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quarta-feira, 1 de julho de 2015

Especial Livros Entre Linhas: Trilogia Mundo em Caos #DoisEmUm


Nome do Mundo: O Motivo or The Knife of Never Letting Go.
Universo: Mundo Em Caos
Do Mesmo Planeta:
2°: A Missão
3°: A Guerra
Dimensão: 447 páginas. 
Criador: Patrick Ness
Data de Nascimento: 
BRA:  2011 / US: 2008.
Trouxe aos Terráqueos Brasileiros: Pandorga.
Onde Obter: Saraiva - Livraria Cultura - Orelha de Livro
Relatório Completo: Skoob or Goodreads.
Sinopse: Todd Hewitt é um garoto de doze anos, o último menino de Prentisstown, uma cidade de homens. Ele vive em um mundo cheio de "ruído" em que os pensamentos privados de todo homem e animal são audíveis. Em um mês ele estará com treze anos e será um homem. Mas a cidade está mantendo segredos para ele, segredos que vão forçá-lo a fugir do prefeito e dos homens de Prentisstown junto com seu cachorro e a primeira garota que ele já conheceu. A cada página, o leitor ficará cada vez mais ligado a Todd e Viola, com sua história de amizade, e sentirá afeição genuína por Manchee, cão e ajudante de Todd, cujo comportamento é hilário e comovente. Na sua essência, é uma história sobre um garoto forçado a crescer rapidamente em um mundo de ruínas em loucura e armado apenas com sua convicção de fazer a coisa certa para ajudá-lo a sobreviver. Todd vive em um mundo onde um germe matou todas as mulheres, um germe que deixou os homens loucos, o germe que significou o fim dos spackles quando a loucura dos homens colocou as mãos numa arma.

Antes de tudo, acho válido dizer que eu recomendo que você saiba o mínimo possível sobre o enredo antes de ler este livro, pois são de pequenas revelações que ele é feito, o que impacta bastante na experiência de leitura. Mas saber o básico não irá assassinar a graça do livro. Todos avisados, certo? Certo. Bem, eu gostaria de fazer uma resenha tripla, mas só Atena sabe quando lerei o último livro e senti a necessidade de falar sobre esses, já que são tão pouco divulgados aqui no Brasil E SIMPLESMENTE É UMA DAS MELHORES TRILOGIAS QUE JÁ LI, NÃO SEI POR QUE TANTA MELAÇÃO EM CIMA DE A SELEÇÃO, QUANDO HÁ PATRICK NESS CHAMANDO. Pronto, falei.


“Os homens mente, e o pior de tudo é que mentem para si mesmos. Por exemplo, eu nunca vi uma mulher nem um spackle em carne e osso, obviamente. [...] e eu os vejo o tempo todo no Ruído dos homens, afinal, sobre que outra coisa os homens pensariam além de sexo e inimigos?”

Tudo começa com Tobb Hewitt e sua contagem regressiva para seu aniversário de 13 anos, a idade em que os meninos passam a ser homens. Mas a emoção maior está no fato de Tobb ser o último garoto da cidade. Talvez do Planeta. Mas vamos explicar isso melhor. A história que Tobb conhece é a seguinte: há muito tempo, quando os humanos chegaram nesse novo Planeta, havia uma praga que matou todas as mulheres e "infectou" a mente dos homens. Agora, todos os pensamentos de qualquer ser masculino são audíveis para qualquer um. Agora, os homens que restaram moram em Prentisstown, onde o único passatempo é aguardar a morte uns dos outros, enquanto lêem as próprias mentes. Party hard, hein.

“Como eu já disse, os homens mentem o tempo todo, para eles mesmos, para outros homens, pro mundo inteiro, mas quem pode ter certeza se quando isso se junta com todas as outras mentiras e verdades que estão flutuando por aí fora da sua cabeça? Todo mundo sabe que você tá mentindo, mas todo mundo tá mentindo também, então quem se importa?”

Porém, um mês antes de completar mais um ano de vida e enquanto cuidava das ovelhas junto ao seu cachorro Manchee, Tobb escuta um vazio; uma lacuna em meio ao turbilhão de pensamentos gritantes. Tobb então se depara com uma garota. E toda verdade que antes acreditava ser absoluta, evapora-se. Tobb, (caso queira saber o nome da menina, selecione o espaço em branco. Por que estou fazendo isso? "Ela gostasse tanto de mistérios que acabou por se tornar um". Citando John Green no meio de uma resenha, quanta ilógica), Viola e Manchee são forçados a fugir. Seus futuros são totalmente incertos, se é que haverá algum, já que suas vidas estão em perigo a cada instante. Em meio à mentiras, guerras e saudades da minha terra, o que mantêm Tobb seguindo em direção ao desconhecido, é a esperança de que não importa qual seja seu destino final, mas que lá esteja a resposta. (E de certa forma, está, mas de uma maneira um tanto peculiar).


“Viola está perto de mim e, enquanto eu tomo goles desesperados, lá está o silêncio dela de novo. É uma mão de duas vias, essa história. Da mesma forma que ela consegue ouvir meu Ruído, aqui sozinhos, longe da tagarelice de outras pessoas ou do Ruído de um colônia, lá está o silêncio dela, tão alto quanto um rugido, me puxando como se fosse a maior tristeza do mundo, como se eu quisesse ser absorvido por ele e simplesmente desaparecer para sempre no nada”.

Esse é o livro perfeito caso você esteja procurando ser surpreendido de N formas a cada término de capítulo. Me aprofundarei na escrita do autor quando falar da belezinha da continuação ali em baixo, mas adio para vocês que "envolvente" é a palavra chave para descrevê-la. Nós acompanhamos a jornada do trio e vemos o quanto eles cresceram, aprenderam sobre o mundo e si mesmos e, principalmente, a zelar por uns aos outros. MAS CONTINUE CONOSCO QUE AINDA TEM MAIS ~dancinha feliz~ .

“A sede de poder é uma coisa que você deveria aprender a controlar antes de ficar mais velho, pois é o que diferencia homens de garotos, mas não da forma que a maioria dos homens pensa”.


Nome do Mundo: A Missão or The Ask And The Answer.
Universo: Mundo em Caos.
Do Mesmo Planeta:
1°: O Motivo 
3°: A Guerra
Dimensão: 492 páginas. 
Criador: Patrick Ness
Data de Nascimento: 
BRA:  2012 / US: 2009
Trouxe aos Terráqueos Brasileiros: Pandorga.
Relatório Completo: Skoob or Goodreads
Sinopse: Nós estávamos na Praça, na praça onde eu iria correr, segurando ela, carregando ela, dizendo-lhe para permanecer viva, permanecer viva até que nós estivéssemos seguros, até que chegássemos ao paraíso, assim, poderiam salvá-la - mas não havia nenhuma segurança, nenhuma segurança em nada, havia apenas ele e seus homens... Fugindo anteriormente de um exército implacável, Todd deixou Viola ser desesperadamente ferida direto nas mãos de seu pior inimigo, o prefeito Prentiss. Imediatamente separado de Viola e preso, Todd é forçado a aprender os caminhos da nova ordem do prefeito. Mas que segredos se escondem fora da cidade? E onde está Viola? Ela ainda está viva? E qual é a misteriosa resposta? E então, um dia, as bombas começam a explodir...

Esse livro me roubou madrugadas de sono. Eu deixava de assistir Game of Thrones só para lê-lo, e se você conhece a série, sabe que você deixa de COMER facilmente só para ver mais um episódio. Entrou para os favoritos da vida, e há muito tempo que um livro distópico e Young Adult não fazia isso comigo. Atrevo dizer que apenas Catching Fire foi capaz de tal proeza antes desse. Bem, leitores, EXCLUINDO AS CONSIDERAÇÕES SOBRE A ESCRITA DO AUTOR QUE EU MUITO GENTILMENTE IREI SINALIZAR PARA VOCÊ QUANDO COMEÇAR, essa parte da resenha CONTÉM spoilers, pois eu não quero tentar NÃO falar sobre esse livro. It's the opposite, babe!

“- Então você nunca esteve na praia vendo as ondas quebrarem e a água se estender na sua frente além da sua vista, se movendo tão azul e viva e tão grande que parece até maior do que a escuridão além dela, porque o oceano oculta seu conteúdo”.


*SPOILERS ON*
O livro começa no exato momento em que o anterior termina: com Viola baleada e Tobb sendo levado para longe dela. Os dois passam boa parte da trama longe um do outro, o que permitiu ao autor revezar a narração entre os pontos de vista de cada personagem, proporcionando-nos uma visão mais ampla sobre tudo que está acontecendo. 


“A escuridão começa a tomar conta de mim, começa a cair sobre mim como um cobertor, como água se elevando acima da minha cabeça”.

O prefeito Prentiss agora é presidente, e seu primeiro decreto foi proibir a livre circulação das mulheres. Em sua mente doentia, criaturas femininas são um "perigo à paz", pois tudo aquilo que não pode ser ouvido, não pode ser decifrado e nem controlado (Ui, divergentes). 


“A cada minuto eu espero que minha vida desmorone.
Mas a cada minuto ela continua de pé”.

O livro é recheado de páginas assim,
representando a confusão de pensa-
mentos dos homens.
Viola agora tem de aprender a ser enfermeira, enquanto mentalmente trama planos de como encontrar Tobb e fazer contato com sua nave-mãe. Porém, o prefeito (sei que falei que ele agora é presidente, mas chamá-lo de prefeito o irritava e essa é minha especialidade), possui planos mais tenebrosos para Tobb. Além de obrigá-lo a trabalhar junto com seu detestável filho "cuidando" dos spackles (que são as criaturas endêmicas do Planeta), Prentiss quer transformá-lo em seu herdeiro, ou seja, torná-lo igual a ele.


“Há apenas silêncio quando isso acontece. Não é alto ou forçado ou violento. Ela simplesmente fica quieta, um tipo de quietude que você sabe que é interminável assim que escuta, uma quietude que abafa tudo ao seu redor, desligando o volume do mundo”.

Os jogos políticos e psicológicos neste livro são SENSACIONAIS. Ambos demonstram o poder que uma pessoa manipuladora, de mente astuta e boa lábia possui, principalmente por ter consciência que os pequenos detalhes, como paciência e jogo de palavras e cintura, são os tijolos para a construção de qualquer plano. E quem tem plena consciência disso são os dois personagens símbolo de cada lado da guerra: Sra. Coyle, a enfermeira chefe e, claro, o odioso Prentiss. Por mais que o prefeito seja o vilão declaro, o autor constrói a guerra e os lados jogadores de uma maneira que não há como resumir em apenas"herói ou vilão". Ao final do livro, você já não sabe para quem torcer exatamente, o que gera algo muito interessante a ser refletido: ninguém age seguindo um motivo único, genuíno e unilateral. Todos possuem camadas de interesses por trás de suas palavras e ações, e talvez, façam das pessoas os "peões" para a realização de tais.


“Nós somos as escolhas que fazemos. E as que temos que fazer. Não somos nada além disso”.
*SPOILERS OFF*

OLHA, O SR. NESS POSSUI UMA VEIA DE GEORGE RR MARTIN SIM, SÓ QUE SABE DISFARÇAR MUITO BEM. Mas enfim, vamos lá!

A história geral da trilogia foi muito bem pensada e elaborada. É fácil perceber que há uma “cadeira principal” de enredo, que vai se ramificando aos poucos, (excesso de aulas de química orgânica resulta nisso), mas sempre prosseguindo. Uma habilidade louvável de Ness é a de nos apresentar, a partir de um relacionamento iniciado do zero e de forma cada vez mais envolvente, não só a personalidade e o passado das personagens, mas também nos explicar um pouco da dinâmica daquele universo novo e bizarro.


“- O problema, Tobb – ele diz –, é que as pessoas não querem realmente liberdade, não importa o quanto elas falam sobre isso”.

O autor sabe como utilizar diálogos, ou falta deles, para nos fazer sentir a atmosfera de cada situação retratada. Ou seja, é fácil se pegar com falta de ar em uma cena de perseguição ou tortura, e ficar feliz quando alguma coisa dá certo (ou, ao menos, não dá errado) com os protagonistas. Por mais efêmero e insignificante que o “momento feliz” soasse depois, na hora em que foi lido, parecia o maior alívio do mundo. E, A MELHOR PARTE PARA QUEM JÁ ESTÁ ENJOADO DE MELOSIDADES DESNECESSÁRIAS: Não há o típico "casalsinho romântico" nesse livro \O/


“Mas isso é o que te torna poderoso, Todd Hewitt. Neste mundo de entorpecimento e sobrecarga de informações, a habilidade de sentir, meu garoto, é de fato um dom raro”.

Conter-me-ei, pois senão spoilers jorraram! That's all folks!

Como O Motivo levou nota quatro e A Missão, cinco, a média portanto será quatro spackles e meio! NÃO SÃO ADORÁVEIS?
Vocês de exatas digam-me se estou certa.


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domingo, 25 de janeiro de 2015

Livros Entre Linhas: Gênesis



Nome do Mundo: Gênesis
Único em Seu Universo.
Dimensão: 176 páginas. 
Criador: Bernard Beckett
Data de Nascimento: 
BRA & New Zealand: 2009
Trouxe aos Terráqueos Brasileiros: Intrínseca
Onde Obter: Saraiva - Livraria Cultura -  PDF
Relatório Completo: Skoob. 
Sinopse: Na ocasião em que a Terra foi arrasada pela Peste, os sobreviventes reuniram-se em uma nova sociedade. Separados do mundo exterior por uma cerca em pleno oceano, vivem em absoluto isolamento – aviões que se aproximam são abatidos; refugiados, executados. Até que um soldado escolhe romper com as regras e, em vez de disparar, resgata das águas uma menina. Seu nome é Adam Forde. Ele muda para sempre o curso da História. Anaximandra, uma jovem de 14 anos, estudou a fundo esses dados históricos. Numa sala com pouca luz ela está sentada diante de três Examinadores para uma exaustiva prova de quatro horas. Adam Forde, seu herói, morto há bastante tempo, é o tema do exame. Se aprovada, ela será admitida na Academia – a instituição de elite que governa aquela sociedade utópica. Anax, porém, está prestes a descobrir que nem tudo consta dos registros acadêmicos. Há fatos, imagens, arquivos a que nem todos têm acesso. Antes que a avaliação termine, virão à tona o obscuro segredo da Academia e a realidade assustadora daquele admirável mundo novo.

O impacto que as palavras desse livro proporcionaram foi tão intenso e deliberadamente inesperado que ainda sinto um certo choque. E creio que não passará tão cedo. Nem espero que o faça.

Gênesis possui essa típica premissa distópica, induzindo-nos a pensar que se trata de mais um livro YA contemporânea. Mas aviso que o autor sai dessa zona, trilhando um caminho tão audacioso quanto é assustador. 


“Num ambiente como aquele, não era difícil para a República manter intacta sua estrutura. As pessoas obedeciam às ordens porque sabiam que estavam todas trabalhando em conjunto, focadas em uma ameaça comum, um mesmo inimigo. Mas o tempo passa. O medo se transforma em lembrança. O terror se torna parte da rotina; perde a força”.

A primeira cena é a jovem Anaximandra (nunca decorarei esse nome, desculpa Bernard), seguindo em direção à sala onde passará pelo maior teste de sua vida, acompanhada apenas por insegurança e pensamentos. Anax tem se preparado para esse momento há anos. Seu objetivo é ser aprovada para fazer parte da Academia, a elite de sua sociedade, considerado um sonho intangível. Na sala, há três examinadores que aplicarão um teste oral e as próximas três horas simplesmente definirão todo o resto de sua vida. Pressão, quem precisa?


“Era um sentimento muito novo, muito estranho e muito frágil. Se o soltasse à toa no mundo, ele poderia dispersar-se”.

O interessante do livro é que todos os próximos planos narrativos se discorrerão à partir desse momento, sempre retornando à entrevista que Anax está enfrentando. As perguntas dos examinadores variam desde a criação da sociedade em que vivem, passando por importantes detalhes históricos que afetaram o mundo que existe agora. O curioso é que definições de ética e valores são muito bem ressaltados para cada "época", fazendo-nos entender o porquê da atitude do “governo” em cada momento da história abordado.


Anax nos conta sobre uma espécie de Peste que atacou ao mundo há muito tempo e como foi construída uma sociedade em um conjunto de ilhas, no meio do oceano. E para mantê-la erguida, toda e qualquer forma de aproximação externa era destruída com o intuito de manter a Peste afastada. 
Ou seja, embarcações ou aviões que tentavam se aproximar eram abatidos sem a chance de dar explicações. Isso se manteve por anos e para que o sistema não falhasse, duas pessoas eram mantidas em cada posto de vigilância. Caso teu colega hesitasse em atirar no alvo desconhecido, você teria de matá-lo em nome da prosperidade da República. Também descobrimos que os bebês sofriam uma espécie de catálogo e desde de pequenos já eram preparados para a função que exerceriam o restante da vida.

“Você pode roubar minha vida, não minha mente”.

Porém, Anaximandra sempre teve um fascínio por um ponto específico da história. Adam Forde, o homem que mudou tudo. Adam é considerado por muitos "a grande falha" do sistema. Ele sempre teve uma personalidade mais forte, o que o pôs em vários problemas durante a vida, como, por exemplo, ter de ser um dos guardas a atirar em qualquer coisa oriunda do mundo além da cerca. Anax era impressionada com sua história por um simples fato: Adam, uma vez, salvou uma garota vinda de dentro de um barco ao invés de matá-la.


“É o eterno problema que ocorre na criação de nossos heróis. Para fazer com que pareçam puros, temos de torná-los burros. O mundo é feito de compromissos e de incertezas, e um ambiente assim é complexo demais para dar a heróis”.

Lidando com toda a tensão dos olhares gelados de seus examinadores, Anax nos conta os detalhes antecedentes da história do mundo e de Adam e a que fim tudo isso levou. Uma coisa que chamou muito minha atenção no livro é a forma que o autor incrivelmente aproxima de nós tudo que é está sendo narrado, como se estivéssemos lendo um livro sobre Adam e não sobre Anax. E a maior particularidade desse livro é que: não temos certeza do que foi a verdade e do que é apenas o melhor palpite de Anax. Você nunca saberá se sua visão tanto de Adam quanto do restante dos personagens e descrições envolvidas é certa, pois nem Anax sabe. Eu achei esse detalhe fascinante e inquietante!

Não posso contar muita coisa a partir daqui. Apenas digo que Adam teve que enfrentar certas consequências pelas violações das leis. A partir de então, o autor aproveita para nos apresentar diálogos que vão desafiar seus conceitos. Você se pega envolvido em debates bioéticos que realmente valem a pena parar um pouco e pensar sobre, independente de qual teoria ou fé que você acredita. Nas últimas páginas você sente como se o autor tivesse te guiado sorrateiramente para um precipício e te empurrado. Como se a explosão de neurônios não tivesse sido suficiente. 

“E por que não acreditar que todas as outras pessoas que você já conheceu usam exatamente o mesmo truque? Por que não acreditar que você é o único ser humano verdadeiramente consciente que já existiu?”


A escrita do autor é calma e o ritmo do livro é lento, dando o devido espaço para que você absorva aos poucos as informações que vai lendo. Por isso, não leia se você quer ação, mas sim um desafio que exija um pouco de você e que surpreenda no final. Eu achei a escolha de capa muito proposital, pois ela te faz ignorar uma simples pergunta e quando você finalmente lembra-se dela, é tarde demais. Páginas suavemente amareladas e diagramação simples.

Um livro que recomendo ler alguma vez na vida, quando você querer ser testado. Darei quatro estrelas, pois o começo não foi tão envolvente. Mas o interesse cresce como uma bola de neve (a procrastinação também) e no final, você não consegue largar, tanto de inquietação quanto de choque.



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quinta-feira, 24 de julho de 2014

Livros Entre Linhas: Convergente


Nome do Mundo: Convergente
Universo: Divergente
Do Mesmo Planeta:
0.5°: The Tranfer e Free Four.
1°: Divergente.
2°: Insurgente.
Dimensão: 526 páginas. 
Criadora: Veronica Roth
Data de Nascimento: 
BRA:  2014 / US: 2013
Trouxe aos Terráqueos Brasileiros: Rocco
Onde Obter: Saraiva - Submarino - Livraria Cultura - PDF
Relatório Completo: Skoob. 
Sinopse: A sociedade baseada em facções, na qual Tris Prior acreditara um dia, desmoronou – destruída pela violência e por disputas de poder, marcada pela perda e pela traição. No poderoso desfecho da trilogia Divergente, de Veronica Roth, a jovem será posta diante de novos desafios e mais uma vez obrigada a fazer escolhas que exigem coragem, fidelidade, sacrifício e amor. 






PRIMEIRAMENTE, NEM VOU ME ESFORÇAR PARA ESCONDER SPOILERS DOS LIVROS ANTERIORES, POIS SERIA COMO FRITAR OVO SEM O OVO. 
E TODO QUOTE QUE APRESENTAR UM "*", SIGNIFICA QUE POSSUI SPOILERS!

Olá, Initiates! Dispensando apresentações sobre o livro, (se você não sabe que livro é esse, por favor, me diga de que mundo você veio, pois quero ir para lá!), vamos conversar um pouco sobre o encerramento dessa trilogia tão falada por ai! (Mentira, agora vou apresentar o novo produto da Tekpix).


“Eu gosto mesmo de bater nas pessoas. Gosto da explosão de poder e energia e da sensação de que sou invencível porque consigo machucá-las. Mas odeio essa parte de mim, porque é a parte que está mais despedaçada.” Tobias.

Depois daquela bomba como última frase de Insurgente, (raivas eternas direcionadas a Roth por isso), Convergente inicia contando como vai a catástrofe poucas horas depois. E a novidade é que a história agora é narrada pelo Tobias e Tris, (por enquanto manterei minha opinião sobre em silêncio... sim,  exigirá muito autocontrole que não tenho). Certo, vamos revisar como está a querida Chicago: Jeanine morta, sistema de facções destruído e claro, os antigos Sem-Facção no controle. E a nova líder da cidade é ninguém menos que Evelyn, (imagino sua cara de interrogação, pensando "QUEM?". E sim, fui no Google para conferir, cof), a mãe dada como morta desde que Tobias era criança, mas que permaneceu todos esses anos com os Sem-Facção.


“Será que medos desaparecem de fato ou apenas perdem o seu poder sobre nós.” Tris.

Julgamentos têm sido feitos para executar os traidores que apoiavam as ideias que Jeanine, e curiosamente, Tris junto com Christina e outras ex-iniciadas, (não me façam lembrar o nome delas, please), estão presas. Tobias quer muito ajudar, mas precisa fingir que o namoro terminou para permanecer aliado à mãe. Mas há uma coisa que se sobrepõe a qualquer problema oriundo do extermínio das facções: A mensagem recebida fora dela, além da cerca. Um pedido de ajuda direcionado aos Divergentes. "Venham".


“Há algo profundamente errado em roubar as memórias de uma pessoa. Embora eu saiba que era necessário manter a cidade segura pelo tempo que fosse preciso, pensar sobre o assunto me causa um desconforto no fundo do estômago. Se você rouba as memórias de uma pessoa, você muda quem ela é.” Tobias.

Depois de testemunharem o quanto o "novo sistema" dominado pelo exército dos Sem-Facções através de armas é falho, Tris, Tobias, Tori, Christina, Uriah e até mesmo Caleb decidem esquematizar um plano para conseguir passar pelas cercas. Eles apenas não se preocupam com o que aconteceria depois disso, afinal, como se preparar para um mergulho no desconhecido?

“É estranho como o tempo tem a capacidade de fazer um lugar encolher e acabar com a sua estranheza.” Tris.


Mesmo querendo, não posso falar mais que isso, (sim, ativando mais autocontrole inexistente aqui). Apenas adianto que as novas informações recebidas a partir de então são um bocado nem um pouco esperado. Convergente apresenta sim um clima e ritmo diferente dos livros anteriores. Simplesmente porque temos de engolir que todo contexto o qual estávamos familiarizados não passa de uma farsa. Na verdade, há um nome melhor para defini-lo, MAAAS VOU PARAR POR AQUI, hehe.


*alert spoiler* “O tremor desce pelos meus braços, até as minhas mãos, e logo todo o meu corpo estremece, como se tentasse rejeitar algum veneno que eu tivesse engolido. E esse veneno é o conhecimento, o conhecimento deste lugar, de seus monitores e de todas as mentiras sobre as quais construí a minha vida.” Tris.

Certo, só mais um detalhes que PRECISO comentar. Eles encontram sim certas coisas fora da cerca. Até aqui só disse o óbvio. E foi interessante acompanhar as descobertas do grupo sobre essas coisas. Você se sente um estrangeiro tanto quanto eles. Ambos vão se familiarizando aos poucos, aprendendo coisas que nem imaginavam existir. Igualmente o leitor.


“Logo depois que a minha mãe morreu, agarrei-me à minha Divergência como se ela fosse uma mão estendida para mim. Eu precisava daquela palavra para definir quem eu era quando tudo ao meu redor estava desmoronando. Mas agora não sei mais se preciso dela e se em algum momento de fato precisamos destas palavras, 'Audácia', 'Erudição', 'Divergente', 'Leal' ou se podemos simplesmente ser amigos, amantes, irmãos, definidos apenas pelas escolhas que fazemos e o amor e a lealdade que nos unem.” Tris.

Finalmente a parte que eu queria comentar: o desenvolvimento. Acho que todos sabem dos comentários extremamente negativos que Convergente tem recebido. Sinceramente, penso que é devido a pessoas que não aguentaram ler que o  “mundinho ideal das facções” não passa de uma ilusão. Como eu não morri de amores pelos livros anteriores, eu gostei parcialmente do que a autora tramou para o encerramento da trilogia. Não sei quanto ao restante das pessoas, mas eu SEMPRE me perguntava "Ah legal, o Chicago pós-mundo apocalíptico é assim, E O RESTANTE DO MUNDO?". 

Mesmo com explicações um tanto supérfluas sobre as histórias que desenrolaram depois da "grande guerra" (or whatever o nome do conflito que marcou a divisão entre passado e pós-apocalíptico, que todo livro YA distópico possui), e como as pessoas sobrevivem hoje, pelo menos já foi alguma coisa. Mas ainda fiquei com 95% da mesma pergunta pairando em minha mente. "E QUANTO AO RESTO DO MUNDO, AFINAL, PELO QUE EU SAIBA EXISTEM MAIS CONTINENTES ALÉM DA AMERICA, E MAIS PAÍSES NESSA ALÉM DOS E.U.A". Sorry me, Roth, mas isso foi uma falha imperdoável.


“Solto uma risada, e é a risada, e não a luz, que expulsa a escuridão que estava se acumulando dentro de mim, que me lembra de que ainda estou viva, mesmo que seja neste lugar estranho, onde tudo em que eu acreditava está desmoronando. Mas ainda sei de algumas coisas. Sei que não estou sozinha, que tenho amigos e que estou apaixonada. Sei de onde vim. Sei que não quero morrer, e, para mim, isso já é alguma coisa. É mais do que eu tinha há semanas.”  Tris. (Pense numa vontade de esganar uma criatura. Pensou? PIOR).

Sobre os personagens, eu não percebi alterações profundas neles. Talvez tenham mudado um pouco desde o primeiro livro, mas o seus desenvolvimentos e crescimentos nunca foi o foco.  Há personagens novos e a maioria aparece apenas para cumprir funções ou dar novas informações. Enfim, o fato de Tris e Tobias igualmente narrarem deixa certo spoiler bem óbvio... (eu não disse nada  hein!). Mas preciso mencionar que os dois possuem uma personalidade muito parecida, e mesmo com o nome de quem narraria o próximo capítulo, eu me perdi várias vezes, sentindo-me desconectada dos acontecimentos até conseguir me situar. Yeah, bem irritante. Ao mesmo tempo, já que Tris perdeu um pouco do espaço, suas lamentações e pensamentos inúteis diminuiriam consideravelmente, o que foi uma bênção para acalmar o meu ódio por ela. Mas sendo legal, eu admito que percebi uma certa mudança no seu jeito de ver o mundo, deixando de lado aqueles pensamentos idiotas de suicídio e FINALMENTE dando valor as coisas que sempre estavam ao seu lado. Já tinha passado da hora de isso acontecer, mas enfim.

*alert spoiler* “Minha mãe era daqui. Este lugar representa tanto a minha história antiga quanto a minha história recente. Consigo sentir a minha mãe dentro de mim, de onde nunca partirá. A morte não conseguiu apagá-la, ela é permanente.” Tris.

Ah sim, os relacionamentos tornam-se bem mais estreitos nesse livro. Tanto os de amizades quanto, Tobias-Tris, (e restou algum casal que a Tris não arruinou matando um dos integrantes? Cof).


“- É, a vida às vezes é mesmo um saco – diz ela – Mas sabe o que estou esperando? – 
Ergo as sobrancelhas. Ela também ergue as dela, imitando-me.
- Os momentos que não são um saco – diz ela – O truque é perceber quando eles aparecem.” Tobias.


O livro teve seus constantes autos e baixos-sub-solo. Foi interessante conhecer mais da descendência dos personagens assim como um tour pelos seus passados. Parece que Roth usa adrenalina como tinta para escrever. E não, não foi totalmente um elogio. É nítida sua intenção de fazer as cenas de ação e descrições soarem dinâmicas e precisas, incluindo as partes dedicadas aos devaneios dos principais. Mas nem sempre isso funcionou, deixando um ar piegas e falso de "estou tentando ser profunda aqui". Além do mais, diversas mortes ocorridas ao longo do livro, ao meu ver, foram desnecessárias. Como se a autora quisesse apenas acrescentar mais drama a história ou não soubesse que papel dar ao personagem quando o enredo fica mais denso.


*alert spoiler* “Meus pais realmente se amavam. O bastante para abandonar planos e facções. O bastante para desafiar a ideia de “facção antes do sangue”. Facção antes do sangue, não. Amor antes da facção, sempre.” Tris.

Okay, para encerrar: o final seguiu a linha do típico "Não é um felizes para sempre, mas pelo menos tentamos a parte do feliz". Não direi que foi satisfatório, pois há ponto que ela deveria trabalhar melhor, e outras que passaram a sensação de que estão lá apenas para o livro ter o mesmo tamanho que os anteriores. Porém, contudo, entretanto, sinto sim satisfação de ter terminar a trilogia e encerrar essa história de vez. (Sinta todo meu amor </3).


“Não estou bem. Eu tinha começado a sentir que havia encontrado um lugar para ficar, um lugar que não era tão instável, corrupto ou controlador, ao qual poderia enfim pertencer. Eu já deveria ter aprendido que tal lugar não existe.” Tris.

Três pokebolas, primeiro porque não faz mais sentido usar símbolos de facção, e segundo porque toda a trilogia foi três estrelas para mim. Vale a pena ler pela narrativa fluída e pela sensação de ler mais de 500 páginas em um ou dois dias.




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segunda-feira, 23 de junho de 2014

Livros Entre Linhas: Legend


Nome do Mundo: Legend.
Universo: Legend.
Do Mesmo Planeta:
2°: Prodigy
3°: Champion
Dimensão: 256 páginas.
Criadora: Marie Lu.
Data de Nascimento: 
BRA:  2012 / US: 2011
Trouxe aos Terráqueos Brasileiros: Prumo.
Onde Obter: Saraiva - Submarino - Livraria Cultura - PDF
Relatório Completo: Skoob. 
Sinopse/Puro spoiler: A Verdade Se Tornará Lenda - Ambientado na cidade de Los Angeles em 2130 D.C., na atual República da América, conta a história de um rapaz – o criminoso mais procurado do país – e de uma jovem – a pupila mais promissora da República –, cujos caminhos se cruzam quando o irmão desta é assassinado e a ela cabe a tarefa de capturar o responsável pelo crime. No entanto, a verdade que os dois desvendarão se tornará uma lenda. O que outrora foi o oeste dos Estados Unidos é agora o lar da República, uma nação eternamente em guerra com seus vizinhos. Nascida em uma família de elite em um dos mais ricos setores da República, June é uma garota prodígio de 15 anos que está sendo preparada para o sucesso nos mais altos círculos militares da República. Nascido nas favelas, Day, de 15 anos, é o criminoso mais procurado do país; porém, suas motivações parecem não ser tão mal-intencionadas assim. De mundos diferentes, June e Day não têm motivos para se cruzarem – até o dia em que o irmão de June, Metias, é assassinado e Day se torna o principal suspeito. Preso num grande jogo de gato e rato, Day luta pela sobrevivência da sua família, enquanto June procura vingar a morte de Metias. Mas, em uma chocante reviravolta, os dois descobrem a verdade sobre o que realmente os uniu e sobre até onde seu país irá para manter seus segredos.

Salve, mochileiros! Para não fazer aquele clássico inicio-de-resenha-com-explicações-do-meu-sumiço, apenas digo que as férias estão ai e vocês já sabem qual é o sinônimo disso, dormir. ISSO MESMO, mais resenhas!

Pois bem, venho apresentar esse livro de rápida leitura, mas que consegue te fazer mergulhar nas páginas, que li recentemente para sair de uma ressaca literária das piores.

“É por isso que me odeiam, porque não sou o criminoso mais perigoso do país, e sim o mais procurado. Eu faço que eles pareçam ineficientes, pois não conseguem me capturar.”

Caso vocês tenham pulado a sinopse, o que espero fortemente que tenham feito, pois meus olhos quase sangraram quando eu terminei de ler os spoilers. Enfim, eu iria explicar a história de qualquer jeito. Sabe, supostamente isso é uma resenha, e não um charuto. </mad>

“Se me apanharem aqui e alguém descobrir o que estou fazendo, provavelmente me matarão. Sem fazer perguntas. Isso acelera meu coração.”

Com aquele ar de distopia, que ultimamente tem servido apenas como uma parte do plano de fundo, Legend é narrado por dois pontos de vista. De um lado há Day, um garoto que com apenas 15 anos se tornou o criminoso mais procurado de toda República. Oriundo de uma das partes mais pobres do país, (lê-se favela),  Day é altamente inteligente e fisicamente habilidoso. Já conseguiu escapar de perseguições com militares treinados. Mas todos possuem sua fraqueza, e a de Day é sua família. Sendo extremamente pobres, eles não possuem dinheiro para pagar vacinas contra as constantes pragas que atingem a população. As inspeções dos soldados são constantes, e a casa que tiver ao menos um membro da família infectado, é marcada com um X vermelho. (About Day: ele possui um nome normal sim, mas Day é sua "identidade secreta", e convenhamos que quando você descobre qual seu nome verdadeiro, fica na dúvida sobre o quão inteligente ele é para escolher um apelido tão óbvio, enfim).


“Digo a mim mesma: A lógica acima de tudo. A lógica sempre salva, quando nada mais salva.”


Vivendo na parte mais bem abastada, recendo a melhor educação possível, vacinas novas todo ano e sendo considerada a garota prodígio, June, de também 15 anos, tinha como objetivo se aprimorar cada vez mais para um dia combater as Colônias (Just calm down, i'll explain everything!). Em muito tempo, June foi a primeira a tirar a nota máxima na Prova que toda criança com 10 anos deve realizar. Por conta disso, durante sua narrativa, é nítida a forma extremamente analítica que ela vê o mundo. Cada detalhe pode fazer parte da cena de um crime. 
Tudo ocorria no máximo de normal que a vida de alguém em treinamento para ser um militar pode ser, (eita frase clichê, mas continuando), até que seu irmão é encontrado morto. Claro que isso foi jogar um fósforo ardente no tonel de vingança (minhas metáforas arrasam, XO), contra o acusado, que não é ninguém menos que Day, alguém que June guardava certa admiração pelos seus feitios retratados em jornais, sem nunca ser pego pelos militares. Mas agora é ela quem deseja fazer o serviço.

“Palavras parecem se prender na minha língua, e se recusam a sair.”

Premissa interessante, não é? (Aqui é a parte que vocês concordam com a cabeça, now). Mas preciso de uma pausa para explicações de cenário e enredo. Sim, uma pausa na resenha para fazer mais resenha! (Incrível como eu faço uma resenha de 500 páginas para um livro de 250, mas enfim).

“O sol já enevoou minha visão, o mundo parece banhado por uma neblina brilhante.”

A velha história de sempre: Grande guerra no passado. Uma das partes ganhou e para se manter no poder fez um regime autoritário para que a outra não se esqueça quem estar no comando. A parte perdedora agora é pobre e sempre ameaçada por militares, doenças e fome. Só que em Legend, a parte autoritária se chama República, e dentro dela há essas separações de classes sociais. Também existem as Colônias, uma espécie de "país/povoado" que ainda guarda um pouco da tecnologia remanescente dos "tempos antigos", e por isso vive em guerra com a República. E se eu tivesse explicando isso através de lousa e giz, ela estaria cheia de linhas em zigue-zague. (Existe uma página do Wikipédia para isso e não pra mim \; ). 

Okay, uma das exigências dessa nova sociedade, era que todas as crianças, pobres ou ricas, realizassem A Prova quando completassem 10 anos. Independente da sua classe ou origem, quem atingisse uma boa pontuação, poderia subir de vida junto com a família. E, seguindo a linha inversamente proporcional, quem falhasse deixaria a família numa situação miserável e teria de trabalhar nos "Campos de trabalho". Mas há muita coisa por trás disso... (e espero ser mais explorada nos próximos livros).

“Estamos fazendo a coisa certa ao seguir as ordens que nos dão? Será verdade que a República é que está certa?”

Enfim, claro que o caminho de June e Day se cruzariam em algum momento, e caso alguém ainda não tenha percebido, "the love" não deixa de trilhar junto com eles. Mas por sorte, esse relacionamento é deixado totalmente em segundo plano. A leitura desse livro vale pela ação da narrativa. June, que sempre acreditou na preocupação e veracidade das propostas da República, descobre aos poucos que tudo não passa de mentira para encobrir a podridão que há por trás das máscaras. Ela vê suas prioridades e devoção de valores mudarem em 180°. E Day também tem novos problemas para encarar. Não ser morto em menos de dois dias é um deles. ~~sintam uma profunda omissão de spoilers, obrigada~~.

“É estranho estar aqui com você. Eu mal o conheço... mas às vezes parece que somos a mesma pessoa, nascida em dois mundos diferentes.”


Não vou mentir, o livro tem um ar piegas que dói na alma. Se você tem uma boa bagagem com distopias, conseguirá prever boa parte do enredo e das revelações. Eu, por exemplo, já tenho minhas ideias para o desfecho da trilogia!


Agora vamos ao ponto mais fraco de todo o livro: a escrita. Yeah, é verdade que a autora é bem direta e sem enrolações. O próprio tamanho do livro deixa isso claro. Mas, durante a leitura, eu enxerguei tanto potencial na história para ser "mais", que não teve como não sentir uma vontade de chamar a autora para conversar e dizer "Então, bora aprofundar isso, que tá difícil achar livros com história e desenvolvimento bons?". Sabe aqueles resumos dos grandes clássicos que todos tivemos de ler em algum momento no colégio? Exatamente isso que descreve o livro. Parece que a autora adaptou a própria história de uma versão bem mais complexa. Creio que já chamei o livro de clichê, mas ressalto que quando eu comecei a ler, eu sabia o que eu encontraria. Quero dizer, sabia que não devia esperar a obra revelação do ano, e sim apenas uma história para sair da ressaca por conter uma escrita simples e rápida. Estamos entendidos?


“—Nunca lhe perguntei sobre esse seu nome de guerra. Por que Day?—
—Porque cada dia significa novas 24 horas. Cada dia quer dizer que tudo é possível de novo. Você pode aproveitar cada instante, pode morrer num instante e tudo se resume a um dia após o outro. –Ele olha para a porta aberta do vagão da ferrovia, onde faixas escuras de água cobrem o mundo. –E ai você tenta caminhar sob a luz.—”



Antes de encerrar essa resenha, a qual já me delonguei demais, preciso dizer que caso você leia em inglês, leia o original. Até EU, uma mera estudante de cursinho, consegui sentir em diversos momentos que não era bem aquela palavra que deveria ter sido empregada, entre outras coisas.



Como eu não consegui achar um objeto que inspirasse a história para por como nota, 3 rosas da capa de Champion, o terceiro volume (será coincidência?), para vocês! 




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