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sábado, 3 de janeiro de 2015

Livros Entre Linhas: Os Mistérios de Warthia


Nome do Mundo: Os Mistérios de Warthia.
Universo: A Profecia de Mídria.
Do Mesmo Planeta:
2°: CADÊ?
Dimensão: 392 páginas. 
Criadora: Denise Flaibam.
Data de Nascimento: 
BRA: 2013.
Trouxe aos Terráqueos Brasileiros: Novo Século.
Onde Obter: Submarino - Livraria Cultura -Americana
Relatório Completo: Skoob
Sinopse: Serafine Delay era uma garota comum... À sua maneira. Sua vida na sossegada Vila do Sol muda bruscamente numa noite, quando sua décima oitava primavera era festejada. Um ataque acaba forçando-a a fugir desesperadamente de monstros sanguinários e imbatíveis. Por algum motivo para lá de insano, tais criaturas queriam sequestrá-la! E enquanto mergulha de cabeça no universo mágico de Warthia e começa a entender a ligação de suas marcas com a história daquele mundo, Serafine descobre-se numa surpreendente situação: seu destino está traçado. Uma antiga profecia clama por seu espírito, e uma difícil jornada deve começar. Na companhia de um belo e rude espadachim, uma simpática garota de orelhas pontudas e um felpudo guerreiro belicoso, Serafine deve ingressar numa viagem de perigos desconhecidos, que se inicia no Norte daquele vasto continente, treinando para derrotar àquela que vem das Trevas para tudo devastar. Os Mistérios de Warthia devem ser desvendados, e Serafine é a única capaz de fazê-lo.

Muito bem, caros mochileiros que não acompanharam as minhas não-presenças ao longo de 2014, (nem eu não me acompanhei, risos risos). Já peço perdão caso a resenha fique confusa, pois digamos que passar semanas, vulgo meses, sem escrever acarreta prejuízos na hora em que a vergonha na cara retorna e a vontade de escrever aparece. (Ela sempre esteve presente, está bem?)


Vamos falar, (mentira, eu vou falar), sobre esse livrinho que vocês provavelmente já viram qual é logo acima. Os Mistérios de Warthia é um livro de fantasia nacional que, só para curiosidade dos meus fantasmas leitores, comprei na Bienal de São Paulo esse ano, hehe. (Mas não consegui autógrafo, enfim, para mais dramas vá ao meu twitter).



Enquanto cavalgava, sentindo o vento bagunçar seus longos cabelos, Serafine sorriu. Para ela, a sensação de liberdade era a maior dádiva.

Vou explicar a história, primeiramente, pois como eu disse, esqueci como se faz esse negócio de resenhar, digamos que não é como andar de bicicleta ou empunhar uma espada... não que eu saiba fazer ambos). Certo, Serafine é nossa protagonista criada num vilarejo pequeno, (e com pessoas, aparentemente, com a mente de mesmo tamanho), chamado Vila do Sol. Ela está para fazer seus 18 anos e até agora sua vida resumi-se em ser pacata e sempre ter de esconder as estranhas marcas espelhadas pelo contos com as quais nasceu, com medo de que as pessoas a achem anormal. Medo sempre relembrado pelos seus pais adotivos, pois foi deixada na porta dos dois quando era recém-nascida. Seraphine cresceu sem nunca passar necessidades extremas, é bonita, bem amada pela família e amigos, até que um dia, (nesta resenha, vocês irão conhecer 2 fatos sobre a desgraça e a primeira é que ela é iminente e a segunda é que, iminentemente, é igual ao primeiro), durante a sua festa surpresa, ocorre um ataque feito por uma espécie de alcatéia de lobisomens, matando pessoas que Serafine ama e deixando um caos o lugar que considera seu lar. O pior sobre tudo? Serafine não pôde nem ao menos fazer algo a respeito, afinal, ela é só uma humana medíocre.


Durante a festa, um dos lobisomens estava misteriosamente procurando por Serafine, dizendo que havia planos reservados para a garota. Por sorte, dois convidados estranhos acabam por defendê-la e, surpreendentemente, partem em uma viagem com a personagem. Serafine descobre do pior modo que é a escolhia de uma profecia que existe há séculos. E se por um acaso a sensação de Déjà vu começou a aparecer depois desse início, não se espante. Ela me acompanhou durante o livro inteiro, MAS VAMOS TENTAR CUMPRIR O DESAFIO IMPOSSÍVEL DE SER IMPARCIAL ATÉ A HORA CERTA.


Essa viagem é o coração do livro. É onde Serafine conhece Jarek e Ývela, dois de seus futuros guardiões, descobre o significado de seus marcas e também percebe o quão grande e variado é o reino em que vive. O destino dessa jornada é chegar a uma espécie de "cidade sagrada" onde se encontram as pessoas que a orientaram a entender e cumprir a profecia proferida a tanto tempo. Mas claro muita coisa pode acontecer nesse meio tempo e, por que não, depois disso.



- Não era um ser sombrio de coração. A forma como nascemos ou onde nascemos não influencia nosso futuro. Somos capazes de escolher nossos caminhos. Como você bem disse, não há só luz ou escuridão em uma criatura.

Well, well, vamos lá. O livro começou com um clima delicioso de série de aventura medieval. Parecia que a cada capítulo era um novo episódio. A escrita permanece fluída durante todo livro, e esse é seu maior ponto positivo. PORÉM, (sempre há porém's nessa vida, acostumem-se), conforme a história foi se desenvolvendo, você começa a prever os próximos acontecimentos muito facilmente, lê-se clichê. É a típica jornada do herói que nasceu predestinado a cumprir uma profecia X feita há muitos séculos, cujo mundo o tem aguardado pela mesma quantidade de tempo. Vocês já não viram isso antes? Outro ponto que me incomodou consideravelmente foi A Feiticeira, o antagonista da história. Afinal, se há uma profecia e um herói, tem que ter alguém para combater, certo? Certo. 


Compreendo que será uma série de quatro volumes e por isso perdoou as pouquíssimas explicações sobre sua pessoa. Mas até agora, pelo que nos é apresentado, ela é aquele ser que há muito tempo atrás foi derrotado e agora quer se reerguer para tentar dominar o mundo e o encher de trevas. Tudo bem, "wow, que malvada", mas eu queria algo mais dimensional. Queria um vilão com motivos para fazer o mal que pretende fazer. Não apenas uma figura que nasceu genuinamente má. Mas enfim, isso é uma opinião particularmente minha, O problema é que senti essa falta de camadas na construção da maioria dos personagens. E, pela narrativa ser em terceira pessoa, não houve como ignorar e colocar a culpa na protagonista por "ainda estar conhecendo os personagens". SIM, REPITO, tudo bem que é o primeiro da série e ainda há muita história pela frente, mas EXATAMENTE por ser o primeiro, a autora deveria nos cativar com os personagens (com tudo na verdade, mas okay), para acender a vontade de ir até o fim.

Outro ponto que quero comentar é a falta de uma dinâmica mais enérgica durante as cenas que precisam desse detalhe. Tenhamos em mente que o livro é um Jovem Adulto, gênero fantástico de clima medieval. Essa é uma combinação que sugere o que? "ACOMPANHE ALTAS AVENTURAS COM ESSA TURMINHA DA PESADA". Bem, ao menos é assim que soa na minha mente, e ponto. A autora se preocupa em nos fornecer uma certa riqueza de descrições de cenários, dos trajes dos personagens, expressões faciais e, fora a Serafine, qual o possível pensamento deles no momento, (o que deixa a dúvida do porquê escrita em terceira pessoa se não se aproveita de todas vantagens desse tipo de narrativa). Mas quando chega a hora dos diálogos e principalmente das cenas de ação, isso acaba sendo um pouco direto demais. A batalha das últimas páginas, por exemplo, foi uma decepção para mim. Não comentarei por motivos de spoilers, mas fiquem com o sentimento.



Serafine fechou os olhos, tetando desligar sua mente de todas as coisas confusas que vinham acontecendo desde o Ritual. Tentou focar sua atenção em outra coisa, como a água morna que parecia aconchegante ou como os sons vindos da cachoira que pareciam tranquilizantes. Da mesma forma que antes, podia sentir o poder vibrando em cada parte do seu corpo, ansiando por ser usado.

Sabem aquela mania desses livros que envolvem profecias e destino, os orientadores dos protagonistas nunca quererem contar NADA para eles, "porque ele entenderá quando a hora chegar"? Sim, irritante, mas super presente.

E como não falta na maioria dos livros, há o romance entre a protagonista e o homem-que-a-salva umas "poucas" vezes. Nada contra, mas houve momentos que revirei os olhos pela maneira típica com que tudo foi tratado. Aquela troca de olhares tímida, mas que faz a Serafina gastar um parágrafo comentando sobre como aquilo a fez corar, como ela nunca havia sentido isso antes... Não, por favor.

A diagramação é bem simples e eu adorei essa capa, os tons de verde e a cor amarelo alaranjado da ave conversam muito bem entre si. E os começos de capítulos são uma graça. Há alguns errinhos de revisão, mas nada grave.


Pois bem, mochileiros. Os Mistérios de Warthia é o primeiro livro da Denise (se não me engano) e acho que no geral ela fez sim um bom trabalho. Eu enxerguei muito potencial em sua escrita, que como já disse, possui uma fluidez muito boa e não há aqueles momentos em que o autor parece perdido ou em conflito quanto ao que focar. Não, ela se saiu muito bem nesse aspecto. Vou continuar com a série, pois quero conhecer mais da história de Ývela, uma das guardiãs e até agora minha personagem preferida, e do coelho guerreiro Guillian e claro, ver a evolução tanto da escrita quanto da história. Além do mais, a experiência de ler um livro nacional/não-traduzido, ou seja, as exatas palavras do autor é muito agradável e sou do time que luta para que os nossos escritores tenham seu lugar ampliado no mercado nacional, afinal, SOMOS BRASILEIROS, LUTE PELAS COISAS QUE VALEM A PENA NO PAÍS! (tantas outras coisas que poderia a falar a respeito, mas polpar-lhe-ei-os).



De nota, três coelhinhos bem fofinhos e nem um pouco letais, vulgo Guillian, só que não. 



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sexta-feira, 25 de julho de 2014

Livros Entre Linhas: Anarquistas, Graças a Deus


Nome do Mundo: Anarquistas, Graças a Deus.
Único em Seu Universo.
Dimensão: 271 páginas. 
Criadora: Zélia Gattai.
Data de Nascimento: 
BRA: 1979.
Trouxe aos Terráqueos Brasileiros: Record.
Onde Obter: Saraiva - Submarino - Livraria Cultura 
Relatório Completo: Skoob
Sinopse: Um dia Zélia Gattai resolveu escrever uma história de sua infância, e escreveu a história de sua infância. Lembranças de uma infância e uma adolescência ricas de acontecimentos, narrando o cotidiano das famílias dos imigrantes daquela época, em São Paulo. A vida que decorre, os pequenos incidentes, os grandes eventos, as dificuldades, a luta, os ideais, os sonhos, a indomável coragem de uma gente sofrida... Para o seu antigo fã-clube foi, a um tempo, a alegria da descoberta de como aquele universo podia se transformar em obra literária e a perda da exclusividade. Mas valeu a pena. Valeu também para a multidão de seus leitores, que a acompanha. Admiradores apaixonados incondicionais: é o que o mistério de Zélia é a capacidade de, num gesto ou numa frase, colocar a sua alma e, assim chegar direto aos corações.




Foi um doce privilégio poder ler um livro como esse. Sei que muitos possuem preconceitos quanto a livros mais antigos, principalmente devido ao medo do tipo de vocabulário  que encontrarão. Apenas digo que quem tem medo de desafios, e só joga no modo easy, não sabem que as conquistas só são saborosas quando merecidas. Mas enfim, se caso este seja seu caso, o livro apresenta uma narrativa bem leve e despretensiosa. A sua única intenção é despertar nostalgias, obtida com êxito.

- Farabitti, tutti quanti! – reforçou mamãe. – Todos esses capitalistas, exploradores dos pobres, sanguessugas do povo. Ninguém reclama, ninguém protesta e eles fazendo dos humildes gato e sapato. Aumentam os preços de tudo quando querem, sem o mínimo respeito, sem a mínima consideração. Uma atrevidos soltos nas suas ganâncias. Uns atrevidões!

Jorge Amado teve sorte de se casar com alguém espirituoso como Zélia! Este livro tem um clima de pequenas crônicas, pois cada capítulo relata um acontecimento diferente da infância da autora. Zélia Gattai nasceu em 1916, e narra suas travessuras até os 14-16 anos, quando deixariam de ser memórias de criança. Brasileira com raízes italianas herdadas da mãe, conhecemos como suas famílias, materna e paterna, foram para o Brasil. Todos movidos com um espírito Anarquista de imigração. E caso você esteja achando que "anarquismo" é sinônimo de "bagunça", I just say "You know nothing, Jon Snow!".

Se eu tivesse ido ao seu velório, poderia ter descoberto tudo. Teria olhado tanto para o semblante de Zina, teria segurado suas mãos, teria beijado seu rosto. Todas essas desesperadoras reflexões ficaram escondidas em meu pequeno coração, extravasaram certamente em sonhos”.

É muito gostoso mergulhar nas memórias da autora. Do jeito que ela descrever as cenas, as irmãs mais velhas e os pais sob o olhar de uma criança. Como morava em São Paulo, há várias descrições sobre os bairros e a vizinhança antigamente. Ambos banhados num certo ar de interior e união de cidade pequena. Dentro da sua casa, você se sente uma integrante da família depois de "vivenciar" como era a rotina de cada um, como era o convívio com cada pessoa, as brigas e os momentos de lazer, etc. Claro que o enredo é tecido pelo ponto de vista de Zélia, que era a caçula da família e nos primeiros anos de vida, tudo soa com um certo gigantismo em relação ao mundo! 

Os ladrões de antigamente era inteligentes e conscienciosos, deixavam os pobres em paz. Dormíamos tranquilos”.

O leitor também conhece os costumes da época. Sobre como o principal futuro que aguardava as mulheres era ser dona de casa e analfabeta, pois poucas tinham a oportunidade de ir para escola. Afinal, os pais não se importavam com isso na época. (Não que eu ame ir à escola, mas é triste ver o descaso dos alunos de hoje em dia por um direito que foi suado de conseguir e enfrentou inúmeros paradigmas enraizados na sociedade da época).

Por timidez ou preconceito, talvez devido às duas coisas, mamãe vivia eternamente escravizada à opinião alheia: ‘O que não vão pensar?’ era a frase que mais repetia.

Foi um prazer ter tido essa experiência e acompanhar todos os tipos de situações que a autora narra e viveu. Acho que isso foi o tornou tudo mais enfatizante: foi real! As tragédias, os personagens e os devaneios. Tudo aconteceu e jaz em algum recôndito do tempo.
Houve brigas e desentendimentos. Houve momentos de crise econômica, na qual a família de Zélia nunca deixou de ser solidária com o próximo, (que claro, na hora da necessidade chove!). Houve momentos de diversão, daqueles que você sente um tipo de felicidade possível apenas quando se passa um tempo fazendo bobagens com quem você ama e discute ao mesmo tempo.

Muito cedo eu aprendera na própria carne que nem tudo na vida é riso e que muitas coisas más existem no mundo a nos fazer sofrer, todas elas detestáveis: ciúmes, remorsos, saudades, injustiças, humilhação, ódio, raiva...

Um dos meus personagens favoritos foi o pai de Zélia. Ele fazia uma competição de música erudita com as filhas! E para mim, a parte mais hilária foi uma confusão que durou anos devido ao disco favorito da mãe quebrado por "alguém"! Era empolgante torcer pelos personagens, pois eu nunca parava de lembrar que aquelas foram lutas reais. Todos os problemas, mortes, conquistas e nascimentos pesaram mais para mim em relação aos livros de ficção. Por isso torcer pelo bem estar geral da nação era uma necessidade! Mas acho que me apeguei a todos os personagens e foi diferente ter o meu julgamento sobre eles, baseado no que Zélia contava, junto com o dela própria, como se ambos disputassem em uma espécie de balança mental.

Muito cedo eu aprendera na própria carne que nem tudo na vida é riso e que muitas coisas más existem no mundo a nos fazer sofrer, todas elas detestáveis: ciúmes, remorsos, saudades, injustiças, humilhação, ódio, raiva...”“Mamãe assistia a todo esse movimento, meio tímida e bastante humilhada: ela nunca fora dona-de-casa, coitada! Sonhadora, sensível, nascera para tarefas intelectuais.

O livro é curtinho. A escrita é fluída e aconchegante. Às vezes é um pouco lenta, afinal nem sempre os livros precisam se resumir a overdoses de adrenalina. É o tipo de livro que sugere cobertor, uma xícara de chá (ou algum líquido da sua preferência), e uma tarde para mergulhar. Eu indico para qualquer tipo de público. Crianças e adolescentes irão gostar de ver "como tudo funcionava antigamente", e se deparar com a existência discos de vinil, vitrolas, carros antigos entre outras peculiaridades. E adultos e idosos com certeza rememorarão algumas das próprias lembranças.

Romântica, mamãe não entrava na água sem declamar José de Alencar, braços estendidos para o oceano: ‘Oh! Verdes mares bravios, da minha terra natal’...

 Como nota, quatro fofos discos de vinil! Quem ler, entenderá a escolha :P
PS: estes por enquanto estão inteiros!



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segunda-feira, 26 de maio de 2014

Livros Entre Linhas: Contos de Meigan


Nome do Mundo: Contos de Meigan
Universo: A Fúria dos Cartágos
2°: AINDA NÃO TEM #LÁGRIMAS.
Dimensão: 618 páginas.
Criadoras: Roberta Spindler e Oriana Comesanha.
Data de Nascimento: 
BRA: 2011.
Trouxe aos Terráqueos Brasileiros: Dracaena 
Onde Obter: PDF COMPRAR.
Relatório Completo: Skoob
Sinopse: Meigan é um mundo diferente do nosso, morada de seres especiais e poderosos que se denominam magis. Na aparência são exatamente como nós, mas as diferenças não podem ser ignoradas por muito tempo. Os magis tem uma relação especial com a natureza e seus elementos, moldando-os a sua vontade e apoderando-se de sua força. Esses elementos, chamados mantares, não se limitam apenas aos conhecidos fogo, terra, ar e água. Existem muitos outros, como as sombras, o tempo e até mesmo o controle sobre o próprio corpo. Ter a capacidade de decifrar, entender e interagir com a natureza é um dos principais requisitos para a evolução de um magi. Para tanto, deve-se, primeiramente, entender que tudo faz parte da mesma manifestação natural e que toda matéria e energia estão inseridas em um processo dinâmico e universal. Contos de Meigan – A Fúria dos Cártagos começa com Maya Muskaf preparando-se para voltar para casa. Depois de três anos vivendo na Terra, o momento de retornar a Meigan finalmente havia chegado. Estava preocupada, pois algo afetava seu controle sobre os mantares, talvez algum resquício da misteriosa doença que a debilitou durante a infância. Com medo de estar novamente doente e para conseguir respostas, decidiu deixar de lado as diferenças com sua mãe, a principal governante do mundo magi. Voltaria a Katur, capital de Meigan, e pediria perdão por todas as brigas passadas. Assim, abandonou sua vida terrena e entrou na primeira caravana que encontrou. Entretanto, seus planos acabaram tomando um rumo muito diferente daquele que imaginara. No caminho de volta, os soldados que a escoltavam acabaram encontrando destroços e um corpo no chão. Logo que avistou o homem morto, com os cabelos tão brancos quanto sua pele e os olhos inteiramente negros, Maya soube que se tratava de um dos cártagos – antigos magis que traíram seu povo e por isso foram banidos para uma dimensão paralela. As implicações para tal presença em território magi eram gravíssimas e não demorou muito para que a garota e seus companheiros descobrissem que os magis traidores estavam tomando o Solo Sagrado e derrubado seus portões de defesa. Agora, em meio ao caos de uma violenta batalha, Maya vai precisar lutar para sobreviver e conseguir responder as perguntas que tanto lhe afligem. Como os cártagos conseguiram acesso ao Solo Sagrado? Onde estavam os guardiões dos portões, os mais poderosos guerreiros de Meigan? E, a mais importante de todas, conseguiria chegar a Katur a tempo de encontrar sua mãe?

Inicio a resenha dizendo que depois de ler Os Contos de Meigan, sua fé na literatura nacional será restaurada!

Depois de muito tempo apenas pegando esse livro na estante para tirar o pó, decidi dar uma chance, quando na verdade, foi o livro que me deu a oportunidade de ler uma aventura que guardarei com direito à Fangirlices.

(Tenho que parar com essa mania de enrolar todo início de resenha ~.~) POIS BEM, o livro começa com um ótimo prólogo que nos situa em seu universo e nos antecedentes da história. Eu agradeço muito aos autores que se dispõe a fazer explicações do tipo, pois não me agrada quando o livro começa já lançando bombas de enredo, sem pausas para entender e absorver nada. 

Right, sobre a mitologia da história: há muito tempo, desde a criação do mundo de Meigan, vivam clãs com poderes específicos de cada elemento/mantar, chamados Manacus. Eles eram extremamente poderosos na habilidade em que nasciam. Muitas guerras entre as tribos aconteceram, e com o passar do tempo novas raças foram surgindo, principalmente mestiços devido a união de membros de clãs diversos. Assim, deu-se origem a espécie dos Magis, seres com habilidades em mais de um mantar, mas não com a mesma maestria dos Manacus. And hold the calm que em algum momento esses nomes soaram naturais, believe me

Mais gerações se passaram e a barreira que separava os mundos se expandiu. Os humanos, mais conhecidos como Haims surgem causando muita guerra e destruição, exercendo seu dom mato. Foi um choque de armas bélicas com o poder dos mantares. As famílias que se uniram aos Haims ficaram conhecidas como Cártagos, algo que significa traidores. Por sorte,  Magis e Manacus decidiram unirem-se a fim de derrotar um inimigo comum. A solução foi criar uma barreira que expulsasse os humanos do mundo de Meigan. Assim, surgiram os Sete Portões localizados no Solo Sagrado.


Você sabe que o livro é bom quando faz parte dele.
Com o tempo, cada portal ganhou um Guardião para protegê-lo. Sendo criaturas altamente misteriosas, a Lei Sagrada determinou proibida, sob pena rigorosa, qualquer contato com eles. Por serem mascarados, muitos boatos diziam que suas faces ficaram deformadas devido aos poderes que receberam. Por isso era estritamente proibido olhar para um Guardião desmascarado. Enfim, os Cártagos se tornaram um povo sem terra, banidos do convívio com outros Magis. Mas o silêncio não combina com um guerreiro, principalmente aqueles com fome de vingança...

Eu achei tanto história e mitologia bem tecida e diversificada. Claro, em alguns detalhes vem àquela sensação de "já vi isso em algum lugar", principalmente se você já leu muita fantasia, mas nada que em sua maioria não seja criativo e em suma, inovador.

Somos apresentados logo de início a Maya Muskaf, uma Magi oriunda do mundo de Meigan (e vamos ler contos sobre ele, haha, parei), que por três anos viveu entre humanos no nosso mundinho chamado Terra. Seu objetivo aqui era simplesmente fugir de todas as responsabilidades que tinha em sua terra natal, principalmente por ser a filha da Shyrat, uma espécie de governanta, admirada por todos pelo seu alto cargo e competência. Mas como toda filha rebelde, Maya nunca almejou o cargo da mãe, pois teria de abdicar sua vida para resolver os problemas do povo.

Agora assim como Maya (cof, de volta para minha terra), vamos embarcar para Meigan! Ambientado em uma época bem medieval, lá as coisas quase funcionam como foi na Idade Média, excluindo o fato de que as escolas dos Magis os ensinam a controlar o quatro elementos. Fogo, ar, terra e água são os básicos, além de toda uma complexa relação envolvendo mente, espírito e comunicação com a natureza que só sábios dominam. Ultimamente, as aulas têm se tornado cada vez mais intensas, devido a invasão dos Cartágos, agora com tanta fome de poder quanto suas espadas de sangue. Para incrementar o problema,  ninguém sabe como conseguiram violar as Leis Sagradas e atravessar os Portões. E é neste contexto lindo que Maya volta ao lar.

Depois de muita trama a desenrolar, claro que Maya foi cobrada pelo Conselho de assumir seu posto de Shyrat. A protagonista ganha o prazo de 56 dias para mudar de ideia sobre sua relutância em assumir o cargo. A partir de então o livro me prendeu de tal forma que mesmo depois de 600 páginas, eu precisava de MUITO mais.

Maya, ainda em sua fase de impertinencia, resolve fugir da capital Katur, mas depara-se com o Guardião do Sétimo Portão, que mata o Cártago que a estava perseguindo. Desconfiado de que Maya esteja aprontando, o Guardião se dispõe a levar aquela irresponsável futura Shyrat de volta ao seu lugar. Mas depois de momentos não tão favoráveis, Maya acaba encontrando a casa do sábio Keyth, que me conquistou com suas piadas ruins e bom humor, mesmo com aquele ar piegas de Yoda.

Muita água rola a partir desse encontro. Os personagens vão se tornando mais próximos e a trama, mesmo se complexando, fica mais compreensível. Se é que fez sentido essa frase.

Mas até rosas têm espinhos! E o primeiro detalhe do livro que me incomodou foi a rapidez de alguns momentos, por exemplo, a morte de alguém muito querido para o personagem. Enquanto eu lia lágrimas e lamentações intensas, não consegui me sentir abalada pelo fato de não termos tido muito contato com o defunto, apenas menções passadas.  E falando em falta de aprofundamento, a meu ver, os pontos fracos da trama giram em torno disso. 

SIM, o prólogo no início foi de grande ajuda, mas foi só isso que temos de explicações passadas. Mesmo o livro já sendo um tijolo respeitável, eu realmente senti falta de mais conteúdo nesse sentido. Mas como será uma trilogia e só resta torcer para que isso seja sanado nos próximos livros.

A dos maioria dos personagens teve uma personalidade bem desenhada, e por mínimo que seja, cumpre alguma função no livro. Mas claro que há aqueles que se destacam <3 e este para mim foi o Sétimo Guardião, cujo nome vou privá-los de saber, kisses. Sua personalidade analítica, cega obediência naquilo que foi brutalmente forçado a acreditar e inocência quanto aos primeiros sinais de uma rebelião interna, lê-se rebeldia, reconhecendo que ser Guardião é muito mais que uma máscara e... Right, I'll stop. Apenas digo que não tem como não querer abraçar.

Sobre Maya, a protagonista, ela não me irritou nem me fez cair de amores. Houve momentos em que eu concordei e desaprovei suas atitudes, algo bem verossímil no mundo real. Maya possui uma cabeça dura, mesclada com uma personalidade decidida (pois não, não são a mesma coisa, OOOH) de quem vai atrás do que quer, seja estúpido ou certo. Foi ótimo ver o quanto ela evolui e começou a pensar em Meigan como sua verdadeira casa. 

MAS AH, O FINAL. Espero que as autoras expliquem melhor o que elas quiseram dizer com as últimas palavras, POIS EU NÃO VOU SUPERAR AQUILO TÃO CEDO.

Respirem, estou quase acabando. Mas sério, respire. A princípio, achei que se tratava de um livro com uma narrativa parada e forçada, personagens previsíveis e comecei a me lamentar por ter escolhido um livro tão grande, principalmente agora que meu tempo anda reduzido. Oh oh, sweet mistake. O livro provou seu valor, mostrando-se ser uma ótima leitura para fãs do gênero. A escrita das autoras realmente é o ponto alto. Fácil, suave, não muito descritiva e bem energética. Não há muitos momentos parados. Sempre terá um Cártago para matar, uma luta de treinamento para enfrentar e uma traição/mistério/calúnia para descobrir e contornar. Bolo recheado para quem anda de ressaca literária e não consegue prosseguir com nenhuma leitura, pois eu estava nessa situação.

Mas não concordo com comentários que dizem considerar Contos de Meigan num Guerra dos Tronos brasileiro. Há sim conteúdo e aventuras mais variados em relação a alguns livros nacionais que li. Acho que a frase soaria melhor se dissesse que o livro possui um potencial à la Guerra dos Tronos e mal vejo a hora para ver a comprovação disso.


Pandas. Vão. Dominar. O. Mundo.
Sobre a diagramação: páginas cremes, letras de um tamanho ideal E O QUE É ESSA CAPA??? Convence qualquer pessoa de comprar só pra ter na estante! E ela ganha um significado ainda mais especial no decorrer no livro. E SIM, EU VEJO UM PANDA NA MÁSCARA E NINGUÉM PODE NEGAR!

Não sei se consegui me expressar por completo, pois são muitos detalhes que quis mencionar. Espero que tenham gostado, e obrigada de coração você que chegou até aqui. S2 pra tu <3. (perceberam que o "s" nunca será proporcional ao dois? "S2" or "s2". Enfim, FOCO). BOAS NOTÍCIAS PARA QUEM JÁ QUER CONTINUAÇÃO: 



Eu fui na maior cara de pau irritar a Roberta, uma das autoras, sobre a chance de uma possível continuação. Sim, eu não presto. É ela foi super atenciosa e simpática, me respondendo e indicando a fanpage do livro: https://www.facebook.com/contosdemeigan. Viu quantas vantagens há de estar inteirado na literatura nacional <3


Primeiramente, o Banguela porque sim. Juro que quase dei nota 5, mas aquele final ainda me mata sempre que penso sobre, e tem uma cena que eu queria TANTO que acontecesse, mas minhas esperanças ainda não foram frustadas. E também porque necessito de mais explicações sobre o passado. Enfim, já escrevi demais aqui.



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