foi os choques entre as culturas chinesa e a americana. Eu sou bem maníaca quando o assunto é culturas diferentes, suas peculiaridades e contrastes, e para mim foi um prato cheio e com direito de repetir!


Jamais vou querer amar alguém assim, [...] amar tanto que não sobre espaço para mim mesma, amar tanto que não consiga sobreviver se ele me deixar

AGORA, O FINAL! Sabe a expressão "novela mexicana" <A URSUPADOORA TARANTANTAN ESPERANDO POR TU AMOR, parei>? Então, foi um tanto forçado e, sinceramente, desnecessário. Mas não desqualificou o restante do livro e o encerrou com um "ponto final" um pouco particular. Curiosos? Eu espero, hehe. 
PS: Aqui segue um documentário/entrevista, aonde a autora conta um pouco mais sobre sua infância. Legendas apenas em inglês.


Nada melhor que CINCO bandeiras da China para representar o quanto eu quero que vocês leiam! Já falei que virou um favorito? Pois virou um favorito.


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domingo, 8 de março de 2015

Livros Entre Linhas: Fale!



Nome do Mundo: Fale! or Speak!
Único em Seu Universo.
Dimensão: 247 páginas. 
Criadora: Laurie Halse Anderson
Data de Nascimento: 
US: 1999 / BRA: 2013
Trouxe aos Terráqueos Brasileiros: Valentina 
Onde Obter: Saraiva - Submarino - Livraria Cultura -  Americanas 
Relatório Completo: Skoob
Sinopse: Fale! - “Fale sobre você... Queremos saber o que tem a dizer.” Desde o primeiro momento, quando começou a estudar no colégio Merryweather, Melinda sabia que isso não passava de uma mentira deslavada, uma típica farsa encenada para os calouros. Os poucos amigos que tinha, ela perdeu ou vai perder, acabou isolada e jogada para escanteio. O que não é de admirar, afinal, a garota ligou para a polícia, destruiu a tradicional festinha que os veteranos promovem para comemorar a chegada das férias e, de quebra, mandou vários colegas para a cadeia. E agora ninguém mais quer saber dela, nem ao menos lhe dirigem a palavra - insultos e deboches, sim - ou lhe dedicam alguns minutos de atenção, com duvidosas exceções. Com o passar dos dias, Melinda vai murchando como uma planta sem água e emudece. Está tão só e tão fragilizada que não tem mais forças para reagir. Finalmente encontra abrigo nas aulas de arte, e será por meio de seu projeto artístico que tentará retomar a vida e enfrentar seus demônios: o que, de fato, ocorreu naquela maldita festa?

Só para constar que acabei de terminar esse livro e seria ironia demais até para mim não obedecer ao próprio título e guardar silêncio sobre, não acham? Bem, eu acho que não conseguiria dormir em paz sabendo eu que não falei. POIS BEM, ESTOU AQUI FALANDO E.E


É o meu primeiro dia no ensino médio. Estou com sete cadernos novos, uma saia ridícula e dor de barriga”.

Esse é AQUELE livro que você quer fazer com que todos os alunos à partir do fundamental II leiam, ao invés dos lugar dos "clássicos nacionais" que só vão fazê-los odiarem os livros até crescerem e terem filhos e seus filhos passarem pela mesma coisa. Não é atoa que a média de livros lidos por brasileiros seja de quatro.

- Bem vindos à única aula que vai ensiná-la a sobreviver – diz o professor – Bem vindos à Arte!”.

MAS ENFIM, vamos direto ao ponto, Fale! trata de um dos temas mais tabus do mundo: abuso sexual feito e sofrido por adolescentes. E o que deveria te assustar é o fato de A MAIORIA das pessoas que passam por isso são adolescentes (assim como em outros tipos de abusos), e as pessoas continuam a olhar como uma minoria e uma anomalia.


- Por que não passar esse tempo lidando com arte: pintado. Esculpindo, trabalhando com carvão, pastel e tinta a óleo? As palavras e os números são mais importantes que as imagens? Quem foi que disse isso? Por acaso a álgebra os comove a ponto de fazê-los chorar? [...] O pronome possessivo plural expressa o que sentem no fundo do coração? Se não aprenderem artes agora, nunca aprenderão a respirar!!!

No livro, conhecemos Melinda, uma menina que deveria estar rodeada pela sensação de entrar no Ensino Médio, mas, ao invés disso, vive tentando abafar a lembrança da festa do verão antes das aulas. Onde deixou de ser a garota que era. Onde isso lhe foi retirado brutalmente. Sem saber o que fazer, Melinda liga para polícia, que chega ao local e acaba com a festa, fazendo com que todos os convidados a odeie desde então. Porém, Melinda não contou para ninguém o que aconteceu e agora sente que sua voz desapareceu. Apenas observa, calada, seu mundo tornando-se caótico. Na sua escola, os estudantes segregam-se em grupos fechados. O casamento de seus pais está ruindo. Tem de ouvir sermões de professores por não fazer as lições e tirar notas baixas. Suas ex-amigas passaram a ignorá-la. Ninguém entende o por quê de Melinda não falar, e ela já não tem mais coragem nem de olhar as pessoas nos olhos. 
E Melinda prossegue em silêncio.


Dever de casa nem pensar. A minha cama está me mandando fortes vibrações de soneca. Não consigo evitar. Os travesseiros fofos e o edredom quentinho são mais fortes que eu. Não tenho escolha, a não ser me meter debaixo das cobertas”.

A narrativa em primeira pessoa de Lauren é sua marca registrada. Ela consegue nos transportar de maneira completa para a mente conturbada da protagonista de maneira tão intensa como fez em Garotas de Vidro. Você se torna Melinda. Você sente sua garganta entalada toda vez que ela tenta falar. Você sente a pressão dos olhares de todos sobre ela. Você sente a angústia do fardo que ela carrega e chega a ser sufocante em algumas horas. Você quer virar amigo de Melinda e deixá-la contar tudo a você! E você quer incorporar esse sentimento de raiva em forma de bastão para acertar todas aqueles que nem se dispõem a olhá-la duas vezes. E então vem a pergunta de um milhão: "E se isso estiver acontecendo com alguém próximo de mim, e igual a todos ao redor de Melinda, eu não faça a menor ideia?


[...] na maior parte do tempo, assisto os filmes de terror que passam no interior das minhas pálpebras”.

Lauren trabalhou muito bem com o clima "típica escola americana". Me fez olhar para os refeitórios, as cheerleaders, os mascotes e times, as aulas e armários, a segregação escancarada, etc,  de uma maneira que eu não enxergasse clichês, mas sim, como uma prisão estudantil, um ambiente hostil mal-pintado de escola. E que jovem nunca viu dessa forma? E como essa sensação deve ser intensificada para quem esconde segredos do tamanho dos de Melinda. Segredos sobre coisas que desmancharam quem você era e pretendia ser.



Às vezes eu acho que o ensino médio é um trote prolongado: se você for forte o bastante para sobreviver a esse período, vão deixar que se torne adulta. Tomara que valha a pena”.

No meu ponto de vista, os personagens secundários foram feitos para ser parte do cenário de prisão de Melinda. Eu consegui enquadrar a personalidade de várias pessoas reais nas atitudes em conjunto dos personagens e creio que esse tenha sido seu papel. De nos deixar ver, através dos olhos de Melinda, de como a atitude das pessoas pode ser idiota. De como falta discussões sobre esse tema na sociedade em que vivemos, sobre abusos no geral. Pois só quando se é vítima você sente em primeira mão a escassez de dialogar assuntos como esse.


- A arte sem emoção é como um bolo de chocolate sem açúcar. Deixa a gente nauseado. [...] Da próxima vez que for trabalhar com as suas árvores, não pense nelas. Pense em amor ou ódio, ou em alegria, ou em raiva; o que quer que a faça sentir algo, que leve as palmas de suas mãos a suarem ou os dedos de seus pés a se crisparem. Concentre-se nesse sentimento. Quando as pessoas não se expressam, vão morrendo aos poucos. Você ficaria chocada se soubesse quantos adultos estão realmente mortos por dentro, vivendo sem ter ideia de quem são, só esperando que um câncer, um infarto ou um caminhão surja e acabe com eles. É a coisa mais triste que conheço”.


Fale! é um daqueles livros que me deram felicidade em saber que foram escritos, mas também uma tristeza enorme por serem tão pouco divulgados e comentados. Nas últimas páginas do livro, há vários tópicos para discussão em sala de aula (E POR QUE ESSE LIVRO NÃO ESTÁ SENDO DISCUTIDO NAS ESCOLAS?), além de uma entrevista no mínimo incrível da Lauren, onde uma resposta em particular abala meu psicológico até hoje. (E sim, vocês terão de ler o livro para saber do que estou falando, MUARARA).





Uma coma cairia bem. Ou uma amnésia. Qualquer coisa, só para me livrar disso, desses pensamentos, desses sussurros na minha mente”.

Esse Livro Entre Linhas foi além de uma recomendação de um livro incrível (o que é basicamente o papel das resenhas, certo povo?), foi um pedido de socorro de diversas vítimas de abuso contidas apenas no título. Leia esse livro e fale sobre ele, porque o mundo precisa e não sei como encerrar esse post a não ser FALANDO EM CAPS E TE MANDANDO COMPRAR ESSA BUDEGA. THE END.

Árvores? Mas por que diabos a nota está em árvores? *Risadinha do mal aqui* Eu particularmente acho que certos livros não precisam ser classificados, pois a mensagem que passam superam a quantidade de estrelas que lhe possa ser atribuída. Mas achei interessante a simbologia das árvores que o livro nos apresenta e creio que Melinda aprovaria.


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sexta-feira, 23 de janeiro de 2015

Livros Entre Linhas: Os Portões


Nome do Mundo: Os Portões or The Gates.
Universo: Samuel Johnson
Do Mesmo Planeta:
2°: Hell's Bells (UK)
3°: ?
Dimensão: 304 páginas. 
Criador: John Connolly.
Data de Nascimento: 
BRA:  2013 / UK: 2009
Trouxe aos Terráqueos Brasileiros: Bertrand Brasil.
Onde Obter: Saraiva - Submarino - Americanas
Relatório Completo: Skoob
Sinopse: Todo mundo acha que Samuel é um menino muito estranho: os professores não o levam a sério, a mãe o deixa de castigo por viver sempre no mundo da lua e o vigário da cidade foge quando o vê, ele faz perguntas muito difíceis!. Só Boswell, seu cachorro, o entende de verdade. Como se as coisas não pudessem piorar, uns vizinhos de Samuel resolvem mexer com forças ocultas, só por diversão, e acabam abrindo uma passagem transdimensional direto para o Inferno. Agora, dominados por entidades nada simpáticas, eles pretendem abrir os portões do Inferno e soltar os cachorros, ou melhor, demônios. As criaturas mais desagradáveis, repulsivas e más estão para invadir a Terra, e não virão sozinhas. Seu líder, um cara tão mau que é conhecido como Grande Malevolente, também quer participar da festa de destruição do nosso mundo.

HEY, FOLKS! Como andam as maravilhosas férias? Espero que tenham feito jus ao "maravilhosas". Hoje vim recomendar esse livro perfeito para quem quer dar umas risadinhas malignas ou sair do buraco negro da ressaca/tédio que talvez você tenha entrado.

Esse livro nos conta uma aventura que Samuel viveu, um menino de nove anos (ou por ai), cuja personalidade já indica traços de bizarrices (awn, identificação total!). Na escola, Samuel é uma Hermione-perguntadora, a ponto de usar filosofias para defender uma possível falta de criatividade (ou excesso, vamos ver o copo meio cheio) para fazer seu projeto e deixar professores loucos, (quem não gostaria?). 

Mas quando Samuel volta para casa, descobrimos que as coisas não são tão engraçadas. Samuel ainda não consegue lidar muito bem com o divórcio dos pais e com a ausência do pai. Muito menos sua mãe que ainda não aprendeu a dar atenção ao filho e o trata como se fosse uma constante fonte de problemas corriqueiros. Mas Samuel possui um amiguinho para compartilhar a pontada de dor que sente toda vez que olha para o carro do pai ainda estacionado na garagem, seu cachorro, Boswell, e cachorros inteligentes e fofos são sempre bem vindos.


"Os adultos dizem muitas coisas que, na verdade, não querem dizer, em geral, apenas para serem educados, o que não é ruim. Também dizem coisas que são exatamente o oposto do que parecem querer dizer, como:
1. “Para ser totalmente sincero…”, o que significa “Estou contando uma grande mentira”;
2. “Estou ouvindo o que você está dizendo…”, o que significa “Estou ouvindo, mas, na verdade, não estou escutando e, de todo o jeito, não concordo com você”;
e
3. “Não quero ser indelicado…”, o que significa “Quero ser indelicado”.

Existem pessoais que usam esses tipos de frases com mais frequência do que todas as outras e que se tornam muito boas em usá-los para evitar responder  a perguntas ou contar a verdade por completo. Essas pessoas são conhecidas como “políticos”.

Mas eis que um dia, Samuel volta para casa já mentalizando as torturas que passará na mão de sua babá malvada, (nota de rodapé-só-que-sem-rodapé: que me lembrou MUITO a Vicky dos Padrinhos Mágicos!). Porém, no caminho, Samuel espia o porão de seus vizinhos suspeitando de algo e descobre que eles, entediados, decidiram convidar uns amigos para fazer um ritual aleatório. O resultado? Eles apenas abriram uma passagem para o Inferno e alguns demônios já aproveitaram a oportunidade para sair e... arranjar novos corpos, se é que vocês entendem.





Agora, o problema de Samuel, além de ter vários demônios o perseguindo por ser o único a saber do perigo que o planeta corre, é fazer algum adulto acreditar em suas palavras. 

O livro é extremamente fluído e hilário de se ler. O autor deixa o nerdy que existe dentro de si florescer e isso gera várias piadas dentro de explicações físico-químicas sobre determinadas coisas totalmente aleatórias, mas interessantes (sim, e esse é o meu lado nerdy, desculpa sociedade). Você sabia que talvez haja partículas do Elvis vivendo em você? Apenas comento. Além do mais, ele brinca com temas obscuros e claro que nada menos sairia disso do que um espetacular humor negro sobre inferno e demônios. E até o final do livro você irá perceber que se apegou a um demônio muito malvadamente fofo, eu avisei! Apesar de tudo o livro não deixa de ser leve e por isso recomendo para qualquer faixa etária.

Acho que Os Portões pode ser comparado com Monstros S.A já que brinca com essa temática de coisas que tememos na infância (ou durante a vida inteira, afinal, que atire a primeira pedra quem não apaga a luz do banheiro e sai correndo), e transforma em algo gostoso e divertido, aproveitando o máximo da temática para criar elementos e personagens peculiares na construção da trama.

Como eu disse, perfeito para quem está entediado, afinal, acho muito melhor ler do que fazer um ritual para abri os portões do inferno! (Ao menos que seja para Nárnia, nessa caso podemos conversar). 

QUATRO POKEBOLAS, POIS NÃO ACHEI FOTO DE DEMÔNIOS TÃO FOFINHOS QUANTO O NURD. E UMA DICA, NÃO DEIXE PARA LER NO HALLOWEEN!


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quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

Livros Entre Linhas: Por Que Indiana, João?



Nome do Mundo: Por Que Indiana, João?
Único em Seu Universo.
Dimensão: 208 páginas. 
Criador: Danilo Leonardi
Data de Nascimento: 
BRA: 2014.
Trouxe aos Terráqueos Brasileiros: Giz Editorial.
Onde Obter: Saraiva - Livraria Cultura
Relatório Completo: Skoob.
Sinopse: Você pode pensar que, aos quinze anos, João já deveria estar acostumado com provocações, apelidos e humilhações. Afinal, ele é um típico adolescente deslocado e tímido. Alvo perfeito para a ira dos valentões e para o desprezo das garotas. Mas sua vida muda completamente quando reage a um ataque de seu maior algoz. O golpe de sorte que derruba o valentão é gravado e vira hit na internet. João se vê finalmente admirado, respeitado e seguro. Mas tudo tem seu preço e João vai aprender qual o peso que suas escolhas podem ter não só sobre sua vida, mas sobre as vidas de todos ao seu redor.





Hey, pessoas usuárias de internet! Hoje venho falar sobre esse livro do conhecidíssimo Danilo do Cabine Literária que comprei na Bienal ano passado E CONSEGUI AUTÓGRAFO DELE E DA LÚCIA, MUARARA. ~voltando a forma quase humana~ Continue lendo enquanto tento vocês a descobrir Por que Indiana, João? (Mesmo que seu nome não seja João, isso não vem ao caso).


Se minha voz tivesse mesmo força igual à imensa dor que sinto, meu grito provavelmente ia acordar toda cidade”.

O livro trata sobre bullyingo poder da internet nos dias atuais (não soa brega assim no livro, prometo) e relacionamentos em geral. Tudo começa com João, o típico menino franzino que possui a vida dividida da seguinte maneira: de um lado há seus pais divorciados e que não lhe dão muita atenção. Do outro há o Ensino Médio, aonde já está totalmente familiarizado com colegas o atormentando, mas claro que isso não torna as coisas mais fáceis, pois sofrer bullying nunca é fácil, não importa a quanto tempo você passe por isso. E ainda nessa área, encontramos Guilherme, o principal vilão da vida de João (hahaha rimou hahaha), aquele mesmo clichê de menino valentão, bombado, com sua "gangue do perigo" e que namora a menina que João também gosta. E ainda há a sua vida online, onde ele pode ser quem realmente é e jogar vídeo game com amigos. Adicione um cenário que se passa em Minas Gerais e ai está a veia principal do livro.


Por que eu tenho que ser tão diferente? Eu queria ter os mesmos assuntos e as mesmas opiniões que todo mundo, mas eu não consigo”.

Muito bem, a vida seguia da mesma forma que sempre tem sido para João. Apanhar e ser desprezado na escola, além de ter de conviver com zero esperança de melhorar de situação, já que a coordenação da escola não faz nada a respeito. Aguentar a implicância dos pais separados, tanto em relação a ele quanto um ao outro. E ter como único consolo a maravilhosa internet. Bem, um dia a gota d'água pinga e durante mais um ritual de tortura de Guilherme, João o chuta bem naquele lugar em que não bate sol, movido por uma fúria que nunca tinha deixado extravasar dessa forma antes. O que ele não esperava era que um de seus amigos filmasse tudo e postasse no YouTube sem seu consentimento. E já que a sorte nem sempre ou quase nunca está a nosso favor, o vídeo viralizou e o João logo virou uma espécie de semi-celebridade, sendo chamado para entrevistas e etc. Muitas coisas acontecem a partir dai e João agora tem em mãos a chance de alertar o mundo sobre o que o bullying é, além de poder mudar o rumo trágico que é sua própria história. Mas toda ação possui uma consequência (ou várias, estamos na vida real e não em física), e João percebe duas coisas: 1° erradicar o bullying não será tão fácil quanto deveria ser e 2° a partir do momento em que você consegue uma vida, por assim dizer, você tem de lidar com os problemas que ela traz.


Quero me encontrar, mas não sei se consigo nem se posso. Vai ver que é assim mesmo e vai ser assim para sempre”.


Vamos lá. (Com lá quero dizer "continue lendo aqui). A história se inicia nos apresentando o clichê do clichê em relação a livros Young Adult que retratam sobre o bullying. Sem problemas, desde que o desenvolvimento deste convença de que o livro conseguiu ser mais que o esperado, e esse não foi totalmente o caso e explicarei o porquê.
No início, João nos conta certos acontecimentos pelos quais passou que deixa qualquer um que se põe no lugar chocado. Ele te faz sentir o circo de horrores que deve ser viver na pele de uma pessoa que possui tais marcas passadas e tem de espetá-las mais um pouco todo santo dia. E eu tive grande interesse em acompanhar o desenvolvimento do personagem, mas infelizmente, foi nesse ponto que o autor se embaralhou um pouco, o da construção de camadas dos personagens.


Ainda não sou adulto, mas sinto que preciso testar o mundo, testar os meus limites, me arriscar. Sim, hoje é um bom dia”.

Sim, o livro é curto, mas não é desculpa para os personagens terem sido todos planos. 
Há aqueles, como o valentão Guilherme, que despertaram meu interesse em querer saber mais sobre como suas mentes funcionavam, mas foi uma vontade frustada. Meus maior exemplo disso é em relação aos pais de João. Esse conflito familiar poderia ter sido bem mais explorado, porém, mal temos um final satisfatório. Tive a sensação que esse "problema" citar brevemente que João passava por problemas familiares. Mas concluindo  só foi criado para lista de desgraças na vida de João serem maiores. 


Eu sei como é quando tudo o que as pessoas conseguem ver são os seus defeitos, e eu não quero ser uma dessas pessoas”.

O autor dá uma pincelada em outros assuntos que seriam interessantíssimos vê-los abordados mais profundamente. Por exemplo, a influência que a mídia exerce hoje em dia em nossas vidas. Quando publicamos algo, muitas vezes não fazemos ideia sobre quem pode ter acesso àquilo e que estará permanentemente navegando por ai. E o autor poderia ter pesado mais sobre isso no livro, o que ajudaria muito no quesito "inovação que salva o livro do início clichê". 




Quando estou pensando nela, afasto todos os pensamentos ruins, com certeza de que depois eles voltam. Mesmo depois de tudo que aconteceu, continuo com um forte sentimentos de inferioridade, porque eu sinto que todos querem que eu seja algo diferente de mim mesmo”.

AGORA, vamos aquilo que salvou a nota do livro. A forma que a escola tratava os casos de bullying da escola, nula, assim como as cenas de descrições de agressão, é uma verdade bem incômoda e exatamente por isso não devemos apenas engolir. A escrita é, no minimo, a escudo da salvação. O Danilo escreve de forma fluída, usando um vocabulário extremamente urbano e isso faz seus olhos passaram pela história de forma rápida. E enquanto eu lia, eu SÓ conseguia imaginar a voz do Danilo narrando tudo e para mim, ele era o João e ponto final. 
Comparo essa leitura como um pulo na piscina em um dia quente: você salta, se refresca (que é o principal) e logo sai para fazer algo melhor. Rápido, simples e cumprirá a função se for isto que você está procurando. Um livro para sair da ressaca e não exige grandes esforços, talvez um estômago não tão mole. Apenas saiba aonde você está embarcando para não se decepcionar.


Acho que quando é para duas pessoas de darem bem, elas simplesmente se dão bem, sem nenhum esforço sobrenatural”.

AH SIM, AFINAL, POR QUE INDIANA, JOÃO? No momento em que o motivo do título é revelado, eu fiquei com o sentimento de "Hm, é isso?". Sim, faz sentido e é engraçadinho, mas again, não crie expectativas, porque não é nenhum acontecimento de parar o coração. 


Acho que uma parte de mim gostaria de voltar a ser do tipo que se esconde atrás de uma pilastra, mas não dá para ajudar alguém isolado no meu canto. Por isso, sei que é uma coisa boa, a certeza de que nunca vou me esquecer do Victor. Agora ele faz parte de mim e de cada pessoa que conhece a sua história. Quando fecho os olhos, quase posso ouvi-lo dizendo que algumas passagens são só de ida.”.

Três interrogações, porque minha primeira ideia de nota entregaria o segredo do título e prometi que permaneceria boazinha pelo menos esse começo de ano. (cof). Como mencionado, a escrita salvou essa nota, mas quero que vocês leiam sim e tirem suas próprias conclusões. 




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