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quarta-feira, 1 de julho de 2015

Especial Livros Entre Linhas: Trilogia Mundo em Caos #DoisEmUm


Nome do Mundo: O Motivo or The Knife of Never Letting Go.
Universo: Mundo Em Caos
Do Mesmo Planeta:
2°: A Missão
3°: A Guerra
Dimensão: 447 páginas. 
Criador: Patrick Ness
Data de Nascimento: 
BRA:  2011 / US: 2008.
Trouxe aos Terráqueos Brasileiros: Pandorga.
Onde Obter: Saraiva - Livraria Cultura - Orelha de Livro
Relatório Completo: Skoob or Goodreads.
Sinopse: Todd Hewitt é um garoto de doze anos, o último menino de Prentisstown, uma cidade de homens. Ele vive em um mundo cheio de "ruído" em que os pensamentos privados de todo homem e animal são audíveis. Em um mês ele estará com treze anos e será um homem. Mas a cidade está mantendo segredos para ele, segredos que vão forçá-lo a fugir do prefeito e dos homens de Prentisstown junto com seu cachorro e a primeira garota que ele já conheceu. A cada página, o leitor ficará cada vez mais ligado a Todd e Viola, com sua história de amizade, e sentirá afeição genuína por Manchee, cão e ajudante de Todd, cujo comportamento é hilário e comovente. Na sua essência, é uma história sobre um garoto forçado a crescer rapidamente em um mundo de ruínas em loucura e armado apenas com sua convicção de fazer a coisa certa para ajudá-lo a sobreviver. Todd vive em um mundo onde um germe matou todas as mulheres, um germe que deixou os homens loucos, o germe que significou o fim dos spackles quando a loucura dos homens colocou as mãos numa arma.

Antes de tudo, acho válido dizer que eu recomendo que você saiba o mínimo possível sobre o enredo antes de ler este livro, pois são de pequenas revelações que ele é feito, o que impacta bastante na experiência de leitura. Mas saber o básico não irá assassinar a graça do livro. Todos avisados, certo? Certo. Bem, eu gostaria de fazer uma resenha tripla, mas só Atena sabe quando lerei o último livro e senti a necessidade de falar sobre esses, já que são tão pouco divulgados aqui no Brasil E SIMPLESMENTE É UMA DAS MELHORES TRILOGIAS QUE JÁ LI, NÃO SEI POR QUE TANTA MELAÇÃO EM CIMA DE A SELEÇÃO, QUANDO HÁ PATRICK NESS CHAMANDO. Pronto, falei.


“Os homens mente, e o pior de tudo é que mentem para si mesmos. Por exemplo, eu nunca vi uma mulher nem um spackle em carne e osso, obviamente. [...] e eu os vejo o tempo todo no Ruído dos homens, afinal, sobre que outra coisa os homens pensariam além de sexo e inimigos?”

Tudo começa com Tobb Hewitt e sua contagem regressiva para seu aniversário de 13 anos, a idade em que os meninos passam a ser homens. Mas a emoção maior está no fato de Tobb ser o último garoto da cidade. Talvez do Planeta. Mas vamos explicar isso melhor. A história que Tobb conhece é a seguinte: há muito tempo, quando os humanos chegaram nesse novo Planeta, havia uma praga que matou todas as mulheres e "infectou" a mente dos homens. Agora, todos os pensamentos de qualquer ser masculino são audíveis para qualquer um. Agora, os homens que restaram moram em Prentisstown, onde o único passatempo é aguardar a morte uns dos outros, enquanto lêem as próprias mentes. Party hard, hein.

“Como eu já disse, os homens mentem o tempo todo, para eles mesmos, para outros homens, pro mundo inteiro, mas quem pode ter certeza se quando isso se junta com todas as outras mentiras e verdades que estão flutuando por aí fora da sua cabeça? Todo mundo sabe que você tá mentindo, mas todo mundo tá mentindo também, então quem se importa?”

Porém, um mês antes de completar mais um ano de vida e enquanto cuidava das ovelhas junto ao seu cachorro Manchee, Tobb escuta um vazio; uma lacuna em meio ao turbilhão de pensamentos gritantes. Tobb então se depara com uma garota. E toda verdade que antes acreditava ser absoluta, evapora-se. Tobb, (caso queira saber o nome da menina, selecione o espaço em branco. Por que estou fazendo isso? "Ela gostasse tanto de mistérios que acabou por se tornar um". Citando John Green no meio de uma resenha, quanta ilógica), Viola e Manchee são forçados a fugir. Seus futuros são totalmente incertos, se é que haverá algum, já que suas vidas estão em perigo a cada instante. Em meio à mentiras, guerras e saudades da minha terra, o que mantêm Tobb seguindo em direção ao desconhecido, é a esperança de que não importa qual seja seu destino final, mas que lá esteja a resposta. (E de certa forma, está, mas de uma maneira um tanto peculiar).


“Viola está perto de mim e, enquanto eu tomo goles desesperados, lá está o silêncio dela de novo. É uma mão de duas vias, essa história. Da mesma forma que ela consegue ouvir meu Ruído, aqui sozinhos, longe da tagarelice de outras pessoas ou do Ruído de um colônia, lá está o silêncio dela, tão alto quanto um rugido, me puxando como se fosse a maior tristeza do mundo, como se eu quisesse ser absorvido por ele e simplesmente desaparecer para sempre no nada”.

Esse é o livro perfeito caso você esteja procurando ser surpreendido de N formas a cada término de capítulo. Me aprofundarei na escrita do autor quando falar da belezinha da continuação ali em baixo, mas adio para vocês que "envolvente" é a palavra chave para descrevê-la. Nós acompanhamos a jornada do trio e vemos o quanto eles cresceram, aprenderam sobre o mundo e si mesmos e, principalmente, a zelar por uns aos outros. MAS CONTINUE CONOSCO QUE AINDA TEM MAIS ~dancinha feliz~ .

“A sede de poder é uma coisa que você deveria aprender a controlar antes de ficar mais velho, pois é o que diferencia homens de garotos, mas não da forma que a maioria dos homens pensa”.


Nome do Mundo: A Missão or The Ask And The Answer.
Universo: Mundo em Caos.
Do Mesmo Planeta:
1°: O Motivo 
3°: A Guerra
Dimensão: 492 páginas. 
Criador: Patrick Ness
Data de Nascimento: 
BRA:  2012 / US: 2009
Trouxe aos Terráqueos Brasileiros: Pandorga.
Relatório Completo: Skoob or Goodreads
Sinopse: Nós estávamos na Praça, na praça onde eu iria correr, segurando ela, carregando ela, dizendo-lhe para permanecer viva, permanecer viva até que nós estivéssemos seguros, até que chegássemos ao paraíso, assim, poderiam salvá-la - mas não havia nenhuma segurança, nenhuma segurança em nada, havia apenas ele e seus homens... Fugindo anteriormente de um exército implacável, Todd deixou Viola ser desesperadamente ferida direto nas mãos de seu pior inimigo, o prefeito Prentiss. Imediatamente separado de Viola e preso, Todd é forçado a aprender os caminhos da nova ordem do prefeito. Mas que segredos se escondem fora da cidade? E onde está Viola? Ela ainda está viva? E qual é a misteriosa resposta? E então, um dia, as bombas começam a explodir...

Esse livro me roubou madrugadas de sono. Eu deixava de assistir Game of Thrones só para lê-lo, e se você conhece a série, sabe que você deixa de COMER facilmente só para ver mais um episódio. Entrou para os favoritos da vida, e há muito tempo que um livro distópico e Young Adult não fazia isso comigo. Atrevo dizer que apenas Catching Fire foi capaz de tal proeza antes desse. Bem, leitores, EXCLUINDO AS CONSIDERAÇÕES SOBRE A ESCRITA DO AUTOR QUE EU MUITO GENTILMENTE IREI SINALIZAR PARA VOCÊ QUANDO COMEÇAR, essa parte da resenha CONTÉM spoilers, pois eu não quero tentar NÃO falar sobre esse livro. It's the opposite, babe!

“- Então você nunca esteve na praia vendo as ondas quebrarem e a água se estender na sua frente além da sua vista, se movendo tão azul e viva e tão grande que parece até maior do que a escuridão além dela, porque o oceano oculta seu conteúdo”.


*SPOILERS ON*
O livro começa no exato momento em que o anterior termina: com Viola baleada e Tobb sendo levado para longe dela. Os dois passam boa parte da trama longe um do outro, o que permitiu ao autor revezar a narração entre os pontos de vista de cada personagem, proporcionando-nos uma visão mais ampla sobre tudo que está acontecendo. 


“A escuridão começa a tomar conta de mim, começa a cair sobre mim como um cobertor, como água se elevando acima da minha cabeça”.

O prefeito Prentiss agora é presidente, e seu primeiro decreto foi proibir a livre circulação das mulheres. Em sua mente doentia, criaturas femininas são um "perigo à paz", pois tudo aquilo que não pode ser ouvido, não pode ser decifrado e nem controlado (Ui, divergentes). 


“A cada minuto eu espero que minha vida desmorone.
Mas a cada minuto ela continua de pé”.

O livro é recheado de páginas assim,
representando a confusão de pensa-
mentos dos homens.
Viola agora tem de aprender a ser enfermeira, enquanto mentalmente trama planos de como encontrar Tobb e fazer contato com sua nave-mãe. Porém, o prefeito (sei que falei que ele agora é presidente, mas chamá-lo de prefeito o irritava e essa é minha especialidade), possui planos mais tenebrosos para Tobb. Além de obrigá-lo a trabalhar junto com seu detestável filho "cuidando" dos spackles (que são as criaturas endêmicas do Planeta), Prentiss quer transformá-lo em seu herdeiro, ou seja, torná-lo igual a ele.


“Há apenas silêncio quando isso acontece. Não é alto ou forçado ou violento. Ela simplesmente fica quieta, um tipo de quietude que você sabe que é interminável assim que escuta, uma quietude que abafa tudo ao seu redor, desligando o volume do mundo”.

Os jogos políticos e psicológicos neste livro são SENSACIONAIS. Ambos demonstram o poder que uma pessoa manipuladora, de mente astuta e boa lábia possui, principalmente por ter consciência que os pequenos detalhes, como paciência e jogo de palavras e cintura, são os tijolos para a construção de qualquer plano. E quem tem plena consciência disso são os dois personagens símbolo de cada lado da guerra: Sra. Coyle, a enfermeira chefe e, claro, o odioso Prentiss. Por mais que o prefeito seja o vilão declaro, o autor constrói a guerra e os lados jogadores de uma maneira que não há como resumir em apenas"herói ou vilão". Ao final do livro, você já não sabe para quem torcer exatamente, o que gera algo muito interessante a ser refletido: ninguém age seguindo um motivo único, genuíno e unilateral. Todos possuem camadas de interesses por trás de suas palavras e ações, e talvez, façam das pessoas os "peões" para a realização de tais.


“Nós somos as escolhas que fazemos. E as que temos que fazer. Não somos nada além disso”.
*SPOILERS OFF*

OLHA, O SR. NESS POSSUI UMA VEIA DE GEORGE RR MARTIN SIM, SÓ QUE SABE DISFARÇAR MUITO BEM. Mas enfim, vamos lá!

A história geral da trilogia foi muito bem pensada e elaborada. É fácil perceber que há uma “cadeira principal” de enredo, que vai se ramificando aos poucos, (excesso de aulas de química orgânica resulta nisso), mas sempre prosseguindo. Uma habilidade louvável de Ness é a de nos apresentar, a partir de um relacionamento iniciado do zero e de forma cada vez mais envolvente, não só a personalidade e o passado das personagens, mas também nos explicar um pouco da dinâmica daquele universo novo e bizarro.


“- O problema, Tobb – ele diz –, é que as pessoas não querem realmente liberdade, não importa o quanto elas falam sobre isso”.

O autor sabe como utilizar diálogos, ou falta deles, para nos fazer sentir a atmosfera de cada situação retratada. Ou seja, é fácil se pegar com falta de ar em uma cena de perseguição ou tortura, e ficar feliz quando alguma coisa dá certo (ou, ao menos, não dá errado) com os protagonistas. Por mais efêmero e insignificante que o “momento feliz” soasse depois, na hora em que foi lido, parecia o maior alívio do mundo. E, A MELHOR PARTE PARA QUEM JÁ ESTÁ ENJOADO DE MELOSIDADES DESNECESSÁRIAS: Não há o típico "casalsinho romântico" nesse livro \O/


“Mas isso é o que te torna poderoso, Todd Hewitt. Neste mundo de entorpecimento e sobrecarga de informações, a habilidade de sentir, meu garoto, é de fato um dom raro”.

Conter-me-ei, pois senão spoilers jorraram! That's all folks!

Como O Motivo levou nota quatro e A Missão, cinco, a média portanto será quatro spackles e meio! NÃO SÃO ADORÁVEIS?
Vocês de exatas digam-me se estou certa.


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quinta-feira, 15 de janeiro de 2015

Livros Entre Linhas: Por Que Indiana, João?



Nome do Mundo: Por Que Indiana, João?
Único em Seu Universo.
Dimensão: 208 páginas. 
Criador: Danilo Leonardi
Data de Nascimento: 
BRA: 2014.
Trouxe aos Terráqueos Brasileiros: Giz Editorial.
Onde Obter: Saraiva - Livraria Cultura
Relatório Completo: Skoob.
Sinopse: Você pode pensar que, aos quinze anos, João já deveria estar acostumado com provocações, apelidos e humilhações. Afinal, ele é um típico adolescente deslocado e tímido. Alvo perfeito para a ira dos valentões e para o desprezo das garotas. Mas sua vida muda completamente quando reage a um ataque de seu maior algoz. O golpe de sorte que derruba o valentão é gravado e vira hit na internet. João se vê finalmente admirado, respeitado e seguro. Mas tudo tem seu preço e João vai aprender qual o peso que suas escolhas podem ter não só sobre sua vida, mas sobre as vidas de todos ao seu redor.





Hey, pessoas usuárias de internet! Hoje venho falar sobre esse livro do conhecidíssimo Danilo do Cabine Literária que comprei na Bienal ano passado E CONSEGUI AUTÓGRAFO DELE E DA LÚCIA, MUARARA. ~voltando a forma quase humana~ Continue lendo enquanto tento vocês a descobrir Por que Indiana, João? (Mesmo que seu nome não seja João, isso não vem ao caso).


“Se minha voz tivesse mesmo força igual à imensa dor que sinto, meu grito provavelmente ia acordar toda cidade”.

O livro trata sobre bullying, o poder da internet nos dias atuais (não soa brega assim no livro, prometo) e relacionamentos em geral. Tudo começa com João, o típico menino franzino que possui a vida dividida da seguinte maneira: de um lado há seus pais divorciados e que não lhe dão muita atenção. Do outro há o Ensino Médio, aonde já está totalmente familiarizado com colegas o atormentando, mas claro que isso não torna as coisas mais fáceis, pois sofrer bullying nunca é fácil, não importa a quanto tempo você passe por isso. E ainda nessa área, encontramos Guilherme, o principal vilão da vida de João (hahaha rimou hahaha), aquele mesmo clichê de menino valentão, bombado, com sua "gangue do perigo" e que namora a menina que João também gosta. E ainda há a sua vida online, onde ele pode ser quem realmente é e jogar vídeo game com amigos. Adicione um cenário que se passa em Minas Gerais e ai está a veia principal do livro.


“Por que eu tenho que ser tão diferente? Eu queria ter os mesmos assuntos e as mesmas opiniões que todo mundo, mas eu não consigo”.

Muito bem, a vida seguia da mesma forma que sempre tem sido para João. Apanhar e ser desprezado na escola, além de ter de conviver com zero esperança de melhorar de situação, já que a coordenação da escola não faz nada a respeito. Aguentar a implicância dos pais separados, tanto em relação a ele quanto um ao outro. E ter como único consolo a maravilhosa internet. Bem, um dia a gota d'água pinga e durante mais um ritual de tortura de Guilherme, João o chuta bem naquele lugar em que não bate sol, movido por uma fúria que nunca tinha deixado extravasar dessa forma antes. O que ele não esperava era que um de seus amigos filmasse tudo e postasse no YouTube sem seu consentimento. E já que a sorte nem sempre ou quase nunca está a nosso favor, o vídeo viralizou e o João logo virou uma espécie de semi-celebridade, sendo chamado para entrevistas e etc. Muitas coisas acontecem a partir dai e João agora tem em mãos a chance de alertar o mundo sobre o que o bullying é, além de poder mudar o rumo trágico que é sua própria história. Mas toda ação possui uma consequência (ou várias, estamos na vida real e não em física), e João percebe duas coisas: 1° erradicar o bullying não será tão fácil quanto deveria ser e 2° a partir do momento em que você consegue uma vida, por assim dizer, você tem de lidar com os problemas que ela traz.


“Quero me encontrar, mas não sei se consigo nem se posso. Vai ver que é assim mesmo e vai ser assim para sempre”.


Vamos lá. (Com lá quero dizer "continue lendo aqui). A história se inicia nos apresentando o clichê do clichê em relação a livros Young Adult que retratam sobre o bullying. Sem problemas, desde que o desenvolvimento deste convença de que o livro conseguiu ser mais que o esperado, e esse não foi totalmente o caso e explicarei o porquê.
No início, João nos conta certos acontecimentos pelos quais passou que deixa qualquer um que se põe no lugar chocado. Ele te faz sentir o circo de horrores que deve ser viver na pele de uma pessoa que possui tais marcas passadas e tem de espetá-las mais um pouco todo santo dia. E eu tive grande interesse em acompanhar o desenvolvimento do personagem, mas infelizmente, foi nesse ponto que o autor se embaralhou um pouco, o da construção de camadas dos personagens.


“Ainda não sou adulto, mas sinto que preciso testar o mundo, testar os meus limites, me arriscar. Sim, hoje é um bom dia”.

Sim, o livro é curto, mas não é desculpa para os personagens terem sido todos planos. 
Há aqueles, como o valentão Guilherme, que despertaram meu interesse em querer saber mais sobre como suas mentes funcionavam, mas foi uma vontade frustada. Meus maior exemplo disso é em relação aos pais de João. Esse conflito familiar poderia ter sido bem mais explorado, porém, mal temos um final satisfatório. Tive a sensação que esse "problema" citar brevemente que João passava por problemas familiares. Mas concluindo  só foi criado para lista de desgraças na vida de João serem maiores. 


“Eu sei como é quando tudo o que as pessoas conseguem ver são os seus defeitos, e eu não quero ser uma dessas pessoas”.

O autor dá uma pincelada em outros assuntos que seriam interessantíssimos vê-los abordados mais profundamente. Por exemplo, a influência que a mídia exerce hoje em dia em nossas vidas. Quando publicamos algo, muitas vezes não fazemos ideia sobre quem pode ter acesso àquilo e que estará permanentemente navegando por ai. E o autor poderia ter pesado mais sobre isso no livro, o que ajudaria muito no quesito "inovação que salva o livro do início clichê". 




“Quando estou pensando nela, afasto todos os pensamentos ruins, com certeza de que depois eles voltam. Mesmo depois de tudo que aconteceu, continuo com um forte sentimentos de inferioridade, porque eu sinto que todos querem que eu seja algo diferente de mim mesmo”.

AGORA, vamos aquilo que salvou a nota do livro. A forma que a escola tratava os casos de bullying da escola, nula, assim como as cenas de descrições de agressão, é uma verdade bem incômoda e exatamente por isso não devemos apenas engolir. A escrita é, no minimo, a escudo da salvação. O Danilo escreve de forma fluída, usando um vocabulário extremamente urbano e isso faz seus olhos passaram pela história de forma rápida. E enquanto eu lia, eu SÓ conseguia imaginar a voz do Danilo narrando tudo e para mim, ele era o João e ponto final. 
Comparo essa leitura como um pulo na piscina em um dia quente: você salta, se refresca (que é o principal) e logo sai para fazer algo melhor. Rápido, simples e cumprirá a função se for isto que você está procurando. Um livro para sair da ressaca e não exige grandes esforços, talvez um estômago não tão mole. Apenas saiba aonde você está embarcando para não se decepcionar.


“Acho que quando é para duas pessoas de darem bem, elas simplesmente se dão bem, sem nenhum esforço sobrenatural”.

AH SIM, AFINAL, POR QUE INDIANA, JOÃO? No momento em que o motivo do título é revelado, eu fiquei com o sentimento de "Hm, é isso?". Sim, faz sentido e é engraçadinho, mas again, não crie expectativas, porque não é nenhum acontecimento de parar o coração. 


“Acho que uma parte de mim gostaria de voltar a ser do tipo que se esconde atrás de uma pilastra, mas não dá para ajudar alguém isolado no meu canto. Por isso, sei que é uma coisa boa, a certeza de que nunca vou me esquecer do Victor. Agora ele faz parte de mim e de cada pessoa que conhece a sua história. Quando fecho os olhos, quase posso ouvi-lo dizendo que algumas passagens são só de ida.”.

Três interrogações, porque minha primeira ideia de nota entregaria o segredo do título e prometi que permaneceria boazinha pelo menos esse começo de ano. (cof). Como mencionado, a escrita salvou essa nota, mas quero que vocês leiam sim e tirem suas próprias conclusões. 




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domingo, 23 de novembro de 2014

Livros Entre Linhas: Cidades de Papel


Nome do Mundo: Cidades de Papel.
Único em Seu Universo.
Dimensão: 368 páginas. 
Criador: John Green.
Data de Nascimento: 
BRA:  2013 / US: 2008
Trouxe aos Terráqueos Brasileiros: Intrínseca
Onde Obter: Saraiva - Submarino - Livraria Cultura - Americanas - Amazon - PDF
Relatório Completo: Skoob. 
Sinopse: Quentin Jacobsen nutre uma paixão platônica pela vizinha e colega de escola Margo Roth Spiegelman desde a infância. Naquela época eles brincavam juntos e andavam de bicicleta pelo bairro, mas hoje ela é uma garota linda e popular na escola e ele é só mais um dos nerds de sua turma. Certa noite, Margo invade a vida de Quentin pela janela de seu quarto, com a cara pintada e vestida de ninja, convocando-o a fazer parte de um engenhoso plano de vingança. E ele, é claro, aceita. Assim que a noite de aventuras acaba e um novo dia se inicia, Q vai para a escola, esperançoso de que tudo mude depois daquela madrugada e ela decida se aproximar dele. No entanto, ela não aparece naquele dia, nem no outro, nem no seguinte. Quando descobre que o paradeiro dela é agora um mistério, Quentin logo encontra pistas deixadas por ela e começa a segui-las. Impelido em direção a um caminho tortuoso, quanto mais Q se aproxima de Margo, mais se distancia da imagem da garota que ele pensava que conhecia.



Heeeeeeeey! Sim, eu sei que dei um novo significado para palavra "sumiço", mas aqui estou eu, ignorando a loucura da escola momentaneamente só para desfrutar da magia de escrever que me foi privada durante esse tempo todo. Oh dó.



“Margo sempre adorou um mistério. E, com tudo o que aconteceu depois, nunca consegui deixar de pensar que ela talvez gostasse tanto de mistérios que acabou por se tornar um”. 

Provavelmente vocês já estão cansados de ver resenhas dos livros do Green por ai. Yeah, eu também. Mas eu queria deixar registrados meus pensamentos sobre esse livro, pois foram tão extremos a tal ponto que ainda não sei se minha opinião sobre é mais para positiva ou negativa, ops.

“Isso sempre me pareceu tão ridículo, que as pessoas pudessem querer ficar com alguém só por causa da beleza. É como escolher o cereal de manhã pela cor, e não pelo sabor”. 

Começando por Quentin. Primeiramente, QUE RAIO DE DIABOS DE NOME É ESSE?? Criatividade foi lá no Polo Norte, hein Sr.Verde! Enfim, Quentin está nas suas últimas semanas de aula do Ensino Médio, o desejo mais ansiado ou temido. Ou uma mistura de ambos. Porém, Quentin não demonstra sentimentos significativos quanto a isso. Sua atenção está, assim como esteve desde a infância, em Margo Roth Spielgelman, sua misteriosa vizinha de muitos anos, possuidora de um ar de superioridade naturalmente intrínseco e aquela por quem Quentin mantém uma paixão desde que se conheceram. Já aviso que essa paixonite me enjoou desde o começo.

“Sempre achei que só pessoas importantes tinham inimigos. Por exemplo: historicamente, a Alemanha tem mais inimigos que Luxemburgo. Margo Roth Spielgelman era a Alemanha. E a Inglaterra. E os EUA. E a Rússia czarista. Eu, eu era Luxemburgo. Só na minha, criando minhas ovelhas e cantando à tirolesa”.



Certo, tudo seguia relativamente bem em sua vida. Quentin possuiu uma particularidade de gostar do tédio e não se incomodar com ele. Gostar de ter os pés no chão e um futuro previamente traçado à sua frente. Até que certa noite, Margo aparece na janela de seu quarto, vestida e pintada de preto, convidando-o para uma operação/missão misteriosa, mas com a garantia de ser a noite mais emocionante de sua pacata vida. Pausa para reflexão: vocês acham que Quentin diria não a uma aventura com a Sra. Spielgelman? Cof, NEVER, cof.

“Fazer as coisas nunca é tão bom quanto imaginá-las”.

Eis que a operação/missão misteriosa se mostrou ser um plano de vingança muito bem planejado contra o namorado traidor de Margo. E apesar das cenas engraçadíssimas, esse momento juntos serviu para pôr em dia anos as reflexões e conversas que estavam há anos atrasadas. Margo descreve sua forma de ver a cidade em que vive, (o mundo em geral), e tudo que nela habita: feita de papel. As pessoas e suas preocupações banais, casas com fachadas lindas por fora, mas com famílias destruídas por dentro... Enfim, livros do João Verde e suas filosofias peculiares.
Porém, contudo, entretanto, a aparente ascensão de Margo na vida de Quentin revela seu objetivo dias depois: foi uma despedida.

“Olhe para todas aquelas ruas sem saída, aquelas ruas que dão a volta em si mesmas, todas aquelas casas construídas para virem abaixo. Todas aquelas pessoas de papel vivendo suas vidas em casas de papel, queimando o futuro para se manterem aquecidas. Todas as crianças de papel bebendo a cerveja que algum vagabundo comprou para elas na loja de papel da esquina. Todos idiotizados com a obsessão por possuir coisas. Todas as coisas finas e frágeis como papel. E todas as pessoas também.”

Margo possuía o hábito de fugir de vez em quando, a tal ponto que seus pais já nem se importavam mais. Contudo, Quentin precedia que desta vez seria definitivo. Margo Roth Spielgelman deixaria para trás a cidade de papel junto com a vida de papel que achava levar.

“- Quanto mais trabalho, mais percebo que os seres humanos carecem de bons espelhos. É muito difícil para qualquer um mostrar a nós como somos de fato, e é muito difícil para nós mostrarmos aos outros o que sentimos”.

Quentin, junto com alguns amigos, decide procurá-la. Ele sabia que uma das características de Margo era deixar pistas misteriosas e aleatórias sobre seu destino. E desta vez, sente que elas foram deixadas para ele. É então que a vida do nosso protagonista se resume a constantes tentativas de entender Margo. De conseguir ser Margo e sentir suas dores para encontrar o lugar em que foi procurar uma cura. Mesmo que para isso tenha de arruinar seu histórico de poucas faltas, sua festa de formatura e até, quem sabe, algumas amizades de muitos anos.

“Eu não pude deixar de pensar no fim das aulas de tudo o mais. Gostava de ficar afastado, observando-os – era um tipo de tristeza que não me incomodava, e assim eu só ouviam deixando toda felicidade e toda tristeza daquele redemoinho de términos me dominarem, cada sentimento fazendo o outro ficar mais forte. Por um longo tempo, foi como se meu peito estivesse se abrindo, mas era não exatamente desagradável”. 

Pois bem, neste livro John-Greeniano somos apresentados a diversas passagens que evocam vários sentimentos e pensamentos que temos e muitas vezes, achamos que só habitam em nós. Quem nunca parou para pensar sobre quão verdadeira é a vida que você tem vivido? Ou quem nunca analisou se o "eu" que você mostra para as pessoas, principalmente as mais próximas, corresponde a pessoa que se denomina pelo seu nome e eu não sei mais se isso é uma pergunta ou afirmação. Ignorando isso, esta reflexão deveria ser algo comum.

“A cidade era de papel, mas as memórias, não.”

Analisando os personagens, 99% são tradicionais e clichês até para um livro clichê de Young Adult. O protagonista obcecado pela melhor amiga de infância. Um melhor amigo nerd. O outro melhor amigo retardado e que só pensa em garotas. A amiga bitch da ex-melhor amiga do protagonista. E por um motivo estrondoso, todos eles se juntam e viram amigos em nome de algo maior, que é achar a melhor amiga do protagonista. E está ai o livro. E não acho que eles passaram por um amadurecimento significativo ao longo do livro. Sim, eles aprenderam e viveram muitas coisas. Mas o livro não os fornece muito tempo para sintetizarmos isso. (Sim, agora somos plantas). E tenho de falar: a Margo entrou na lista para personagens mais inúteis e irritantes de todos os tempos. Além de alienar a mente do Quentin, ao invés de mudar as pessoas com quem se relaciona ou rever o próprio comportamento, ela prefere chamar todos de frívolos, (claro, de forma metafórica), e sair da cidade como se nada daquilo pudesse oferecer o que ela gostaria. Primeira observação: Querida Margo, o mundo não é uma fábrica de realizações de desejos; Segunda observação: Você é tão "vazia" quanto qualquer um, talvez até mais por rotular a cidade como de papel, quando na verdade você nunca tentou melhorar a vida. Sim, me sinto melhor agora, obrigada.

“São tantas pessoas. É tão fácil se esquecer de como o mundo é cheio de pessoas, lotado, e cada uma delas e imaginável e sistematicamente mal interpretada”.

Sim sim, eu sei que a resenha pode parecer sem foco. Mas é como eu disse, eu ainda não sei totalmente o que eu sinto por esse livro. E não sei se algum dia saberei. A síntese dele não é nem um pouco meu estilo de livro. Mas o jeito como o autor conduziu tudo isso, a linha que uniu o esqueleto-mais-do-que-clichê com as reflexões, fez com que a essência do livro seja mais uma história de término de ensino médio. A mensagem que o autor quis transmitir é incrível. Apenas acho que ele poderia ter usado de um meio mais interessante. Porém, sem ressalvas quanto a escrita. Green prova-se mais uma vez uma fábrica de diálogos inteligentes e fabricador de personagens que GOSTAM do conhecimento e que fazem piadas com o mesmo. Sua escrita é leve, nem um pouco rebuscada ou por demasiada descritiva. Eu adoro o modo singular de sua escrita, como se levasse às palavras para passear.

“Só tenha em mente que às vezes o jeito como a gente pensa em alguém não é exatamente o jeito como essa pessoa é”. 

AGORA, VAMOS FALAR DAQUELE FINAL. Acredito que o Green tenha ficado em um impasse gigantesco, pois apenas com a sinopse é possível deduzir muitas coisas do desfecho. Creio que sua intenção era surpreender a todos que seguiram a hipótese mais óbvia. Porém, o resultado se resume em catástrofe. Grande quantidade de pontas soltas, questões não resolvidas e personagens esquecidos. Sr. Green, continue matando personagens que amamos que fica mais legal. E outro detalhe, há alguns trechos de insinuações sobre metáforas para se seguir e outras coisas que me fez ver um certo padrão de temas que o Green aborda. (Cof, fetiche por crises existenciais, cof).

Well, folks, para nota final, PAPÉIS! Criatividade é tudo nessa vida. Quatro papéis, pois mesmo tentando ignorar implicâncias pessoais, aquele final superou/arruinou tudo. Espero que tenham gostado e se preparem, pois logo voltaremos à ativa! AH SIM, acompanhe um pouco das filmagens no canal dos Nerdfighters!




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quarta-feira, 10 de setembro de 2014

Livros Entre Linhas: Feita de Fumaça e Osso


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Nome do Mundo: Feita de Fumaça e Osso.
Do Universo:
2°: Dias de Sangue e Estrelas.
3°: Sonhos de Deuses e Monstros.
Dimensão: 384.
Criadora: Laini Taylor.
Data de Nascimento:  
BRA: 2012. USA: 2011
Trouxe aos Terráqueos Brasileiros: Intrínseca. Onde Obter: Saraiva / Submarino / Americanas / Livraria Cultura
Relatório Completo: Skoob.
Sinopse:Um romance de tirar o fôlego, sobre destino , esperança e a busca de si mesmo" The New York Times. Pelos quatro cantos da Terra, marcas de mãos negras aparecem nas portas das casas, gravadas a fogo por seres alados que surgem de uma fenda no céu.Em uma loja sombria e empoeirada, o estoque de dentes de um demônio está perigosamente baixo. E, nas tumultuadas ruas de Praga, uma jovem estudante de arte está prestes a se envolver em uma guerra de outro mundo.O nome dela é Karou. Seus cadernos de desenho são repletos de monstros que podem ou não ser reais; ela desaparece e ressurge do nada, despachada em enigmáticas missões; fala diversas línguas, nem todas humanas, e seu cabelo azul nasce exatamente dessa cor. Quem ela é de verdade? A pergunta a persegue, e o caminho até a resposta começa no olhar abrasador de um completo estranho. Um romance moderno e arrebatador, em que batalhas épicas e um amor proibido unem-se na esperança de um mundo refeito.

Feita de fumaça e Osso é um título bem sugestivo em relação a história e começou a fazer sentido para mim quando eu estava no meio do livro.
Karou é uma protagonista incomum dentre os muitos livros que eu li, isso quer dizer que eu não tive vontade de jogar o livro na parede nenhuma vez por que ela não fez nenhuma besteira como a Ever de Os Imortais. Me chamou muito a atenção logo que a descreveram fisicamente:



"Karou era, simplesmente, adorável. a pele macia, as pernas longas, o cabelo azul-celeste comprido e olhos de esfinge..."

Cabelo azul! É óbvio que o livro não é tão fantasioso a ponto de os personagens de fato nascerem com o cabelo azul, Karou desejou que o cabelo nascesse assim. Ela também possui diversas tatuagens incomuns, como dois olhos hamsás na palma das mãos. Karou além de ser diferente fisicamente também é misteriosa, não lembra nada de seus pais.
Logo nos primeiros capítulos eu percebi que o livro está longe de ser comum. A história de passa boa parte se passa em Praga, onde a protagonista estuda Artes. Mas ela também está em outros lugares, como Paris, Marrocos... Ela trabalha a serviço de Brimstone ( um quimera, espécie de demônio), coletando dentes de vendedores quando eles não podem se encontrar com Brimstone, em qualquer hora e em qualquer parte do mundo.
Exatamente, dentes. Dentes de animais, humanos... Ela carrega consigo um colar cheio de dentes que lhe permite que pequenos desejos se realizem, como por exemplo, se vingar do ex. Como eu disse, coisas básicas.
A autora nos introduz aos mistérios do livro aos poucos, e ele aparenta ter mais páginas (não de um jeito ruim), mas ela conta várias coisas sem enrolar.



"- Quem é você? - Kaz costumava perguntar, encantado.
E Karou respondia, melancólica:
- Eu não sei mesmo.
Por que não sabia mesmo"

Em certo ponto conhecemos um personagem com um peso significante: Akiva, ao mesmo tempo em que os portais pelo qual ela faz todas aquelas viagens em busca de dentes, estão sendo destruídos. A primeira vista a criatura tentou matar Karou, mas logo vimos que o Anjo perde o interesse em matá-la. Os dois se apaixonam (neste aspecto em lembrou Fallen, mas só isso, pois o livro é totalmente diferente), Akiva a ajuda a descobrir quem ela é em meio de uma guerra já travada. E a resposta para esta pergunta pode não ser tão agradável.
 

"Estar perto dela era como se equilibrar em um mundo inclinado, tentando manter-se firme enquanto o chão queria jogá-lo para frente, lançá-lo em uma espiral da qual não havia retorno, somente impacto, e era um impacto desejado, uma colisão doce e atraente." 

Considerações finais: A autora me prendeu no começo do livro por ser uma narrativa leve e diferente, e quando eu percebi já havia terminado o livro! Algumas coisas no entanto, me deixou confusa, em relação aos quimeras, serafins e o excesso de fantasia, acredito que tudo ficará mais claro no próximo livro.



quinta-feira, 4 de setembro de 2014

Livros Entre Linhas: Eleanor & Park


http://bibliotecaempoeirada.com.br/wp-content/uploads/2014/03/Eleanor-Parl-Raibown-Rowell.jpgNome do Mundo: Eleanor & Park.
Único em seu Universo.
Dimensão: 328 páginas.
Criador: Rainbow Rowell.
Data de Nascimento:  BRA: 2014 / USA 2013.
Trouxe aos Terráqueos Brasileiros: Novo Século. 
Onde Obter: Saraiva -  Submarino -Livraria Cultura - PDF  
Relatório Completo: Skoob.
Sinopse: Eleanor & Park é engraçado, triste, sarcástico, sincero e, acima de tudo, geek. Os personagens que dão título ao livro são dois jovens vizinhos de dezesseis anos. Park, descendente de coreanos e apaixonado por música e quadrinhos, não chega exatamente a ser popular, mas consegue não ser incomodado pelos colegas de escola. Eleanor, ruiva, sempre vestida com roupas estranhas e “grande” (ela pensa em si própria como gorda), é a filha mais velha de uma problemática família. Os dois se encontram no ônibus escolar todos os dias. Apesar de uma certa relutância no início, começam a conversar, enquanto dividem os quadrinhos de X-Men e Watchmen. E nem a tiração de sarro dos amigos e a desaprovação da família impede que Eleanor e Park se apaixonem, ao som de The Cure e Smiths. Esta é uma história sobre o primeiro amor, sobre como ele é invariavelmente intenso e quase sempre fadado a quebrar corações. Um amor que faz você se sentir desesperado e esperançoso ao mesmo tempo. 

Em dias de TPM eu sempre procuro um livro de leitura rápida, já tinha ouvido falar desse livro e ele logo me agradou. Primeiramente, a personagem principal feminina não é loira de olhos azuis, esbelta e com cabelo perfeito, e o principal masculino não é musculoso, misterioso. NO! NO! NO!
As características físicas dos personagens são diferentes de muitos livros que eu já li, e me agradou pois não segue nenhum padrão já imposto e que no qual eu estou cansada de ler. O método de aproximação entre o casal também não é nada convencional. Se foi amor a primeira vista? Bem...



"...você simplesmente tem de olhar. A menina tinha a aparência exata do tipo de pessoa com o qual isso costuma acontecer. Não só por ser uma pessoa nova ali, mas por ser grande e esquisita. Com cabelo bagunçado, bem ruivo, além de cacheado. E se vestia como se... como se quisesse que as pessoas ficassem olhando. como se não sacasse que estava um desastre completo. Usava camisa xadrez masculina, meia dúzia de colares estranhos pendurados em volta do pescoço e lenços amarrados nos pulsos. Fez Park pensar num espantalho..."

Logo de cara vemos que o mestiço quer repelir a garota nova mais do que tudo. Park é um mestiço com uma parte da família coreana, olhos verdes e que se veste de preto de cima a baixo. Enquanto Eleanor é uma novata desastrada ruiva e que usa roupas largas e rasgadas. Ela é constantemente "zoada" pelas pessoas da escola, principalmente na Educação Física, porém inteligente, já que assiste a maioria das suas aulas avançadas.
O cenário familiar da trama também não é um mar de rosas. Eleanor vive com seus irmãos e um padrasto abusivo junto com sua mãe. Enquanto Park vive com um pai ex-militar exigente.
Um dia, Park percebe que a estranha ruiva sempre lia seus gibis ao lado dele no ônibus, ele então com um ataque de epifania decide emprestar alguns gibis para a garota e ai começa a aproximação dos dois.



"Toda manhã ao entrar no ônibus, Eleanor receava que Park não tirasse os fones de ouvido. Que parasse de conversar com ela tão subitamente quanto começara. E, se isso acontecesse, se ela entrasse naquele ônibus e ele não olhasse para a frente, não queria que ele visse quão arrasada ela ficaria.
Até então, não acontecera.
Até então, não haviam parado de conversar. Assim, literalmente. Conversavam o tempo inteiro que passavam sentado juntos.
"

O relacionamento dos dois se desenrola através das conversas no ônibus, e logo depois das conversas na sala de aula. O que é bem legal neste livro é que na visão de cada personagem, isso possibilita uma visão ampla e pessoal de cada personagem. Sabemos o que acontece no ambiente familiar de cada um e dos pensamentos de cada um sem ficar uma coisa cansativa. São abordados assuntos sérios (no caso de Eleanor), o ambiente familiar da garota é completamente problemático, mas tudo é suavizado pela relação dos dois protagonistas.


"Segurar a mão de Eleanor era como segurar uma borboleta. Ou um coração a bater. Como segurar algo completo, e completamente vivo."

Eu gostei de como ocorreu o desenrolar da história toda, não foi como todos os outros livros que eu li, não teve uma morte trágica como em A culpa é das estrelas (que eu não gosto), a trama causada no final do livro foi algo brilhantemente bolado, por ser um problema familiar muito sério.

"Ele parou de tentar trazê-la de volta. Ela só voltava quando bem entendia, em sonhos e mentiras e déjà-vus partidos"

A leitura foi rápida (eu li em pdf e contém 980 páginas, mais que o dobro que o livro físico), eu com certeza recomendaria este livro para alguém, e minha próxima meta é lê-lo em inglês, assim poderei ter uma visão melhor da escrita da autora. Se eu tiver oportunidades (isso quer dizer se eu tiver dinheiro), pretendo comprar Fangirl, outro livro da autora.

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