quarta-feira, 11 de junho de 2014

Livros Entre Linhas: A Escolha


Nome do Mundo: A Escolha.
Do Universo:
1°: A Seleção.
1.5°: O Prícipe.
2°: A Elite
Dimensão: 352 páginas
Criador: Kiera Cass.
Data de Nascimento: 
BRA & EUA: 2014.
Trouxe aos Terráqueos Brasileiros: Seguinte.
Onde obter: Submarino - Saraiva - Livraria Cultura - PDF
Relatório Completo: Skoob.
Sinopse: A Seleção mudou a vida de trinta e cinco meninas para sempre. E agora, chegou a hora de uma ser escolhida. America nunca sonhou que iria encontrar-se em qualquer lugar perto da coroa ou do coração do Príncipe Maxon. Mas à medida que a competição se aproxima de seu final e as ameaças de fora das paredes do palácio se tornam mais perigosas, América percebe o quanto ela tem a perder e quanto ela terá que lutar para o futuro que ela quer. Desde a primeira página da seleção, este best-seller #1 do New York Times capturou os corações dos leitores e os levou em uma viagem cativante ... Agora, em A Escolha, Kiera Cass oferece uma conclusão satisfatória e inesquecível, que vai manter os leitores suspirando sobre este eletrizante conto de fadas muito depois da última página é virada.

Hey guys! Eu sei, eu sei, ando tão sumida por aqui que vocês nem devem se lembrar mais de mim. Sou Isabella, lembram? Resenho junto com a Bea (parei).
Hoje, já de férias, na véspera do dia dos namorados (também o véspera do dia da abertura da copa do mundo, grande coisa), tive inspiração para resenhar o último livro da trilogia A Seleção, que li há algumas semanas atrás em PDF, por motivos de a faculdade me deixou pobre. So..

Agora a competição ficou mais acirrada. Na reta final da competição, América ainda está dividida entre Aspen e Maxon. Cada vez que América fica mais próxima do príncipe, o pai dele, Clarkson a deixa constrangida diante de qualquer situação, enquanto Maxon demonstra mais os seus sentimentos e mais exclusivamente á ela.

"Éramos amigos que tinham percebido que não queriam fica longe um do outro. Éramos diferentes em diversos sentidos, mas, ao mesmo tempo, muito parecidos. Não dava para dizer que nossa relação era obra do destino, mas ela parecia mais forte do que qualquer coisa que eu já tinha vivido antes."

Neste livro eu tinha um medo ENORME de ficar no clima "quem-eu-devo-escolher?", mas Kiera felizmente nos livrou disso. A leitura é tão agradável que eu li um pdf com o óculos vencido e mal notei a dor de cabeça. Também temos mais destaque na distópia. O mundo lá fora faz mais parte do enredo neste livro, conhecemos melhor os motivos de os rebeldes estarem tão dispostos á atacarem o palácio, e América se sente mais disposta a ganhar a coroa, e resolver os problemas externos que o rei não conseguiu resolver.
Personagens irritantes, vulgo, Celeste, tem uma reviravolta completamente fora do esperado no livro. Amei o jeito em que a Kieira encaixou as atitudes dela no contexto da história. Perfeito!
(Spoiler alert, maybe) E preparem o coração por que temos uma morte no final do livro!  (Spoiler alert, maybe).

"— Eu amo você — ele disse simplesmente. — Deveria ter dito isso há muito tempo. Talvez tivesse evitado tantos erros idiotas. Por outro lado — acrescentou, esboçando um sorriso —, às vezes penso que foram todos esses obstáculos que me fizeram amá-la tanto assim."

Eai, de quem é esse diálogo e para quem? Team Maxon ou team Aspen?


segunda-feira, 26 de maio de 2014

Livros Entre Linhas: Contos de Meigan


Nome do Mundo: Contos de Meigan
Universo: A Fúria dos Cartágos
2°: AINDA NÃO TEM #LÁGRIMAS.
Dimensão: 618 páginas.
Criadoras: Roberta Spindler e Oriana Comesanha.
Data de Nascimento: 
BRA: 2011.
Trouxe aos Terráqueos Brasileiros: Dracaena 
Onde Obter: PDF COMPRAR.
Relatório Completo: Skoob
Sinopse: Meigan é um mundo diferente do nosso, morada de seres especiais e poderosos que se denominam magis. Na aparência são exatamente como nós, mas as diferenças não podem ser ignoradas por muito tempo. Os magis tem uma relação especial com a natureza e seus elementos, moldando-os a sua vontade e apoderando-se de sua força. Esses elementos, chamados mantares, não se limitam apenas aos conhecidos fogo, terra, ar e água. Existem muitos outros, como as sombras, o tempo e até mesmo o controle sobre o próprio corpo. Ter a capacidade de decifrar, entender e interagir com a natureza é um dos principais requisitos para a evolução de um magi. Para tanto, deve-se, primeiramente, entender que tudo faz parte da mesma manifestação natural e que toda matéria e energia estão inseridas em um processo dinâmico e universal. Contos de Meigan – A Fúria dos Cártagos começa com Maya Muskaf preparando-se para voltar para casa. Depois de três anos vivendo na Terra, o momento de retornar a Meigan finalmente havia chegado. Estava preocupada, pois algo afetava seu controle sobre os mantares, talvez algum resquício da misteriosa doença que a debilitou durante a infância. Com medo de estar novamente doente e para conseguir respostas, decidiu deixar de lado as diferenças com sua mãe, a principal governante do mundo magi. Voltaria a Katur, capital de Meigan, e pediria perdão por todas as brigas passadas. Assim, abandonou sua vida terrena e entrou na primeira caravana que encontrou. Entretanto, seus planos acabaram tomando um rumo muito diferente daquele que imaginara. No caminho de volta, os soldados que a escoltavam acabaram encontrando destroços e um corpo no chão. Logo que avistou o homem morto, com os cabelos tão brancos quanto sua pele e os olhos inteiramente negros, Maya soube que se tratava de um dos cártagos – antigos magis que traíram seu povo e por isso foram banidos para uma dimensão paralela. As implicações para tal presença em território magi eram gravíssimas e não demorou muito para que a garota e seus companheiros descobrissem que os magis traidores estavam tomando o Solo Sagrado e derrubado seus portões de defesa. Agora, em meio ao caos de uma violenta batalha, Maya vai precisar lutar para sobreviver e conseguir responder as perguntas que tanto lhe afligem. Como os cártagos conseguiram acesso ao Solo Sagrado? Onde estavam os guardiões dos portões, os mais poderosos guerreiros de Meigan? E, a mais importante de todas, conseguiria chegar a Katur a tempo de encontrar sua mãe?

Inicio a resenha dizendo que depois de ler Os Contos de Meigan, sua fé na literatura nacional será restaurada!

Depois de muito tempo apenas pegando esse livro na estante para tirar o pó, decidi dar uma chance, quando na verdade, foi o livro que me deu a oportunidade de ler uma aventura que guardarei com direito à Fangirlices.

(Tenho que parar com essa mania de enrolar todo início de resenha ~.~) POIS BEM, o livro começa com um ótimo prólogo que nos situa em seu universo e nos antecedentes da história. Eu agradeço muito aos autores que se dispõe a fazer explicações do tipo, pois não me agrada quando o livro começa já lançando bombas de enredo, sem pausas para entender e absorver nada. 

Right, sobre a mitologia da história: há muito tempo, desde a criação do mundo de Meigan, vivam clãs com poderes específicos de cada elemento/mantar, chamados Manacus. Eles eram extremamente poderosos na habilidade em que nasciam. Muitas guerras entre as tribos aconteceram, e com o passar do tempo novas raças foram surgindo, principalmente mestiços devido a união de membros de clãs diversos. Assim, deu-se origem a espécie dos Magis, seres com habilidades em mais de um mantar, mas não com a mesma maestria dos Manacus. And hold the calm que em algum momento esses nomes soaram naturais, believe me

Mais gerações se passaram e a barreira que separava os mundos se expandiu. Os humanos, mais conhecidos como Haims surgem causando muita guerra e destruição, exercendo seu dom mato. Foi um choque de armas bélicas com o poder dos mantares. As famílias que se uniram aos Haims ficaram conhecidas como Cártagos, algo que significa traidores. Por sorte,  Magis e Manacus decidiram unirem-se a fim de derrotar um inimigo comum. A solução foi criar uma barreira que expulsasse os humanos do mundo de Meigan. Assim, surgiram os Sete Portões localizados no Solo Sagrado.


Você sabe que o livro é bom quando faz parte dele.
Com o tempo, cada portal ganhou um Guardião para protegê-lo. Sendo criaturas altamente misteriosas, a Lei Sagrada determinou proibida, sob pena rigorosa, qualquer contato com eles. Por serem mascarados, muitos boatos diziam que suas faces ficaram deformadas devido aos poderes que receberam. Por isso era estritamente proibido olhar para um Guardião desmascarado. Enfim, os Cártagos se tornaram um povo sem terra, banidos do convívio com outros Magis. Mas o silêncio não combina com um guerreiro, principalmente aqueles com fome de vingança...

Eu achei tanto história e mitologia bem tecida e diversificada. Claro, em alguns detalhes vem àquela sensação de "já vi isso em algum lugar", principalmente se você já leu muita fantasia, mas nada que em sua maioria não seja criativo e em suma, inovador.

Somos apresentados logo de início a Maya Muskaf, uma Magi oriunda do mundo de Meigan (e vamos ler contos sobre ele, haha, parei), que por três anos viveu entre humanos no nosso mundinho chamado Terra. Seu objetivo aqui era simplesmente fugir de todas as responsabilidades que tinha em sua terra natal, principalmente por ser a filha da Shyrat, uma espécie de governanta, admirada por todos pelo seu alto cargo e competência. Mas como toda filha rebelde, Maya nunca almejou o cargo da mãe, pois teria de abdicar sua vida para resolver os problemas do povo.

Agora assim como Maya (cof, de volta para minha terra), vamos embarcar para Meigan! Ambientado em uma época bem medieval, lá as coisas quase funcionam como foi na Idade Média, excluindo o fato de que as escolas dos Magis os ensinam a controlar o quatro elementos. Fogo, ar, terra e água são os básicos, além de toda uma complexa relação envolvendo mente, espírito e comunicação com a natureza que só sábios dominam. Ultimamente, as aulas têm se tornado cada vez mais intensas, devido a invasão dos Cartágos, agora com tanta fome de poder quanto suas espadas de sangue. Para incrementar o problema,  ninguém sabe como conseguiram violar as Leis Sagradas e atravessar os Portões. E é neste contexto lindo que Maya volta ao lar.

Depois de muita trama a desenrolar, claro que Maya foi cobrada pelo Conselho de assumir seu posto de Shyrat. A protagonista ganha o prazo de 56 dias para mudar de ideia sobre sua relutância em assumir o cargo. A partir de então o livro me prendeu de tal forma que mesmo depois de 600 páginas, eu precisava de MUITO mais.

Maya, ainda em sua fase de impertinencia, resolve fugir da capital Katur, mas depara-se com o Guardião do Sétimo Portão, que mata o Cártago que a estava perseguindo. Desconfiado de que Maya esteja aprontando, o Guardião se dispõe a levar aquela irresponsável futura Shyrat de volta ao seu lugar. Mas depois de momentos não tão favoráveis, Maya acaba encontrando a casa do sábio Keyth, que me conquistou com suas piadas ruins e bom humor, mesmo com aquele ar piegas de Yoda.

Muita água rola a partir desse encontro. Os personagens vão se tornando mais próximos e a trama, mesmo se complexando, fica mais compreensível. Se é que fez sentido essa frase.

Mas até rosas têm espinhos! E o primeiro detalhe do livro que me incomodou foi a rapidez de alguns momentos, por exemplo, a morte de alguém muito querido para o personagem. Enquanto eu lia lágrimas e lamentações intensas, não consegui me sentir abalada pelo fato de não termos tido muito contato com o defunto, apenas menções passadas.  E falando em falta de aprofundamento, a meu ver, os pontos fracos da trama giram em torno disso. 

SIM, o prólogo no início foi de grande ajuda, mas foi só isso que temos de explicações passadas. Mesmo o livro já sendo um tijolo respeitável, eu realmente senti falta de mais conteúdo nesse sentido. Mas como será uma trilogia e só resta torcer para que isso seja sanado nos próximos livros.

A dos maioria dos personagens teve uma personalidade bem desenhada, e por mínimo que seja, cumpre alguma função no livro. Mas claro que há aqueles que se destacam <3 e este para mim foi o Sétimo Guardião, cujo nome vou privá-los de saber, kisses. Sua personalidade analítica, cega obediência naquilo que foi brutalmente forçado a acreditar e inocência quanto aos primeiros sinais de uma rebelião interna, lê-se rebeldia, reconhecendo que ser Guardião é muito mais que uma máscara e... Right, I'll stop. Apenas digo que não tem como não querer abraçar.

Sobre Maya, a protagonista, ela não me irritou nem me fez cair de amores. Houve momentos em que eu concordei e desaprovei suas atitudes, algo bem verossímil no mundo real. Maya possui uma cabeça dura, mesclada com uma personalidade decidida (pois não, não são a mesma coisa, OOOH) de quem vai atrás do que quer, seja estúpido ou certo. Foi ótimo ver o quanto ela evolui e começou a pensar em Meigan como sua verdadeira casa. 

MAS AH, O FINAL. Espero que as autoras expliquem melhor o que elas quiseram dizer com as últimas palavras, POIS EU NÃO VOU SUPERAR AQUILO TÃO CEDO.

Respirem, estou quase acabando. Mas sério, respire. A princípio, achei que se tratava de um livro com uma narrativa parada e forçada, personagens previsíveis e comecei a me lamentar por ter escolhido um livro tão grande, principalmente agora que meu tempo anda reduzido. Oh oh, sweet mistake. O livro provou seu valor, mostrando-se ser uma ótima leitura para fãs do gênero. A escrita das autoras realmente é o ponto alto. Fácil, suave, não muito descritiva e bem energética. Não há muitos momentos parados. Sempre terá um Cártago para matar, uma luta de treinamento para enfrentar e uma traição/mistério/calúnia para descobrir e contornar. Bolo recheado para quem anda de ressaca literária e não consegue prosseguir com nenhuma leitura, pois eu estava nessa situação.

Mas não concordo com comentários que dizem considerar Contos de Meigan num Guerra dos Tronos brasileiro. Há sim conteúdo e aventuras mais variados em relação a alguns livros nacionais que li. Acho que a frase soaria melhor se dissesse que o livro possui um potencial à la Guerra dos Tronos e mal vejo a hora para ver a comprovação disso.


Pandas. Vão. Dominar. O. Mundo.
Sobre a diagramação: páginas cremes, letras de um tamanho ideal E O QUE É ESSA CAPA??? Convence qualquer pessoa de comprar só pra ter na estante! E ela ganha um significado ainda mais especial no decorrer no livro. E SIM, EU VEJO UM PANDA NA MÁSCARA E NINGUÉM PODE NEGAR!

Não sei se consegui me expressar por completo, pois são muitos detalhes que quis mencionar. Espero que tenham gostado, e obrigada de coração você que chegou até aqui. S2 pra tu <3. (perceberam que o "s" nunca será proporcional ao dois? "S2" or "s2". Enfim, FOCO). BOAS NOTÍCIAS PARA QUEM JÁ QUER CONTINUAÇÃO: 



Eu fui na maior cara de pau irritar a Roberta, uma das autoras, sobre a chance de uma possível continuação. Sim, eu não presto. É ela foi super atenciosa e simpática, me respondendo e indicando a fanpage do livro: https://www.facebook.com/contosdemeigan. Viu quantas vantagens há de estar inteirado na literatura nacional <3


Primeiramente, o Banguela porque sim. Juro que quase dei nota 5, mas aquele final ainda me mata sempre que penso sobre, e tem uma cena que eu queria TANTO que acontecesse, mas minhas esperanças ainda não foram frustadas. E também porque necessito de mais explicações sobre o passado. Enfim, já escrevi demais aqui.



FIND ME:
bia_fbastos@hotmail.com
http://bf-bastos.blogspot.com.br
| | |
Goodreads
Instagram |

segunda-feira, 28 de abril de 2014

Livros Entre Linhas: O Garoto no Convés


Nome do Mundo: O Garoto no Convés
Único em Seu Universo.
Dimensão: 496 páginas.
Criador: John Boyne
Data de Nascimento: 
BRA & US: 2009.
Trouxe aos Terráqueos Brasileiros: Cia. das Letras.
Onde Obter: Saraiva - Submarino - Livraria Cultura PDF 
Relatório Completo: Skoob.
Sinopse: Em abril de 1789, semanas após concluir no Taiti uma curiosa missão com fins botânicos - coletar mudas de fruta-pão para alimentar os escravos nas colônias inglesas -, o navio de guerra britânico HMS Bounty foi palco de uma revolta de parte da tripulação contra o capitão William Bligh, que acabou deixado à própria sorte em um bote em alto-mar junto com os marinheiros ainda fiéis a seu comando. Sem provisões e instrumentos de navegação adequados, o grupo enfrentou 48 dias de duras provações até alcançar a costa do Timor. O episódio inspirou numerosos livros e filmes.
Neste livro, a história da expedição é narrada do ponto de vista de John Jacob Turnstile, um garoto de Porstmouth, sul da Inglaterra, que sofre abusos de toda sorte, inclusive sexuais, no orfanato e pratica pequenos furtos nas ruas da cidade. Detido pela polícia após roubar um relógio, é salvo pela própria vítima do roubo quando esta lhe faz uma proposta: em vez de ficar encarcerado, embarcaria no HMS Bounty para passar pelo menos dezoito meses como criado particular do respeitado capitão Bligh. Turnstile aceita a barganha, planejando fugir na primeira oportunidade. Mas a rígida disciplina da vida no mar e uma relação cada vez mais leal com o capitão transformarão sua vida para sempre. É pela voz desse adolescente insolente e sagaz, mas ao mesmo tempo frágil e ingênuo, que o leitor acompanhará uma viagem repleta de intrigas, tempestades instransponíveis, cenários exóticos e lições de lealdade, paixão e sobrevivência. 
O autor acrescenta novos dados e interpretações a uma história até hoje misteriosa. Sugere, por exemplo, que a receptividade sexual das nativas do Taiti pode estar na origem da insatisfação que resultou no motim. Seduzidos - ou, no caso de Turnstile, iniciados - por elas, os marujos teriam considerado intolerável a idéia de retornar para casa, o que os colocou em linha de colisão com o capitão. 

Ah, imaginem o mais extremo relacionamento de amor e ódio? Boyne me fez sentir isso com sua escrita nesse livro, mas por sorte, aqui se aplica o final feliz depois da discussão.

Sei que não é muito interessante, mas minha história com esse livro é bem conturbada, tanto que passei três meses me negligenciando a lê-lo de tão decepcionada que este me deixou. Enrolei semanas para chegar até a página 50 e depois de um "quase abandono", criei MUITA perseverança e consegui terminar. E mesmo com todas as reviravoltas de olhos, bufadas de tédio e raiva, no final entrei num acordo amigável de "valeu a pena". Pronto, acaba aqui a parte não-tão-interessante, desconsiderando o resto da resenha.

Diga-se de passagem, as sinopses dos livros do Boyne nunca são tão conquistadoras, mas eu sempre confio na certeza de esse adjetivo traduza perfeitamente suas obras. Não posso mentir que por um bom tempo, 150 páginas para ser mais exata, eu pensei que O Garoto no Convés seria a exceção mais infeliz para esta "regra". Também não vou esconder que até então, foi seu primeiro livro que não me envolveu de cabo-a-rabo, mas por fim, eu pude encontrar pitadas-de-Boyne.




"Você tem vida mansa em comparação com alguns e precisa aceitar esses momentos e seguir adiante sem rancor. É isso que transforma um menino num homem do mar."

Okay, vamos deixar a enrolação para a Rapunzel (podem me processar por danos causados pelas piadas ruins... ou pela resenha toda de uma vez), and go to story: John Jacob Turnstile (o nome completo é repetido tantas vezes que tenho certeza de algum dia vou escrevê-lo no lugar do meu, enfim), é uma garoto de 14 anos, e assim como muitos outros, vaga pelas ruas de Porstmouth, Inglaterra, trabalhando arduamente em seus serviços de bater carteiras e surrupiar objetos de valor. Órfão desde que se conhece por gente, John não conhece outro mundo a não ser aquele que o dono de um frequentado estabelecimento lhe pôs, exigindo sempre esse tipo de "gratidão" como forma de pagamento por tê-lo tirado da sarjeta. Conforme foi crescendo, esse dono ainda exigiu que John deixasse ser abusado sexualmente por diversos homens ricos que secretamente iam até lá e pagavam pelos "serviços". 

Por mais que a vida de John contenha temas pesados, ainda mais considerando a data em que a história passa, meados de 1787, esse é apenas o contexto da vida do protagonista no momento em que o conhecemos. Certo, eis que um dia, o pobre Jacob é pego roubando o relógio de bolso de um rico, e como punição recebe uma proposta: passar mais de um ano sem ver a luz do sol na cadeia, ou embarcar na marinha Inglesa como criado do capitão Bligh, rumo a uma remota ilha no Pacífico, onde a missão é recolher frutas-pão para alimentar os escravos. 



"Nada melhor que o arrependimento e os pedidos de desculpa, mas certas coisas que acontecem na vida de um pessoa ficam tão impressas na memória e tão gravadas no coração que é impossível esquecê-las. São como um ferrete."

Nosso John, obviamente, decide virar marinheiro, mas sempre pensando em como poderá fugir. Mas o fato de ter de passar meses em alto mar risca qualquer plano que tenha figurado. E aqui faço uma ressalva de COMO FOI EXTREMAMENTE MAÇANTE O AUTOR TENTAR DESCREVER MINUCIOSAMENTE CADA DIÁLOGO, PASSO E MINUTO DO INÍCIO DA VIAGEM! EM CAPS, POIS MEU DESESPERO FOI DE TAL AGONIA QUE SÓ GRITANDO PARA DESCREVER. Há muita coisa que o autor poderia ter enxugado sem perder conteúdo ou deixar de ser fiel a seu objetivo: retratar o motivo que ocasionou o motim que até hoje prossegue sendo um mistério. Sinceramente, bons 30% do livro foram desnecessários a meu ver, perdendo o foco várias vezes.

PROSSEGUINDO, depois que todo o tédio que acompanha tanto tripulação como o leitor, o livro começa a tomar um ritmo mais forte, e mesmo que já para o final, realmente nos prende e convence de que valeu a pena aguentar e chegar até lá. Acompanhamos a trajetória e pensamentos de John ao longo de dois anos, desde os dias cansativos do navio, suas estadias nas ilhas e, depois do motim, a situação trucidante que tem de enfrentar até o porto mais próximo da Inglaterra. Com a narrativa em primeira pessoa, sentimos de perto John deixar de ser um menino das ruas e se tornar um "homem do mar". Vemos que por trás de toda pompa de "Marinha Inglesa, a melhor do mundo", a elegância do título morre no mesmo, ao começar pelas difíceis condições no próprio navio, e no final, todos os tripulantes são homens repletos de vícios, superstições e, em sua maioria, com comportamento de cachorros no cio.


"Os ricos sempre consideram ignorantes os garotos como eu, mas às vezes demonstram ignorância igual ou maior, se bem que de outro tipo."

O livro me ensinou muito sobre o que é lealdade e legado, e até onde você é capaz de ir e situações que tem que a coragem de passar, tendo como método de decisão sua fidelidade. Consequentemente, percebi que o próprio significado de traição vária muito de pessoa, mesmo algumas vezes sirva de desculpa para agir erroneamente sem ter que enfrentar consequências. As sensações que o livro me passou durante a estadia da tripulação nas ilhas foi tão vívida que me senti parte da vegetação (yeah, acabei de falar que por um momento fui uma árvore), e depois quase morri como naufraga junto do restante dos "fieis". Não tem como deixar de sentir algo vendo a amizade desenvolvida entre o capitão Bligh e seu criado John, que descobriu possuir um dom para cartografia graças as observações que fez na cabine de Bligh. Além de criar uma profunda admiração ao fato do capitão manter fidelidade com o seu casamento, e mesmo sabendo que seria impossível enviar cartas, continuar a escrevê-las destinadas a sua esposa.


"Parece que ela lê romances, sir, coisa bem pouco recomendável. E tinha uns modos, não sei como dizer. Modos de gente experiente."

QUASE ACABANDO, STAY STRONG! O autor nos mostra as várias facetas das personagens. O famoso capitão Bligh é um exímio exemplo quando o assunto é determinação e lealdade, porém não deixa de ter seus preconceitos e raivosos momentos. O mesmo se aplica as variedades que apresenta cada membro da tripulação e por mais que no início do livro eu me confundia com os nomes dos tripulantes, ao terminá-lo, me senti próxima de vários deles, dos seus medos, passado, angustias e desejos futuros.

Concluo que acho mais adequado ler este livro quem se interessa por romances históricos, não ligue de consultar VÁRIAS vezes ao dicionário, e tenha tempo ou paciência para encarar as dificuldades que eu tive com o começo. Mas no final se mostra totalmente satisfatório.


"Mas, entre cada um deles, não havia senão longos e maçantes dias e noite a vogar, com tempo às vezes bom, às vezes ruim, com uma gororoba insossa para comer e na companhia de gente que não instigava a imaginação nem o intelecto." (This is school).


O final realmente salvou o livro, mas eu tive que considerar o sofrimento do início. É como se cada metade tivesse sido escrito por escritores diferentes. Mas aqui está 3 Bountry's toscos para representar a nota e dói dizer que este livro não mostra Boyne em sua melhor forma, mas vale a pena se você é fã do autor.



"As águas daquela região eram de um azul curioso, com uns tons esverdeados tingindo duas profundezas e um rolo negro que aparecia de quando em quando para acrescentar mais uma cor ao arco-íris. Ao comtemplá-las, eu me senti arrebatado como o sr. Fryer na ocasião em que o surpreendi perdido em devaneios e olhando para o mar. Concentrando-me, descobri que podia ver o meu reflexo na água e, quando mergulhava a mãe para agutá-lo, meus olhos, minha boca, meu nariz e minhas orelhas se fragmentavam num caleidoscópio de Turnstile, espalhando-se em todos os pontos cardeais até aque a atração mútua fosse demasiada e a água se estabilizasse, tornando a unir ante os meus olhos os cacos da minha fisionomia."




FIND ME:
bia_fbastos@hotmail.com
http://bf-bastos.blogspot.com.br
| | |
Goodreads
Instagram |
Copyright © 2013 | Design e C�digo: Amanda Salinas | Tema: Viagem - Blogger | Uso pessoal